Fortaleza

terça-feira, abril 6th, 2010

Cordel sobre o Banco Palmas em Fortaleza (CE)

Cédulas de palmas - Foto: comunicação colaborativa.

O Conjunto Palmeiras é um promissor complexo de residências populares na zona sul periférica de Fortaleza, cidade do Sol, capital do Ceará.

Nele, uma experiência modelo para o mundo da “socioeconomia” solidária, aqui em literatura de cordel. Informações detalhadas sobre essa iniciativa, navegue pelo Portal do Banco Palmas.

Esse conjunto é mesmo arretado,
residem 30.000 pessoas,
humildes, guerreiros sonhadores
para nada ficam à toa.
Foi por lá que começou
um processo que vou contar
a criação do Banco Palmas
uma ação solidária pra ficar.

Alguns já ouviram falar
de uma economia jovem
que é capaz de gerar,
renda para a comunidade
sem o dinheiro centralizar.

O nome é fácil decorar
são valores que gosto
e procuro aclamar,
são repletos de significado
Economia Solidária
uma teia a prosperar.

Foi pioneira a iniciativa
principalmente no País
que surgiu assim com encanto
o primeiro banco comunitário no Brasil.

No ano de 1998
já comemorou-se 12 anos
que surgiu o Bancos Palmas
e seus créditos sem juros
transparente nas finanças,
sem criar desconfiança
gerando renda em louvor
ao trabalho da esperança.

Apenas 10 clientes,
e nada mais que R$ 2.000,
que uma estória começou,
a revolucionar o Brasil.
É beleza de se ver,
o que acontece aqui,
a moeda que  circula,
vai e volta e fica ali.

O nome dela é Palmas
inspirada na comunidade
que como tem que ser,
reforça sua identidade.

Não é igual a um banco,
pois tem fortes diferenças
de valores e conceitos,
pois no Palmas se buscou
com muito respeito
fugindo do preconceito
a busca por um consenso.

Dos empréstimos vou falar.
é sem juros o micro-crédito
com confiança no ator local,
destoa  dos grandes bancos,
que deixam o povo mal
sem ter como pagar
o dinheiro emprestado
e o juros que foi roubado.

Tem loja pra vender,
os produtos locais
são esses os atores
sociais e culturais
feitos pelos empreendimentos
que o banco vem incubar.

Tem roupas
mel e sabão,
tudo que é gerado
é de base comunitária
assim é que dá gosto,
da compra benfeitorada.

Pra participar é fácil entrar
mas na comunidade
tem que morar.
Sem delongas
ou fichas de azar
basta ser sincero,
e no banco se cadastrar.

Esse banco é bom lembrar,
se quiser pode estudar
quem sabe um dia nós
por que não sonhar,
vamos ter os nossos bancos
pra  comunidade administrar.

Por Thomas Enlazador

Leia também Pontos de Cultura visitam banco comunitário de Fortaleza

terça-feira, março 30th, 2010

GT discute importancia do Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais, os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Sendo eles: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma Ação Audiovisual Cultura Viva.

“É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam”, explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Santa Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, disse que esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e na TV Brasil, mas não só nela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?”, disse.

Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porque se você passa um ano formando o jovem e depois não o aproveita, não adianta”. Para ela, os valores de financimento do audiovisual no Brasil são um nó, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual diz respeito ao mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado”, declarou. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

 


Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)


Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)


Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)


Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva


Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio


Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)


Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

Vejam as fotos do GT:

Paulo Roberto explica o Laboratório Cultura Viva

Plenária vota as propostas

Davy Alexandrinsky e Luísa Falcão

Jader Costa: Milhares são resgatados pelo audiovisual

Carine Araújo e o projeto Do Ponto ao Mundo

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

segunda-feira, março 29th, 2010

Mostra Artística chega ao fim com muita festa

O Aterrinho da Praia de Iracema ficou colorido. Multicolorido. O Cortejo da Cidadania “Ebulição dos Libertos”, que marcou o encerramento da Mostra Artística e das Ações Cultura Viva na programação da Teia 2010: Tambores Digitais, trouxe às ruas de Fortaleza a diversidade brasileira manifesta nas fantasias, nos cânticos, nos batuques, nos rostos das pessoas.

