O primeiro dia de atividades da Ação Griô, dentro da Teia das Ações, aconteceu na Galeria TOTA, no SESC,  ao lado do Centro Cultural Dragão do Mar. Mas quem chegava no pátio já sentia o clima. Seu Gilberto Augusto da Silva, “mas ninguém me conhece assim bote aí Mestre Gil do Jongo”, do Ponto de Cultura Jongo de Piquete – um novo olhar, de São Paulo resumia o que se passava por ali:

“Eu comparo isso aqui com uma rede de pesca, se um nó estiver frouxo não vai pegar nada…A gente veio aqui para apertar os nós, para ficar tudo ajustado e a gente conseguir ‘pescar’ melhor na nossa comunidade.”

Pontistas experimentam o Jongo.Atrás grupo Jongo de Piquete e Mestre Gil

Demonstrando no pátio essa dança-música que nasceu em São Paulo, mas tem um pé indisfarçável na África, atraiu muitos pontistas para experimentar dançar. E é dessas experimentações que se faz a TEIA. “A diversidade é grande, mas se percebe um elo entre todos que é o canal de troca de saber, de experiência” – disse ele.

Griôs Macuxis e a possibilidade de ensinar sua língua

Entrando no SESC as manifestações são ainda mais emocionadas. A mestra Laudisa, xamã da etnia macuxi, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, falou em seu idioma cantado, sobre a importãncia da Lei Griô. A lei, colocada como uma das 35 prioridades na II Conferência Nacional de Cultura que aconteceu esse mês em Brasília, institucionaliza o Programa Ação Griô, que valoriza os mestres dos saberes, geralmente idosos detentores de conhecimentos específicos. A princípio a Ação, que nasceu da iniciativa do Ponto de Cultura Luz Griô da cidade baiana de Lençóis, abalizava pessoas ligadas aos saberes “clássicos” : indígenas, afro, sertanejos, ribeirinhos. Mas o projeto se ampliou e hoje existem até Griôs do Futebol, são os Griôs da Escola de Futebol América do Amanhã, do Rio de Janeiro. Achou estranho?

“Uma identidade não se constrói da noite pro dia. O Brasil não é o país do Futebol assim, do nada. Tem toda uma história por trás disso que é importante se conhecer e valorizar.” – Tá explicado.

Os povos Macuxis, de Roraima, ainda salientaram a importância do projeto para o ensino da língua macuxi, que só pode ser ampliado por conta dos recursos do projeto e da valorização que tiveram através dele.

Marcos Bragança, Mestre Griô de Teatro de Rua

Marcos Bragança, é ator e também é Griô. Ele coordena há 30 anos a ong, hoje Ponto de Cultura, Tá na Rua – do Rio de Janeiro. É um Mestre Griô de Teatro de Rua. E

Sala lotada para assinatura em prol da Lei Griô

mostra que tem muito a ensinar: “O palco é a rua e a dramaturgia é construída no local, não há nem 1% de mentira no Teatro de Rua”. Ele diz que houve um encontro entre o Movimento de Teatro de Rua e o Projeto Griô, que segundo ele reconfigura o olhar histórico-social onde as crianças e velhos já seriam respeitados sem necessidade de leis, por sua sabedoria intrínseca – e completa: “Um país que precisa de lei pra cuidar de suas crianças e seus idosos certamente está doente. Nós não somos a minoria.”

A Ação Griô espera recolher 1 milhão de assinaturas em prol da Lei Griô durante a TEIA 2010.

Texto: Carine Araújo

Fotos: Simao Augusto

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