Fanzinoteca exibe acervo de fanzines brasileiros e eterniza lampejos irreverentes que dialogaram com a abertura política do país
“Zine” e “zineiro” eram expressões muito usadas na virada dos anos 80 para os 90. Definiam, respectivamente, um novo estilo de mídia livre e aqueles que a faziam. Filhote da cultura punk, os fanzines ou
arte-xerox ganharam espaço em culturas do mundo todo, e ecoaram com força especial no processo de abertura política do Brasil.
Baseado no Rio Grande do Sul, o Ponto de Cultura ArtEstação emplacou, no ano passado, uma iniciativa que promete eternizar a força original da cultura zineira, que foi um tanto quanto pulverizada com o surgimento da internet, dos blogs e de outros formatos multimídia. É a Fanzinoteca Mutação, viabilizada a partir do Prêmio Interações Estéticas 2009 (Funarte e Secretaria de Cidadania Cultural/MinC) cujo acervo será exposto fora de casa pela primeira vez em Fortaleza, de 25 a 31 de março. Uma oportunidade única para revisitar os primeiros números de publicações ácidas como a paranaense “Back-Core” (1994) e a carioca “Contradições” (1998).
A exposição fará parte da Mostra Artística da Teia Brasil 2010: tambores digitais. Alem dos zines, os visitantes terão oportunidade de conferir quadrinhos nacionais independentes como “Penitente”, “Areia” e “Peiote”, entre outros, e uma coleção de arte-postal (corrente artística criada em 1968 por Ray Johnson, em que os artistas envolvidos trocam mensagens criativas utilizando o sistema de correios).
Law Tissot, artista responsável pelo acervo, conta que a Fanzinoteca guarda ainda a produção acadêmica relacionada a história dos fanzines no Brasil, a fim de fomentar futuras pesquisas sobre o tema. O artista está convocando também todos os antigos zineiros a encaminharem seus materiais para o blog do Ponto de Cultura gaúcho (http://fanzinotecamutacao.blogspot.com).
Por Tatiana Diniz









