Cultura Viva

quarta-feira, março 31st, 2010

Pontos de Cultura conquistam vaga no Conselho Nacional de Política Cultural

No momento de fechamento da Teia 2010: Tambores Digitais, a grande notícia foi a confirmação, vinda de Brasília, de que a partir de agora os Pontos de Cultura terão um representante junto ao Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), órgão colegiado do Ministério da Cultura que visa propor a formulação de políticas públicas para o desenvolvimento e o fomento das atividades culturais no pais.

Agora, uma lista com três nomes deve ser enviada ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que aprovará uma das opções e, assim, definir o representante da Comissão Nacional junto ao CNPC.

Os três nomes indicados para compor a lista foram aceitos por consenso, e, agora, cabe ao Ministério escolher entre Chico Simões (Ponto de Cultura Invenção Brasileira – DF), Mário Brasil (Ponto de Cultura Naus – AC) e Norma Paula Moreira (Ponto de Cultura Roteiro de Luz – Instituto Cidade – CE).

Além da vaga no CNPC, os pontos terão representantes, também, na Comissão do Programa Cultura Viva. “Na verdade conquistamos, ao todo, 4 cadeiras: 3 no Cultura Viva – indicaremos três nomes e eles serão automaticamente aprovados -, e essa no Conselho ”, concluiu Gel Brito, do Centro do Teatro do Oprimido (Ponto de Cultura – RJ), membro da Comissão Executiva que organizou a Teia em Fortaleza

Representantes de Pontos de Cultura garantem presença na Teia 2010. Fotos: Maximiliano Leguiza

Segundo ele, o anúncio dessas novidades é uma prova indiscutível do reconhecimento, por parte do governo, da importância dos Pontos de Cultura no contexto social brasileiro: “São poucas as entidades e movimentos que têm assento nesse Conselho, que define políticas pública para o Brasil. Isso significa que os Pontos de Cultura estão assumindo espaços cada vez maiores nessa discussão”. Gel Brito comemorou a notícia e destacou que essas conquistam reforçam o movimento.

O encerramento das atividades da Teia aconteceu na manhã de quarta-feira (31), no Sebrae, quando chegou ao fim a atual gestão da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e houve a apresentação dos novos 52 integrantes (27 representantes dos estados e 25 representantes de grupos de trabalhos, GTs). Por meio de votação, foi decidido que, dentro de 90 dias (em julho, portanto), será realizada a primeira reunião presencial da nova Comissão. Mas as conversas iniciais devem acontecer o mais breve possível, por meio da internet.

Representantes de Pontos de Cultura garantem presença na Teia 2010. Fotos: Maximiliano Leguiza

GT – Matriz Africana


Vídeo: Maximiliano Leguiza

AVALIAÇÃO

Norma Paula Moreira, Coordenadora Geral da Teia 2010, destacou a participação dos representantes de Pontos em todos os eventos programados, desde as apresentações da Mostra Artística até a Plenária Final, quando foram apresentadas as propostas dos fóruns estaduais e dos GTs.

Para ela, o evento foi bem sucedido e isso fica muito claro se observada a variedade e força das propostas apresentadas, tanto federais quanto estaduais, todas no sentido de engrandecer o Programa Cultura Viva em todos o território brasileiro. “Resta agora que os governos acatem essas decisões e, daí, vem a importância dessas comissões que alguns estados criaram – como é o caso do Ceará – que vão trabalhar muito para que essas propostas e deliberações não fiquem no papel”, explicou.

Outro detalhe apontado pela Coordenadora Geral do evento foi a composição dessa nova Comissão Nacional, que tem muitas pessoas novas. “E essa mistura do novo com a experiência de quem já participava do processo cria a perspectiva de se dar uma grande alavancada nos trabalhos”, conta.

Os números finais da Teia devem estar disponíveis em aproximadamente um mês, mas Norma adiantou que o evento contou com a participação de aproximadamente 5 mil pessoas, além do apoio de grande parte da população de Fortaleza. “A cidade atendeu o chamado, sentiu-se dona da Teia e contemplada em todas as atividades. Cheguei a ouvir ‘Que legal que os pontos de Cultura fizeram isso para a gente’”, comemorou. E a despeito de todos os problemas que possam ter acontecido, ela acredita que essa Teia foi a mais aconchegante de todas as que já aconteceram.