Foi um encontro de gerações, de etnias, de sotaques, de olhares. “Dá pra ver que são diferentes, mas existe um elo que os conectam e eu acho que esse elo é o amor pela sua cultura”, declarou a cearense Virgínia Rodrigues, que assistia à passagem do cortejo pelas ruas.

De volta ao Dragão do Mar, o palco já estava armado para receber as últimas atrações do evento, que continua até quarta-feira com a realização do III Fórum Nacional dos Pontos de Cultura (FNPC), agregando delegados representantes de cada Ponto de Cultura do Brasil.

Os shows tiveram início com a apresentação de Pingo de Fortaleza e Calé Alencar, dois grandes representantes da cultura de Fortaleza e defensores do maracatu cearense. Parceiros de longa data eles mostraram entrosamento no palco.

Depois foi a vez do Coletivo Rádio Cipó (PA) e sua música eletrônica. Com a música “Emoriô” o grupo Kilombando (MG) iniciou sua apresentação, que trouxe ainda  músicas como  “Mundo Negro”, louvando a afirmação da identidade afro-brasileira.

Chico César encerrou a última noite da Mostra Artística da Teia 2010/Foto: Italo Rios

Chico César encerrou a última noite da Mostra Artística da Teia 2010 Foto: Italo Rios

E por falar em afirmação, foi com esse espírito que Chico César subiu ao palco às 23h30. Trazendo as músicas tradicionais da região nordeste como xotes, forrós, frevos e afoxés, ele levantou o público que lotava a Beira-Mar. Cantando seus principais hits como “Mama África” e “Respeitem meus cabelos, brancos” sempre entremeados de outra músicas em arranjos que já fazem parte de sua forma de cantar, ele reforçou a idéia da identidade negra.

E os rastafaris e black powers responderam balançando os cabelos e cantando bem alto. O momento romântico veio com a música “É só pensar em você” e em toda praia se viam beijos apaixonados e casais dançando abraçadinhos. Mas logo a dança voltou a ser “anarriê/alavantu” e o forró dominou a cena até o fim da apresentação. Ao cantar uma música de parceria com Dominguinhos, “Deus me proteja”, ele disse:

“E por falar em Mestre (Dominguinhos), gostaria de saudar os mestres griôs aqui presentes e pedir a todos que assinem e lutem pela aprovação da Lei Griô no Congresso para garantir que os saberes, que a oralidade, que as tradições não morram.”

Chico César, que é o atual presidente da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), na Paraíba, sua terra natal, concilia a agenda artística com suas atividades à frente da gestão pública e revela que esteve na II Conferência Nacional de Cultura, acontecida este mês em Brasília, para lutar pelas demandas percebidas junto ao povo, aos trabalhadores da cultura. Entre elas está também a criação da Lei Cultura Viva.

Chico César encerrou sua participação  apresentando sua banda – um show à parte – com a música “Pedra de Responsa” que louva São Luís do Maranhão.

D. Zefinha
D. Zefinha foi a vez da música alegórica do grupo Dona Zefinha. Com uma performance marcante os músicos se desdobravam no palco numa apresentação que era música, mas era mais: era também teatro, dança, comédia, poesia, improviso, talvez pela influência do Orlângelo Leal, vocalista, que é ator e diretor teatral. “É uma alegria muito grande tocar na minha terra, num evento como a Teia e no mesmo palco que Chico César, que a gente admira demais.” – disse ele, que já esteve em outros palcos importantes em todo o Brasil e fora dele. O grupo, em que todos são arte-educadores e atores, trabalha o segundo CD, intitulado “Zefinha vai à Feira”. (Conheça mais sobre o grupo aqui.)

