cultura

quarta-feira, março 31st, 2010

Pontos de Cultura conquistam vaga no Conselho Nacional de Política Cultural

No momento de fechamento da Teia 2010: Tambores Digitais, a grande notícia foi a confirmação, vinda de Brasília, de que a partir de agora os Pontos de Cultura terão um representante junto ao Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), órgão colegiado do Ministério da Cultura que visa propor a formulação de políticas públicas para o desenvolvimento e o fomento das atividades culturais no pais.

Agora, uma lista com três nomes deve ser enviada ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que aprovará uma das opções e, assim, definir o representante da Comissão Nacional junto ao CNPC.

Os três nomes indicados para compor a lista foram aceitos por consenso, e, agora, cabe ao Ministério escolher entre Chico Simões (Ponto de Cultura Invenção Brasileira – DF), Mário Brasil (Ponto de Cultura Naus – AC) e Norma Paula Moreira (Ponto de Cultura Roteiro de Luz – Instituto Cidade – CE).

Além da vaga no CNPC, os pontos terão representantes, também, na Comissão do Programa Cultura Viva. “Na verdade conquistamos, ao todo, 4 cadeiras: 3 no Cultura Viva – indicaremos três nomes e eles serão automaticamente aprovados -, e essa no Conselho ”, concluiu Gel Brito, do Centro do Teatro do Oprimido (Ponto de Cultura – RJ), membro da Comissão Executiva que organizou a Teia em Fortaleza

Representantes de Pontos de Cultura garantem presença na Teia 2010. Fotos: Maximiliano Leguiza

Segundo ele, o anúncio dessas novidades é uma prova indiscutível do reconhecimento, por parte do governo, da importância dos Pontos de Cultura no contexto social brasileiro: “São poucas as entidades e movimentos que têm assento nesse Conselho, que define políticas pública para o Brasil. Isso significa que os Pontos de Cultura estão assumindo espaços cada vez maiores nessa discussão”. Gel Brito comemorou a notícia e destacou que essas conquistam reforçam o movimento.

O encerramento das atividades da Teia aconteceu na manhã de quarta-feira (31), no Sebrae, quando chegou ao fim a atual gestão da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e houve a apresentação dos novos 52 integrantes (27 representantes dos estados e 25 representantes de grupos de trabalhos, GTs). Por meio de votação, foi decidido que, dentro de 90 dias (em julho, portanto), será realizada a primeira reunião presencial da nova Comissão. Mas as conversas iniciais devem acontecer o mais breve possível, por meio da internet.

Representantes de Pontos de Cultura garantem presença na Teia 2010. Fotos: Maximiliano Leguiza

GT – Matriz Africana


Vídeo: Maximiliano Leguiza

AVALIAÇÃO

Norma Paula Moreira, Coordenadora Geral da Teia 2010, destacou a participação dos representantes de Pontos em todos os eventos programados, desde as apresentações da Mostra Artística até a Plenária Final, quando foram apresentadas as propostas dos fóruns estaduais e dos GTs.

Para ela, o evento foi bem sucedido e isso fica muito claro se observada a variedade e força das propostas apresentadas, tanto federais quanto estaduais, todas no sentido de engrandecer o Programa Cultura Viva em todos o território brasileiro. “Resta agora que os governos acatem essas decisões e, daí, vem a importância dessas comissões que alguns estados criaram – como é o caso do Ceará – que vão trabalhar muito para que essas propostas e deliberações não fiquem no papel”, explicou.

Outro detalhe apontado pela Coordenadora Geral do evento foi a composição dessa nova Comissão Nacional, que tem muitas pessoas novas. “E essa mistura do novo com a experiência de quem já participava do processo cria a perspectiva de se dar uma grande alavancada nos trabalhos”, conta.