Por Luciane Zuê (Pontão de Cultura Digital Ganesha) – Cobertura Compartilhada

terça-feira, março 30th, 2010

GT discute importancia do Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais, os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Sendo eles: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma Ação Audiovisual Cultura Viva.

“É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam”, explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Santa Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, disse que esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e na TV Brasil, mas não só nela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?”, disse.

Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porque se você passa um ano formando o jovem e depois não o aproveita, não adianta”. Para ela, os valores de financimento do audiovisual no Brasil são um nó, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual diz respeito ao mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado”, declarou. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

 


Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)


Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)


Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)


Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva


Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio


Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)


Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

Vejam as fotos do GT:

Paulo Roberto explica o Laboratório Cultura Viva

Plenária vota as propostas

Davy Alexandrinsky e Luísa Falcão

Jader Costa: Milhares são resgatados pelo audiovisual

Carine Araújo e o projeto Do Ponto ao Mundo

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

terça-feira, março 30th, 2010

Pontos de Memória vão integrar Programa Cultura Viva

Seguindo o Museu Cortejo, unidos e embalados por canções e marchinhas de luta e alegria, os cerca de 40 participantes da Teia da Memória – representando 16 comunidades das cinco regiões do país – finalizaram o encontro das iniciativas dentro da Teia Brasil 2010- Tambores Digitais, no domingo (28), percorrendo o Dragão do Mar, levantando a bandeira de um futuro promissor rumo ao direito à memória.

O evento não só proporcionou o compartilhamento de ideias, anseios, desafios e definição de estratégias, como também marcou a parceria, no primeiro dia (26), entre a Secretaria de Cidadania Cultural (SCC/MinC), com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), afim de integrar os Pontos de Memória ao Programa Cultura Viva, assegurando mecanismos de investimentos para o desenvolvimento da iniciativa e integração aos Pontos de Cultura.

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Para Jô Brandão (foto1), coordenadora de ações ligadas à SCC/MinC, a proposta do Projeto Pontos de Memória, que vem apoiando comunidades que já realizam ações de memória, merece o apoio da secretaria pois seguem a mesma linha de atuação dos pontos de cultura e a filosofia do “do-in antropológico”, criada pelo ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Desde a primeira Teia da Memória, em Salvador, no ano passado, percebemos essa interação com a proposta dos Pontos de Cultura. Desde então, o projeto Pontos de Memória está ‘no nosso colo’, sendo tratado com cuidado, porque sabemos da importância da memória para o fortalecimento do processo de identidades das populações que não foram reconhecidas pela história oficial, disse Jô Brandão.

A coordenadora de Museologia Social e Educação do Ibram, Marcelle Pereira, enfatizou o resultado positivo da parceria. “É uma alegria para o Ibram apoiar esta iniciativa de transformação social através da memória. A integração é um avanço. Saímos daqui fortalecidos e com o espírito multiplicador”.

O primeiro dia de encontro também contou com a apresentação da representante da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Cláudia Castro, e com palestra de um dos sócio-fundadores do Museu da Maré, no Rio de Janeiro, Antônio Carlos Vieira, que falou sobre a experiência do museu pautada no protagonismo comunitário.

Na ocasião, Carlos Vieira convidou os participantes a refletir sobre o poder transformador da memória. “Falar de memória e falar da vida e do tempo. Memória são experiências vividas e também pode ser a construção do que não vivemos. Como pontos de memória temos a possibilidade de legitimar nossa história a partir da nossa perspectiva”.

No segundo dia foi apresentado o leque de propostas de oficinas a serem oferecidas pelo Ibram e, em grupo, foram elaboradas as proposições apresentadas na plenária Teia das Ações e no III Fórum Nacional dos Pontos de Cultura.

As propostas passam pela integração dos Pontos de Memória ao Programa Cultura Viva, respeitando suas especificidades e necessidades. Desta forma, foram garantidos mecanismos de financiamento e desenvolvimento à criação de um grupo temático denominado “Memória e Museus”, na instância do Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, para propor políticas públicas para o setor.

O terceiro dia de encontro também foi marcado pela palestra sobre inventário participativo do coordenador de Patrimônio Museológico do Ibram, Cícero de Almeida. Ele lembrou que o inventário deve lidar com as várias forças representativas da comunidade, em harmonia, e que a participação tem de pressupor a capacidade de lidar com a diferença. “A participação é o grande foco deste projeto. Durante o inventário, o grande desafio é perceber a igualdade na diferença e a diferença na igualdade. O que selecionar? Selecionar é pensar no conjunto complexo de possibilidades em conjunto com a vida.”