No final da festa, o reggae baiano da banda Trilheirus. Os meninos de Andaraí, na Chapada Diamantina, colocaram o público pra dançar até o dia amanhecer.

Por Carine Araújo/Tabuleiro Produções

domingo, março 28th, 2010

Intervenções da Rádio Rebuliço na Teia 2010

Cantoria, pífano e berimbau realizam intervenção na Rádio Rebuliço

Cantoria, pífano e berimbau realizam intervenção na Rádio Rebuliço

Desde a sexta-feira, 27, o almoço dos participantes da Teia 2010- Tambores Digitais ganhou descontração e reconhecimento. Foi a Rádio Rebuliço que deu o tom e o espaço para que os mais variados estilos se encontrassem.

Enquanto o almoço acontecia no Centro de Eventos do Sebrae, a rádio Rebuliço mostrava seu trabalho, sob o comando da Rádio Amnésia, de Olinda (PE) e da ONG Catavento Comunicação e Educação, de Fortaleza (CE).

Os participantes interagiram tocando e cantando coco, jongo, rap, moda de viola, carimbó e ainda dançando rap. No dia 28, a rádio contou com a participação das Fiandeiras de Anápolis (GO), cantando uma modinha, com o pífano do Mestre Expedito de Juazeiro do Norte (CE), a cantoria do Mestre Tico, também de Juazeiro, e com o pessoal da Capoeira de Tocantins e do Rio de Janeiro.

Além das intervenções da rádio Rebuliço no almoço, com a Radioescola Itinerante da ONG Catavento (um carrinho de som semelhante a um carrinho de picolé, integrado a um computador), ela também pode ser ouvida aqui pelo site ou pela FM 98,3 de Fortaleza.

Participantes se aglomeram em torno da rádio, no Centro de Eventos do Sebrae

Participantes se aglomeram em torno da rádio, no Centro de Eventos do Sebrae

A rádio Rebuliço surgiu durante a Teia 2010 a partir de uma ideia da equipe de cobertura colaborativa. O objetivo da rádio é envolver os diferentes estilos musicais dos pontos, trazer mais informações sobre a programação da Teia e deixar que os participantes soltem o verbo sobre tudo o que está acontecendo e sobre as atividades que realizam em seu lugar de origem.

Continue acompanhando a programação da Rádio Rebuliço!

Por Amanda Nogueira, Milena Ribeiro e Rones Maciel, (ONG Catavento Comunicação e Educação)

domingo, março 28th, 2010

Show do Mombojó agita público na 3ª noite da Teia 2010

Eram diversas manifestações espalhadas por todos os cantos, característica da Teia 2010: é preciso criar espaço para que todos possam aparecer. As mais diversas linguagens se encontravam no Dragão do Mar.Além do lançamento do livro do Célio Turino e do Bené Fonteles o teatro se fez presente com “As Madalenas” do Centro de Teatro do Oprimido, o grupo de Teatro Parresia (CE), o Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e outras Histórias e a Cia As Bárbaras de Multeatro. As apresentações atraíam os passantes e fixavam os olhos dos admiradores dessa arte.

Mas o destaque da noite esteve mesmo para a música, começando com a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene (SP) e a Oquestra Armorial do Cariri (CE), os Tambores do Tocantins (TO) e os Tambores da Floresta (MA)  deram show. A primeira executando o Hino Nacional com seus harmoniosos berimbaus, a segunda trazendo meninos tirando sons primorosos da rabeca, a terceira com crianças e jovens de 8 a 20 anos tocando músicas folclóricas da região norte com instrumentos percussivos e a última trazendo o tambor de crioula, música e dança típicas do Maranhão.