Os números finais da Teia devem estar disponíveis em aproximadamente um mês, mas Norma adiantou que o evento contou com a participação de aproximadamente 5 mil pessoas, além do apoio de grande parte da população de Fortaleza. “A cidade atendeu o chamado, sentiu-se dona da Teia e contemplada em todas as atividades. Cheguei a ouvir ‘Que legal que os pontos de Cultura fizeram isso para a gente’”, comemorou. E a despeito de todos os problemas que possam ter acontecido, ela acredita que essa Teia foi a mais aconchegante de todas as que já aconteceram.

Por Luciane Zuê (Pontão de Cultura Digital Ganesha) – Cobertura Compartilhada

terça-feira, março 30th, 2010

GT discute importancia do Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais, os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Sendo eles: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma Ação Audiovisual Cultura Viva.

“É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam”, explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Santa Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, disse que esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e na TV Brasil, mas não só nela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?”, disse.

Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porque se você passa um ano formando o jovem e depois não o aproveita, não adianta”. Para ela, os valores de financimento do audiovisual no Brasil são um nó, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual diz respeito ao mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado”, declarou. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

 


Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)


Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)


Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)


Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva


Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio


Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)


Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

Vejam as fotos do GT:

Paulo Roberto explica o Laboratório Cultura Viva

Plenária vota as propostas

Davy Alexandrinsky e Luísa Falcão

Jader Costa: Milhares são resgatados pelo audiovisual

Carine Araújo e o projeto Do Ponto ao Mundo

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

terça-feira, março 30th, 2010

Entrevista com Juca Ferreira

jucaOuça entrevista com o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, realizada pelo Ponto de cultura Produtora de Áudio Popular, que participa da cobertura colaborativa da Teia Brasil 2010.

Clique aqui para ouvir

Por: Anderson Moreira (Produtora de Áudio Popular)

terça-feira, março 30th, 2010

Entrevista com Célio Turino

celio-turino

Ouça entrevista com o secretário de Cidadania Cultural do MinC, Célio Turino, que se despede do cargo após seis anos à frente do Programa Cultura Viva.  Clique aqui para ouvir.

Por Anderson Moreira (Produtora de Áudio Popular)

segunda-feira, março 29th, 2010

Cortejo Ebulição dos Libertos atrai cerca de dois mil brincantes

Brincantes celebram cultura no Cortejo. Foto: Leandro Cunha

Brincantes celebram cultura nacional no Cortejo. Foto: Leandro Cunha (comunicação colaborativa)

O Cortejo da Cidadania “Ebulição dos Libertos” foi um dos destaques da programação da Teia 2010 no domingo (28), que esta chegando à reta final. O cortejo foi caracterizado como uma celebração da Teia, mais especificamente da Mostra Artística, que integrou a programação do evento.

No Cortejo, Pontos de Cultura do Ceará e do Pará fizeram uma alusão ao líder abolicionista jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar. Mas não foram só os “ponteiros” que participaram da celebração. De acordo com a Policia Militar, cerca de duas mil pessoas, entre dezenas de turistas e cearenses de vários municípios do estado, brincaram e dançaram ao som do Maracatu e assistiram às intervenções teatrais.

Foi o caso de Darlene Kopisnk, gestora do Pontão Vivenciando Culturas, do Paraná. Darlene estava entusiasmada: “Esse cortejo é um retrato do nosso país. Significa união, integração, protagonismo. Não há melhor forma de vivenciar a Teia, e tudo aquilo que ela significa para a Cultura do nosso país”, comenta a gestora que trabalha com jovens de periferia, usando a música como ferramenta de reintegração social.

Participaram da celebração os Multiplicadores da Música e Boi Juventude, ambos são Ponto de Cultura de Fortaleza  (CE), e a inusitada Caravana Carbono Neutro de Belém (PA). O cortejo político-cultural encerrou-se com chuva, no Aterrinho da Praia Iracema, refrescando os brincantes – o que não diminuiu em nada a animação.