Para finalizar, a Roda de Memória propiciou integração entre os representantes dos pontos, que puderam contar histórias da comunidade e falar sobre as expectativas. “As pessoas estão perdendo a memória do bairro. Mas acredito que este momento marca o começo de uma grande história, com diversas representações da comunidade se organizando pela mesma questão. O museu vai ajudar o Sítio cercado, que só é lembrado como lugar de violência, disse Palmira de Oliveira, do Museu de Periferia – MUPE, do Sítio Cercado, em Curitiba.

Livaldo Degásperi apresentou a proposta do Ponto de Memória de São Pedro, no Espírito Santo, pautada na história de luta pelo território, registrada através das Ruas da Resistência, Conquista, Luta e União.

Emília de Souza, do ponto de memória do Horto, no Rio de Janeiro, levantou o conflito que a comunidade vem enfrentando pela permanência no bairro e o papel da memória nesse combate. “ Sabemos que a memória é tão importante que os inimigos querem se apropriar dela.  Esse é o nosso maior instrumento. A comunidade está coesa se apropriando da idéia do Museu de Percurso Vila do Horto.”

Rildo Fernandes, da comunidade do Coque, em Recife, disse que o local é um ponto turístico que precisa ser revitalizado e ter a sua história contada. “Acredito que com o Museu do Mangue do Coque esse quadro vai mudar para o homem-caranguejo. Quem não sabe nadar e dançar não pode viver no coque,” finalizou com aplauso do grupo.

“Saio daqui mais fortalecida, com muita vontade de trabalhar e colocar nosso museu para funcionar, disse Deuzâni Noleto, do Ponto de Memória da Estrutural, no Distrito Federal.”

Pontos de Memória – O Ibram acredita que o direito à memória precisa ser conquistado, mantido e exercido como direito de cidadania, como direito que precisa ser democratizado e comunicado entre os diferentes grupos sociais existentes no Brasil. É por esse direito e luta que está desenvolvendo o Projeto Pontos de Memória – resultado de parceria com o Programa Mais Cultura e, agora, com a Secretaria de Cidadania Cultural, do Ministério da Cultura, o Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça, e a Organização dos Estados Ibero-americanos.

O projeto vem apoiando ações de memória em comunidades de todo o Brasil. Estão em fase de consolidação 12 Pontos de Memória, situados em comunidades populares nas cidades de Belém- PA, Belo Horizonte – MG, Brasília – DF, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Maceió – AL, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro, Salvador – BA, São Paulo – SP, Vitória – ES.

Também estão em desenvolvimento, com apoio do Ibram, iniciativas comunitárias a partir da realização de oficinas temáticas e consultorias técnicas e grupos envolvidos nas ações de preservação da memória local. Como exemplo de tais iniciativas, destacamos o Ecomuseu da Amazônia (Belém – PA), os Museus Sankofa da Rocinha e Vila do Horto (Rio de Janeiro – RJ) e o Museu Vivo do São Bento (Duque de Caxias – RJ).

Por Sara Schuabb Couto

domingo, março 28th, 2010

Breve reflexão sobre a trama dos tambores

Kaosnavial na Teia 2010 - Foto: André Goldman

Kaosnavial na Teia 2010 - Foto: André Goldman

A pluralidade de criações artísticas apresentadas na Teia 2010: tambores digitais, em muitos momentos, aparenta ser uma continuidade de um processo de criação artística que, sobretudo a partir dos anos 90, buscou na cultura popular sua principal fonte. É comum, ainda hoje, ver empregados, e cada vez mais enraizados, os conceitos de modernidade e tradição; rural e urbano; centro e periferia. Nenhuma noção dessas tornou-se ultrapassada, como reflete a expressão que se usa hoje com um certo desdém : “isso é tão anos 90…”, para referir-se a algo que se considera datado.