Como se não bastasse tanta diversidade musical eis que surge o Maracatu Leão Coroado (PE) trazendo todo o colorido da manifestação que é a própria expressão do estado pernambucano. Acompanhado deles o RAPentista Rapadura, que mistura em sua musicalidade o rap e o repente, duas manifestações distintas aparentemente, mas que tem em comum o improviso (Assista aqui). Logo após foi a vez do Linha Dura (MT) com seu rap e hip hop (Veja aqui). Em outro palco o também matogrossense grupo Cururu e Siriri, trazia a simpatia de seu Nízio em representar o folclore da região Centro-Oeste.

mombojó1-tatiana dinizMas foi a partir da meia noite que os palcos esquentaram mesmo. No Palco Economia Solidária, o Circo, quem embalava os ritmos era a Escola de Samba Unidos de Vila Maria que trouxe passistas, mestre-sala e porta-bandeira para dançar no meio do povo que lotou o espaço. No Palco Verde foi a vez dos meninos do Mombojó agregarem o público. O grupo subiu ao palco às 2 da manhã cantando Duas Cores, música do seu primeiro cd. A platéia cantou junto. Depois ele enveredou pelo segundo cd, que traz baladas a la Los Hermanos – “O primeiro disco foi independente então tinha mais a cara da banda, era mais experimental, no segundo a gravadora já interviu, você percebe a diferença” – analisou um fã. E a mudança foi perceptível. No meio das baladas ele chamou seu parceiro China. com quem gravou em 2008 um álbum virtual e com quem divide algumas composições, para cantar com eles duas músicas que traziam uma pegada de hip hop.

Felipe e China

Nesse momento um rapaz da pláteia sobe ao palco e apresenta sua coreografia da música deles. O “dançarino” foi acalamdo e continuou no palco para dançar a música seguinte. Felipe, vocalista do Mombojó, voltou ao palco agradecendo aos fãs que acompanham o grupo, que semana que vem fará nove anos de carreira e está lançando seu 3º Cd, “Amigo do Tempo”. Começou então a cantar as músicas de sucesso do primeiro Cd e a multidão que se aglomerava embaixo da lona por conta da chuva cantava e dançava com empolgação, até invadirem o praticável. Ele terminou o show com a música “Deixe-se acreditar” ao som dos fãs que repetiam o refrão: ” Tudo pode ser, Nada vai acontecer, não tema. Esse é o reino da alegria”.

Você pode baixar os Cds do Mombojó aqui.

Texto: Simão Augusto/Tabuleiro Produções

Fotos: Tatiana Diniz

Vídeos: Maximiliano Leguiza

sábado, março 27th, 2010

Pontos de Cultura visitam banco comunitário de Fortaleza

Hoje pela manhã fomos, com alguns representantes de Pontos de Cultura, até o Conjunto Palmeira. Conhecemos o primeiro banco comunitário do Brasil, Banco Palmas, que não teve criador.

Na época eram cinco pessoas que estavam à frente da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira. Foram estas pessoas que sistematizaram a criação do banco. O Conjunto Palmeira era uma grande favela. Durante 25 anos, a Associação de Moradores organizou multirões comunitários e urbanizou o bairro. Construiu um canal de drenagem, redes de esgoto, pavimentou as ruas, construiu praças, creches comunitárias e outros serviços.

Conjunto Palmeira - Banco Palmas by TeiaBrasil2010Conjunto Palmeira - Banco Palmas by TeiaBrasil2010

Conjunto Palmeira - Banco Palmas by TeiaBrasil2010Conjunto Palmeira - Banco Palmas by TeiaBrasil2010

Fotos: Maximiliano Leguiza

O Banco Palmas foi inaugurado no dia 20 de janeiro de 1998, na sede da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira. No inicio houve muita incompreensão, o banco chegou a ser processado pelo Banco Central. Hoje o BC já se coloca como parceiro dos bancos comunitários e apoia as moedas sociais.

Em 18 de novembro de 2009 foi assinado um termo de parceria entre o BC e o Ministério do Trabalho (SENAES) para criar um marco regulatório para o seguimento dos bancos comunitários e das moedas sociais.