Por Fernanda Quevedo (comunicação compartilhada)

segunda-feira, março 29th, 2010

Direito autoral é tema de seminário

Por: Ana Facundes

Seminário discute anteprojeto para revisão da lei autoral brasileira

Seminário discute anteprojeto para revisão da lei autoral brasileira. Foto: Paulo Indio e Guilherme Marin (iVoz)

No Seminário Tambores Digitais, realizado na Teia 2010, foi apresentado o anteprojeto para revisão da lei autoral brasileira, uma das mais rígidas do mundo. O texto preparado pelo Ministério da Cultura (MinC) está agora na Casa Civil e, antes de ser enviado ao Congresso Nacional, passará por consulta pública na Internet a partir de abril.

Segundo o coordenador-geral de Direitos Autorais do Ministério da Cultura (MinC), Marcos Alves de Souza, a lei é tão dura, que vira motivo de piada: “cuidado para não assobiar em dó-ré-mi ou terá que pagar direitos ao ECAD”. Um dos objetivos da revisão é justamente permitir vários usos sem necessidade de pagamento ou permissão, pois a lei atual impede o acesso das pessoas a bens culturais, o que pode ser considerado inconstitucional, do ponto de vista do direito à cultura e da liberdade de expressão.

O ECAD, que hoje detém por lei o monopólio da arrecadação e da distribuição de direitos autorais no Brasil, mas não sofre qualquer fiscalização ou controle do Estado, é uma entidade privada e já foi objeto de CPIs em São Paulo, Brasília e Mato Grosso. A última, em 2009, na Assembleia Legislativa de SP, aponta em seu relatório a necessidade de extinção desse monopólio e de uma nova lei, pois “Uma legislação bem fundada, que motive o músico a prosseguir criando e sobrevivendo com dignidade, servirá de fulcro ao desenvolvimento da arte, em particular, da cultura, e do desenvolvimento, como um todo.”

Nesse cenário cheio de distorções, a lei que deveria proteger o autor, na verdade protege os atravessadores (a gravadora, a editora, etc.), que apelam à criminalização dos consumidores que não pagam direitos, supostamente por defenderem os direitos dos autores. Um dos argumentos correntes contra a revisão da lei é o de que o artista não terá motivação para continuar criando. Na opinião de Souza, não se pode considerar que o artista abandonará sua arte por causa de uma lei, que deve servir para que ele exerça o direito de viver de seu trabalho, mas sem impedir o acesso a sua obra. Isso equilibraria a relação entre autor e atravessador, garantindo que a cobrança não seja abusiva e que os créditos de fato cheguem ao autor.

A consulta pública promovida a partir de abril pela Internet usará a mesma plataforma da consulta do Marco Civil de Uso de Internet: “tudo será clicável e comentável e todos verão os comentários, garantindo uma forma democrática de consulta”. Souza convocou o público do seminário a participar e divulgar a consulta, como forma de garantir a aprovação dos dispositivos que ampliam os direitos do cidadão e defendem os direitos dos autores, porque certamente as partes afetadas pela quebra do monopólio e da concentração estarão organizadas nesse embate.

domingo, março 28th, 2010

EmTempoReal

Os associados da Rede Ivoz  que estão participando da Teia 2010- Tambores Digitais criaram um álbum no flickr EmTempoReal com a finalidade de cobrir as ações da Teia 2010 e postar conteúdos à medida em que as intervenções ocorrem.  Acessem:  http://www.flickr.com/photos/teia2010/sets/72157623590661487/

Acompanhe os comentários das fotos e intervenções pelo twitter http://twitter.com/ivoz

domingo, março 28th, 2010

Show do Mombojó agita público na 3ª noite da Teia 2010

Eram diversas manifestações espalhadas por todos os cantos, característica da Teia 2010: é preciso criar espaço para que todos possam aparecer. As mais diversas linguagens se encontravam no Dragão do Mar.Além do lançamento do livro do Célio Turino e do Bené Fonteles o teatro se fez presente com “As Madalenas” do Centro de Teatro do Oprimido, o grupo de Teatro Parresia (CE), o Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e outras Histórias e a Cia As Bárbaras de Multeatro. As apresentações atraíam os passantes e fixavam os olhos dos admiradores dessa arte.