No caso das produções artísticas daqueles anos, em suas mais variadas linguagens, o que foi pensado pelas cabeças mais iluminadas ainda reverbera e influencia as novas criações. No Recife, a música de Chico Science, respaldada por um conceito inteiramente novo, ultrapassaria limites e fronteiras e se tornaria uma espécie de guia. O manifesto mangue trazia em seu texto uma lição que, ao contrário de ser esquecida, foi reconectada a novos pensamentos. Pode-se dizer que as linhas da teia já eram fiadas desde ali.

“Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco da energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife… O objetivo é engendrar um “circuito energético” capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação pop. Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama”, escreveram os mangueboys, como se intitularam os cabeças do movimento cultural recifense. Quase duas décadas depois, o ministro Gilberto Gil – um apreciador do manguebeat, que também compartilhou dos seus louvores mundo afora – criou um conceito de política pública a partir de uma metáfora semelhante.

“Clarear caminhos, abrir clareiras, estimular, abrigar. Para fazer uma espécie de “do-in” antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos do corpo cultural do país… O espaço da abertura para a criatividade popular e para as novas linguagens”, colocou o então ministro. “Circuito energético”, “do-in”, “deslobotomizar”, “massagear” estão tão enredados que não há como assistir a um evento como a Teia sem imaginá-la como uma árvore frondosa que começa a dar frutos, cujas sementes foram plantadas no passado.

Exemplos

Apresentação do Manguerê / Foto: SCC/MinC

Apresentação do Manguerê / Foto: SCC/MinC

O Ponto de Cultura Manguerê, do Espírito Santo, executa na apresentação musical dos seus jovens alguns clássicos do mangueboy Chico. No Circo Teatro Escola Canoa Criança, do Ceará, os “caixas” dos meninos reproduziam batidas do manguebeat. Seu vocalista usava até acessórios “anos 90”, como chapéu de palha contrastando com óculos de sol estilo surfista. Litoral e periferia. As conexões não findam.

Os maracatus todos presentes na mostra artística da Teia também foram valorizados e restaurados a partir daqueles anos em que os artistas buscaram sua identidade cultural nas manifestações mais ancestrais de suas comunidades, sociedades. Alguns grupos, como o Estrela de Ouro de Aliança – cujas atividades tornou seu Ponto de Cultura um dos mais premiados do Programa Cultura Viva, do Minc – deu um salto. Criou um espetáculo intitulado Kaosnavial, também apresentado nesta Teia, que mescla as suas sambadas rurais com guitarras, baixo e o violino de um mestre vanguardista, Jorge Mautner. Este, por sua vez, foi deslobotomizado e massageado após a regravação, por Chico Science, de uma de suas músicas mais belas, chamada Maracatu Atômico.

Toda cultura popular revisitadada honra os ideais do manguebeat e do “do-in” gilbertiano. Tambores digitais – tema do encontro este ano – se reconecta à “Afrociberdelia” (1996) e a “Quanta” (1997), álbuns referência de CSNZ e Gil, respectivamente. É bom pensar que, se o ninho desta trama é tão anterior a tudo que se comemora agora, seu alcance pode ir a uma longa distância do ponto em que estamos agora. A linha é a mesma.

Por Michelle Assumpção (Diario de Pernambuco)

domingo, março 28th, 2010

Reunião do Conselho do Programa Cultura Viva

Um dos palcos da Teia 2010 / Foto: Wanessa Malta

Um dos palcos da Teia 2010 / Foto: Wanessa Malta

O Conselho Consultivo do Programa Cultura Viva realizou seu segundo encontro durante a programação da Teia 2010: tambores digitais, em Fortaleza (CE), com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, e do secretário de Cidadania Cultural do MinC (SCC/MinC), Célio Turino.

O ministro Juca Ferreira destacou em sua fala a riqueza da diversidade cultural brasileira e o crescente reconhecimento internacional do país. As ações do Programa Cultura Viva, em parceria com o Mais Cultura, segundo Ferreira, promovem inclusão social no processo de desenvolvimento que vive o Brasil, cumprindo uma das principais metas do Governo Federal.

O Conselho é formado por dirigentes do MinC, representantes dos Pontos de Cultura, de organismos internacionais, universidades além de outros atores importantes para o setor. Sua missão principal é compartilhar e debater as experiências de sucesso e dificuldades a serem superadas nos Pontos de Cultura e abrir espaço de diálogo entre o Estado e a sociedade civil.