Como funciona a moeda social Palmas?
A moeda é indexada ao real (1 palma vale 1 real) e lastreada na moeda nacional. Ou seja, a quantidade de Palmas que temos circulando corresponde a uma quantidade em de reais que temos “guardado”. 240 empreendimentos (produção, comércios e serviços) do bairro aceitam a moeda e dão descontos de 5% a 10% para quem compra com a moeda local.

Os emprendimentos cadastrados podem fazer câmbio (a troca de palmas por reais), na sede do Banco Palmas, caso necessitem de moeda nacional para reabastecerem seus estoques.

Veja o vídeo da visita dos Pontos de Cultura ao Banco Palmas.

Por Valentino Kmentt e Maximiliano Leguiza (cobertura colaborativa)

sábado, março 27th, 2010

Hip Hop tem edital anunciado e premia 135 iniciativas

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Começam dia 6 de abril as inscrições para o Prêmio Cultura Hip Hop, edição Preto Ghóez, lançado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Ação Educativa e o Instituto Empreender.

O edital, o primeiro a contemplar exclusivamente a Cultura Hip Hop, foi anunciado durante a II Conferência Nacional de Cultura.

Os organizadores aproveitam a Teia 2010, Encontro Nacional de Pontos de Cultura que acontece até dia 31 deste mês, para realizar oficinas com os interessados em concorrer a 1,7 milhão em prêmios, ontemplando 135 iniciativas, divididos em 5 categorias.

O prêmio leva o nome do rapper maranhense – morto aos 33 anos de acidente automobilístico em Santa Catarina, em setembro de 2004. Preto Ghóez era ativista cultural e social e, depois de ter tido uma infância difícil e ter passado pela FEBEM, construiu um movimento a partir de sua música, o hip hop.

Vocalista do grupo Clã Nordetino, Ghoez era um dos líderes do Movimento Hip Hop Organizado do Brasil (MHHOB), uma das organizações nacionais do setor. Foi idealizador, em parceria com o MinC, do projeto Fome de Livro na Quebrada e participava de um grupo de trabalho a fim de desenvolver parcerias entre o governo e o Movimento Hip hop.

A Cultura Hip Hop, cujas primeiras manifestações, no Brasil, datam do início dos anos 1980, surgiu nos Estados Unidos da América e, atualmente, pode ser encontrada em todo o território brasileiro, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas.

Antes concentrado na Região Sudeste, o Hip Hop se espalhou rapidamente pelo país e também chegou ao interior do Brasil, marcando presença, por exemplo, em assentamentos e acampamentos rurais, aldeias indígenas e comunidades quilombolas. Com isso, absorveu a diversidade da cultura brasileira, criando uma identidade própria, com múltiplas variações, e tornando-se uma linguagem artística das mais representativas da nossa cultura.

As oficinas de formação para o edital acontecem até hoje (27), no Espaço Unibanco do Centro Cultural Dragão do Mar e integram as atividades da Teia 2010. Na programação, a leitura do edital, esclarecimento de dúvidas e até prática de preenchimento dos formulários. A idéia é facilitar o acesso a todos interessados.

As inscrições poderão ser feitas pela internet e qualquer dúvida pode ser esclarecida pelos e-mails premiohiphop2010@empreender.org e premiohiphop@acaoeducativa.org/. Participem!

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

sexta-feira, março 26th, 2010

Ação Griô mobiliza assinaturas na TEIA 2010

O primeiro dia de atividades da Ação Griô, dentro da Teia das Ações, aconteceu na Galeria TOTA, no SESC,  ao lado do Centro Cultural Dragão do Mar. Mas quem chegava no pátio já sentia o clima. Seu Gilberto Augusto da Silva, “mas ninguém me conhece assim bote aí Mestre Gil do Jongo”, do Ponto de Cultura Jongo de Piquete – um novo olhar, de São Paulo resumia o que se passava por ali:

“Eu comparo isso aqui com uma rede de pesca, se um nó estiver frouxo não vai pegar nada…A gente veio aqui para apertar os nós, para ficar tudo ajustado e a gente conseguir ‘pescar’ melhor na nossa comunidade.”

