Passarela no Dragão do Mar, com foto tromp d'oeil (engane a vista, na tradução livre do francês) ao fundo de Nicolas Gondim, para criação de José Tarcísio, intitulada Ilusãom de 2001

Passarela no Dragão do Mar, com foto trompe l'oeil (engane a vista, na tradução livre do francês) ao fundo, de Nicolas Gondim, para criação de José Tarcísio, intitulada Ilusão, de 2001

Espaço mais que legal o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura , viu? São 30 mil metros quadrados com inúmeras opções de exposições, biblioteca, cinema, dança, shows, atividades físicas, oficinas variadas e até um planetário! Visitei quatro exposições bem criativas e ricas em informações.

Primeiro passei na exposição “Na Ponta dos Dedos” com trabalhos criados por pessoas com visão sub-normal ou cegas. Desenhos pontilhados lindos e outras criações que convidam ao toque. A expo mostra como a tecnologia para cegos evoluiu nos últimos tempos e comemora o bicentenário de Louis Braille, que inventou o método de escrita homônimo. Emocionante!

Em seguida, na entrada ao lado vi a expo “Brinquedo – A Arte do Movimento” , com acervo da pesquisadora gaúcha Macao Goes. São 800 briquedos artesanais, como bonequinhas e bonecos de pano, rodas gigantes de madeira, movéis em miniatura etc. Pena que não dá para brincar com as peças (compreensível). Mas que dá vontade de “puxar” um caminhão de madeira de novo, dá!

Abaixo, descendo um vão de escadas, outra boa surpresa, a exposição permamente “Vaqueiros”, falando sobre o universo desse personagem mítico do sertão. Fotos de vaqueiros, a história, apetrechos e a mitologia desse herói dos cordéis estão nesse espaço riquíssimo visualmente.

Depois de sair extasiado dessas três experiências, lá fui eu para a exposição “Pra Começo de Século”, que comemora os dez anos do Museu de Arte Contemporânea (Mac). O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura concentra ainda o Memorial da Cultura Cearense, onde vi as outras três mostras.

E que grata oportunidade os doze trabalhos de artistas do Brasil e da América Latina à mostra no Mac. A artista cearense Marina de Botas traça rotas tatuadas na pele em fotos expostas na sua instalação. Mas a que atraiu mais a minha atenção foi a da artista boliviana Narda Alvarado.

Ela investiga como as ideias surgem, como apreênda-las e dá ideias muito inventivas e engraçadas. Super irônica, ela cria uma cidade movida à gás, lembrando a rixa entre as Petrobras e os bolivianos contrários à exploração de gás. Tem até um kit de armas para os guerreiros, como ela os chama.

Tudo desenhado com um traço leve, infantil e be, colorido ou expostos em vídeos super fofos. Ela dá até sugestões de ideias para Fortaleza: “Jogar ideias ao mar”, “fazer uma performance entre várias pessoas para pentear o céu e a areia”, “desenhos do ponto de vista de uma gaivota”, entre outras invencionices geniais.

Desenho da artista boliviana Narda Alvarado, na exposição "Pra Começo de Século", no Museu de Arte Contemporânea, no Dragão do Mar

Desenho da artista boliviana Narda Alvarado, na exposição "Pra Começo de Século", no Museu de Arte Contemporânea, no Dragão do Mar

Depois de tanta informação, precisava de uma pausa para um café. E o Santa Clara, que fica depois de uma passarela vermelha, é a melhor opção. Experimente o cuscuz com queijo e carne do sol com um café irlandês. Tudo de bom! 

 Por Marco Gramacho

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