Entre as novidades anunciadas, o secretário Célio Turino informou que deixa o cargo após o evento para tocar projetos pessoais. Será substituído pelo diretor de Acesso à Cultura da Secretaria, TT Catalão, garantindo a continuidade das ações do Programa Cultura Viva.

O secretário também destacou que as duas reuniões anuais do Conselho (essa foi a primeira de 2010) serão reunidas na revista,“Cultura Viva”.

Leia mais no site do MinC.

Por equipe da SCC/MinC com colaboração de  Sheila Rezende (Comunicação Social/MinC)

domingo, março 28th, 2010

Show do Mombojó agita público na 3ª noite da Teia 2010

Eram diversas manifestações espalhadas por todos os cantos, característica da Teia 2010: é preciso criar espaço para que todos possam aparecer. As mais diversas linguagens se encontravam no Dragão do Mar.Além do lançamento do livro do Célio Turino e do Bené Fonteles o teatro se fez presente com “As Madalenas” do Centro de Teatro do Oprimido, o grupo de Teatro Parresia (CE), o Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e outras Histórias e a Cia As Bárbaras de Multeatro. As apresentações atraíam os passantes e fixavam os olhos dos admiradores dessa arte.

Mas o destaque da noite esteve mesmo para a música, começando com a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene (SP) e a Oquestra Armorial do Cariri (CE), os Tambores do Tocantins (TO) e os Tambores da Floresta (MA)  deram show. A primeira executando o Hino Nacional com seus harmoniosos berimbaus, a segunda trazendo meninos tirando sons primorosos da rabeca, a terceira com crianças e jovens de 8 a 20 anos tocando músicas folclóricas da região norte com instrumentos percussivos e a última trazendo o tambor de crioula, música e dança típicas do Maranhão.

Como se não bastasse tanta diversidade musical eis que surge o Maracatu Leão Coroado (PE) trazendo todo o colorido da manifestação que é a própria expressão do estado pernambucano. Acompanhado deles o RAPentista Rapadura, que mistura em sua musicalidade o rap e o repente, duas manifestações distintas aparentemente, mas que tem em comum o improviso (Assista aqui). Logo após foi a vez do Linha Dura (MT) com seu rap e hip hop (Veja aqui). Em outro palco o também matogrossense grupo Cururu e Siriri, trazia a simpatia de seu Nízio em representar o folclore da região Centro-Oeste.

mombojó1-tatiana dinizMas foi a partir da meia noite que os palcos esquentaram mesmo. No Palco Economia Solidária, o Circo, quem embalava os ritmos era a Escola de Samba Unidos de Vila Maria que trouxe passistas, mestre-sala e porta-bandeira para dançar no meio do povo que lotou o espaço. No Palco Verde foi a vez dos meninos do Mombojó agregarem o público. O grupo subiu ao palco às 2 da manhã cantando Duas Cores, música do seu primeiro cd. A platéia cantou junto. Depois ele enveredou pelo segundo cd, que traz baladas a la Los Hermanos – “O primeiro disco foi independente então tinha mais a cara da banda, era mais experimental, no segundo a gravadora já interviu, você percebe a diferença” – analisou um fã. E a mudança foi perceptível. No meio das baladas ele chamou seu parceiro China. com quem gravou em 2008 um álbum virtual e com quem divide algumas composições, para cantar com eles duas músicas que traziam uma pegada de hip hop.

Felipe e China

Nesse momento um rapaz da pláteia sobe ao palco e apresenta sua coreografia da música deles. O “dançarino” foi acalamdo e continuou no palco para dançar a música seguinte. Felipe, vocalista do Mombojó, voltou ao palco agradecendo aos fãs que acompanham o grupo, que semana que vem fará nove anos de carreira e está lançando seu 3º Cd, “Amigo do Tempo”. Começou então a cantar as músicas de sucesso do primeiro Cd e a multidão que se aglomerava embaixo da lona por conta da chuva cantava e dançava com empolgação, até invadirem o praticável. Ele terminou o show com a música “Deixe-se acreditar” ao som dos fãs que repetiam o refrão: ” Tudo pode ser, Nada vai acontecer, não tema. Esse é o reino da alegria”.

Você pode baixar os Cds do Mombojó aqui.

Texto: Simão Augusto/Tabuleiro Produções

Fotos: Tatiana Diniz

Vídeos: Maximiliano Leguiza

sexta-feira, março 26th, 2010

Fomentar o fomento

Economia Viva, um dos eixos temáticos da Teia de Ações é discutida com a presença de mais de quarenta pontos de cultura na Teia 2010.