Pontistas experimentam o Jongo.Atrás grupo Jongo de Piquete e Mestre Gil

Demonstrando no pátio essa dança-música que nasceu em São Paulo, mas tem um pé indisfarçável na África, atraiu muitos pontistas para experimentar dançar. E é dessas experimentações que se faz a TEIA. “A diversidade é grande, mas se percebe um elo entre todos que é o canal de troca de saber, de experiência” – disse ele.

Griôs Macuxis e a possibilidade de ensinar sua língua

Entrando no SESC as manifestações são ainda mais emocionadas. A mestra Laudisa, xamã da etnia macuxi, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, falou em seu idioma cantado, sobre a importãncia da Lei Griô. A lei, colocada como uma das 35 prioridades na II Conferência Nacional de Cultura que aconteceu esse mês em Brasília, institucionaliza o Programa Ação Griô, que valoriza os mestres dos saberes, geralmente idosos detentores de conhecimentos específicos. A princípio a Ação, que nasceu da iniciativa do Ponto de Cultura Luz Griô da cidade baiana de Lençóis, abalizava pessoas ligadas aos saberes “clássicos” : indígenas, afro, sertanejos, ribeirinhos. Mas o projeto se ampliou e hoje existem até Griôs do Futebol, são os Griôs da Escola de Futebol América do Amanhã, do Rio de Janeiro. Achou estranho?

“Uma identidade não se constrói da noite pro dia. O Brasil não é o país do Futebol assim, do nada. Tem toda uma história por trás disso que é importante se conhecer e valorizar.” – Tá explicado.

Os povos Macuxis, de Roraima, ainda salientaram a importância do projeto para o ensino da língua macuxi, que só pode ser ampliado por conta dos recursos do projeto e da valorização que tiveram através dele.

Marcos Bragança, Mestre Griô de Teatro de Rua

Marcos Bragança, é ator e também é Griô. Ele coordena há 30 anos a ong, hoje Ponto de Cultura, Tá na Rua – do Rio de Janeiro. É um Mestre Griô de Teatro de Rua. E

Sala lotada para assinatura em prol da Lei Griô

mostra que tem muito a ensinar: “O palco é a rua e a dramaturgia é construída no local, não há nem 1% de mentira no Teatro de Rua”. Ele diz que houve um encontro entre o Movimento de Teatro de Rua e o Projeto Griô, que segundo ele reconfigura o olhar histórico-social onde as crianças e velhos já seriam respeitados sem necessidade de leis, por sua sabedoria intrínseca – e completa: “Um país que precisa de lei pra cuidar de suas crianças e seus idosos certamente está doente. Nós não somos a minoria.”

A Ação Griô espera recolher 1 milhão de assinaturas em prol da Lei Griô durante a TEIA 2010.

Texto: Carine Araújo

Fotos: Simao Augusto

sexta-feira, março 26th, 2010

Rainha do Maracatu no Twitpic

“Maculelê Obaluaê… Renasce Obaluaê” é o que todos cantam agora na praça verde… Twitpic da cobertura da abertura da Teia Brasil 2010 ontem à noite, na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

"Maculelê Obaluaê... Renasce Obaluaê" é o que todos canta... on Twitpic

Maracatu Solar com Pingo de Fortaleza e Calé Alencar começa... on Twitpic

Maracatu Solar com Pingo de Fortaleza e Calé Alencar.

sexta-feira, março 26th, 2010

Coroação da Rainha do Maracatu abre Teia 2010

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YouTube Direkt

Filmagem: Maximiliano Leguiza (cc|teia2010)