Mas o destaque da noite esteve mesmo para a música, começando com a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene (SP) e a Oquestra Armorial do Cariri (CE), os Tambores do Tocantins (TO) e os Tambores da Floresta (MA)  deram show. A primeira executando o Hino Nacional com seus harmoniosos berimbaus, a segunda trazendo meninos tirando sons primorosos da rabeca, a terceira com crianças e jovens de 8 a 20 anos tocando músicas folclóricas da região norte com instrumentos percussivos e a última trazendo o tambor de crioula, música e dança típicas do Maranhão.

Como se não bastasse tanta diversidade musical eis que surge o Maracatu Leão Coroado (PE) trazendo todo o colorido da manifestação que é a própria expressão do estado pernambucano. Acompanhado deles o RAPentista Rapadura, que mistura em sua musicalidade o rap e o repente, duas manifestações distintas aparentemente, mas que tem em comum o improviso (Assista aqui). Logo após foi a vez do Linha Dura (MT) com seu rap e hip hop (Veja aqui). Em outro palco o também matogrossense grupo Cururu e Siriri, trazia a simpatia de seu Nízio em representar o folclore da região Centro-Oeste.

mombojó1-tatiana dinizMas foi a partir da meia noite que os palcos esquentaram mesmo. No Palco Economia Solidária, o Circo, quem embalava os ritmos era a Escola de Samba Unidos de Vila Maria que trouxe passistas, mestre-sala e porta-bandeira para dançar no meio do povo que lotou o espaço. No Palco Verde foi a vez dos meninos do Mombojó agregarem o público. O grupo subiu ao palco às 2 da manhã cantando Duas Cores, música do seu primeiro cd. A platéia cantou junto. Depois ele enveredou pelo segundo cd, que traz baladas a la Los Hermanos – “O primeiro disco foi independente então tinha mais a cara da banda, era mais experimental, no segundo a gravadora já interviu, você percebe a diferença” – analisou um fã. E a mudança foi perceptível. No meio das baladas ele chamou seu parceiro China. com quem gravou em 2008 um álbum virtual e com quem divide algumas composições, para cantar com eles duas músicas que traziam uma pegada de hip hop.

Felipe e China

Nesse momento um rapaz da pláteia sobe ao palco e apresenta sua coreografia da música deles. O “dançarino” foi acalamdo e continuou no palco para dançar a música seguinte. Felipe, vocalista do Mombojó, voltou ao palco agradecendo aos fãs que acompanham o grupo, que semana que vem fará nove anos de carreira e está lançando seu 3º Cd, “Amigo do Tempo”. Começou então a cantar as músicas de sucesso do primeiro Cd e a multidão que se aglomerava embaixo da lona por conta da chuva cantava e dançava com empolgação, até invadirem o praticável. Ele terminou o show com a música “Deixe-se acreditar” ao som dos fãs que repetiam o refrão: ” Tudo pode ser, Nada vai acontecer, não tema. Esse é o reino da alegria”.

Você pode baixar os Cds do Mombojó aqui.

Texto: Simão Augusto/Tabuleiro Produções

Fotos: Tatiana Diniz

Vídeos: Maximiliano Leguiza

sábado, março 27th, 2010

Pontos de Cultura visitam banco comunitário de Fortaleza

Hoje pela manhã fomos, com alguns representantes de Pontos de Cultura, até o Conjunto Palmeira. Conhecemos o primeiro banco comunitário do Brasil, Banco Palmas, que não teve criador.

Na época eram cinco pessoas que estavam à frente da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira. Foram estas pessoas que sistematizaram a criação do banco. O Conjunto Palmeira era uma grande favela. Durante 25 anos, a Associação de Moradores organizou multirões comunitários e urbanizou o bairro. Construiu um canal de drenagem, redes de esgoto, pavimentou as ruas, construiu praças, creches comunitárias e outros serviços.