Fotos por Cristina Fontão

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Produtos dos Pontos de Cultura disponíveis na Feira da ECSOL na Teia

Economia Viva é um dos eixos temáticos da Teia de Ações – Conceitos e Práxis que compõe a programação da Teia 2010 – Tambores Digitais. A idéia é que os Pontos de Cultura ligados aos Programas Cultura Viva e Mais Cultura apontem as dificuldades e soluções para as questões referentes a economia solidária dentro dos pontos. È bacana perceber quão debatido tem sido o conceito de economia solidária na Teia 2010.

A discussão começou hoje e grande parte dela foi permeada por duvidas e idéias acerca da circulação de produtos dos Pontos de Cultura. É unanime a idéia de que a formação e a capacitação oferecida pelos pontos não garantem a sustentabilidade dos mesmos, embora façam parte do processo.

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A necessidade de organização dos pontos em redes de comunicação foi fortemente apontada pelos pontos presentes, como uma forma de planejar a circulação dos pontos, seja de forma individual, mas principalmente coletiva.

Fomentar o fomento, expressão utilizada pela mediadora do debate, Andréia Saraiva é uma forma de potencializar o recurso dos pontos de cultura, de forma que eles possam se estruturar até que sejam sustentáveis, e mais, fazer isso de forma colaborativa. Esta é uma das estratégias apontada pelo grupo de forma a colocar em prática o conceito da economia solidária dentro dos pontos.

Veja mais fotos da #Teia2010 AQUI!

sexta-feira, março 26th, 2010

Confira os espaços da Teia das Ações

Entre esta sexta (26) e sábado (27), os participantes da Teia 2010-Tambores Digitais pensam e compartilham ações, iniciativas premiadas e redes que fazem parte do programa Cultura Viva. Na Teia das Ações eles pretendem, ainda, apresentar e discutir a produção dos Pontos de Cultura relacionada às ações do programa. Pretendem, também, elaborar estratégias e propostas para garantir a continuidade do Cultura Viva.

Houve algumas mudanças nos espaços onde acontecem esses encontros. Confira aqui a localização de cada uma das atividades da Teia das Ações – Conceitos e Práxis:

  • Cultura Digital- Mezanino do Restaurante Amici’s
  • Mídia Livre- Salão do Amici’s
  • Tuxaua- Tenda 1
  • Agente Cultura Viva- Tenda 2
  • Pontinhos de Cultura- Seminário
  • Indígenas- Tenda 3
  • Pontos de Memória- Seminário
  • Cultura e Saude – Sebrae (sala 2)
  • Interações Estéticas- Sesc Iracema (sala 20)
  • Ação Griô- Galeria do Tota
  • Escola Viva- Seminário
  • Economia Viva- Mini auditório
  • Pontões de Leitura- Auditório da Biblioteca Publica Gov. Menezes Pimentel
  • Pontos de Valor- Seminário da Prainha
sexta-feira, março 26th, 2010

Coroação da Rainha do Maracatu abre Teia 2010

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Filmagem: Maximiliano Leguiza (cc|teia2010)

sexta-feira, março 26th, 2010

Célio Turino anuncia saída do MinC

Célio Turino, Secretário da Cidadania Cultural do MinC, anuncia sua saída do cargo logo mais na Abertura oficial da TEIA 2010 no Ceará. O secretário, conhecido por “criar” o Programa Pontos de Cultura se despede no evento que reúne quase 5000 representantes de Pontos de Cultura no Brasil e discute sua implantação na América Latina. Hoje estiveram reunidos representantes de vários países como Peru, Argentina e Colômbia, no Teatro do Centro Dragão do Mar discutindo os princípios de implantação do Programa Cultura Viva, que se tornou referência internacional.

Célio assegura que continuará seu trabalho com os Pontos de Cultura, auxiliando na criação da Lei Cultura Viva. “Os Pontos de Cultura já são uma realidade no Brasil inteiro, não há mais como recuar!” – disse ele.

O Encontro Nacional de Pontos de Cultura prossegue até dia 31 em Fortaleza  e promete mobilizar pessoas e idéias em prol da cultura brasileira.

Matéria: Carine Araújo