Conjunto Palmeira - Banco Palmas by TeiaBrasil2010Conjunto Palmeira - Banco Palmas by TeiaBrasil2010

Conjunto Palmeira - Banco Palmas by TeiaBrasil2010Conjunto Palmeira - Banco Palmas by TeiaBrasil2010

Fotos: Maximiliano Leguiza

O Banco Palmas foi inaugurado no dia 20 de janeiro de 1998, na sede da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira. No inicio houve muita incompreensão, o banco chegou a ser processado pelo Banco Central. Hoje o BC já se coloca como parceiro dos bancos comunitários e apoia as moedas sociais.

Em 18 de novembro de 2009 foi assinado um termo de parceria entre o BC e o Ministério do Trabalho (SENAES) para criar um marco regulatório para o seguimento dos bancos comunitários e das moedas sociais.

Como funciona a moeda social Palmas?
A moeda é indexada ao real (1 palma vale 1 real) e lastreada na moeda nacional. Ou seja, a quantidade de Palmas que temos circulando corresponde a uma quantidade em de reais que temos “guardado”. 240 empreendimentos (produção, comércios e serviços) do bairro aceitam a moeda e dão descontos de 5% a 10% para quem compra com a moeda local.

Os emprendimentos cadastrados podem fazer câmbio (a troca de palmas por reais), na sede do Banco Palmas, caso necessitem de moeda nacional para reabastecerem seus estoques.

Veja o vídeo da visita dos Pontos de Cultura ao Banco Palmas.

Por Valentino Kmentt e Maximiliano Leguiza (cobertura colaborativa)

sábado, março 27th, 2010

Atividades e participações especiais na Abertura da Teia 2010

Griôs fazem festa no palco da abertura da Teia Brasil

Griôs fazem festa no palco da abertura da Teia Brasil

Foi realizada nesta sexta-feira (26), a abertura oficial da Teia Brasil 2010. O evento reúne mais de 2,5 mil representantes de Pontos de Cultura em Fortaleza-CE.

 A celebração teve início com o cortejo dos Griôs, que circularam o espaço do Dragão do Mar e alegraram os participantes da Teia. Com bastante ginga e alegria, eles entoaram entre os diversos cantos, alguns de incentivo a Lei Griô. A festa se prolongou até a chegada na Praça Verde, onde o grupo se dispersou.

Griô anima os espectadores na Praça Verde

Griô anima os espectadores na Praça Verde

Após a festa Griô, foram chamados diversos convidados ao palco montado na Praça Verde. Entre eles o ministro da cultura, Juca Ferreira e o secretário de cidadania cultural, Célio Turino.

O secretário disse que a implantação do Programa Cultura Viva transformou a cultura no país. Ele falou sobre como encontrou a cultura no país. “Não tínhamos estrutura e a cultura era voltada a Rio e São Paulo. Mesmo nesses Estados, nem todos eram atendidos. Realizar esse evento aqui em Fortaleza não foi fácil, mas com o trabalho de todos juntos, conseguimos chegar aonde normalmente não se chega. Isso é muito prazeroso”, disse Célio.

Célio Turino agradece a participação de todos na Teia

Célio Turino agradece a participação de todos na Teia

A data que marca a abolição da escravatura no Ceará também foi lembrada por Célio Turino. Ele falou que o país ainda sofre com desigualdade e indiferença, mas que o Estado teve uma importante participação no abolicionismo brasileiro por ter sido o primeiro a acabar com o comércio negreiro. “Um jangadeiro abriu os braços e disse: não vou transportar escravos”, afirmou o secretário. Saiba mais da história aqui.

Já o ministro da cultura, Juca Ferreira, falou sobre a importância da Teia para a afirmação do respeito à cultura brasileira. “Temos de construir um Brasil de iguais que inclua todos os brasileiros. Hoje temos quase 4 mil Pontos de Cultura no país e isso fortalece o nosso trabalho”, disse Juca Ferreira.

Juca Ferreira encerrou a abertura do evento em Fortaleza

Juca Ferreira encerrou a abertura do evento em Fortaleza

O ministro encerrou o discurso lembrando a importância da parceria com outros ministérios para construir outro conceito de segurança no país. “Não há cultura sem uma boa educação”, concluiu o ministro.

Fotos: (Crédito: Italo Rios)