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terça-feira, março 30th, 2010

GT discute importancia do Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais, os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Sendo eles: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma Ação Audiovisual Cultura Viva.

“É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam”, explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Santa Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, disse que esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e na TV Brasil, mas não só nela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?”, disse.

Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porque se você passa um ano formando o jovem e depois não o aproveita, não adianta”. Para ela, os valores de financimento do audiovisual no Brasil são um nó, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual diz respeito ao mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado”, declarou. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

 


Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)


Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)


Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)


Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva


Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio


Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)


Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

Vejam as fotos do GT:

Paulo Roberto explica o Laboratório Cultura Viva

Plenária vota as propostas

Davy Alexandrinsky e Luísa Falcão

Jader Costa: Milhares são resgatados pelo audiovisual

Carine Araújo e o projeto Do Ponto ao Mundo

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

terça-feira, março 30th, 2010

Entrevista com Juca Ferreira

jucaOuça entrevista com o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, realizada pelo Ponto de cultura Produtora de Áudio Popular, que participa da cobertura colaborativa da Teia Brasil 2010.

Clique aqui para ouvir

Por: Anderson Moreira (Produtora de Áudio Popular)

segunda-feira, março 29th, 2010

Mostra Artística chega ao fim com muita festa

O Aterrinho da Praia de Iracema ficou colorido. Multicolorido. O Cortejo da Cidadania “Ebulição dos Libertos”, que marcou o encerramento da Mostra Artística e das Ações Cultura Viva na programação da Teia 2010: Tambores Digitais, trouxe às ruas de Fortaleza a diversidade brasileira manifesta nas fantasias, nos cânticos, nos batuques, nos rostos das pessoas.

Foi um encontro de gerações, de etnias, de sotaques, de olhares. “Dá pra ver que são diferentes, mas existe um elo que os conectam e eu acho que esse elo é o amor pela sua cultura”, declarou a cearense Virgínia Rodrigues, que assistia à passagem do cortejo pelas ruas.

De volta ao Dragão do Mar, o palco já estava armado para receber as últimas atrações do evento, que continua até quarta-feira com a realização do III Fórum Nacional dos Pontos de Cultura (FNPC), agregando delegados representantes de cada Ponto de Cultura do Brasil.

Os shows tiveram início com a apresentação de Pingo de Fortaleza e Calé Alencar, dois grandes representantes da cultura de Fortaleza e defensores do maracatu cearense. Parceiros de longa data eles mostraram entrosamento no palco.

Depois foi a vez do Coletivo Rádio Cipó (PA) e sua música eletrônica. Com a música “Emoriô” o grupo Kilombando (MG) iniciou sua apresentação, que trouxe ainda  músicas como  “Mundo Negro”, louvando a afirmação da identidade afro-brasileira.

Chico César encerrou a última noite da Mostra Artística da Teia 2010/Foto: Italo Rios

Chico César encerrou a última noite da Mostra Artística da Teia 2010 Foto: Italo Rios

E por falar em afirmação, foi com esse espírito que Chico César subiu ao palco às 23h30. Trazendo as músicas tradicionais da região nordeste como xotes, forrós, frevos e afoxés, ele levantou o público que lotava a Beira-Mar. Cantando seus principais hits como “Mama África” e “Respeitem meus cabelos, brancos” sempre entremeados de outra músicas em arranjos que já fazem parte de sua forma de cantar, ele reforçou a idéia da identidade negra.

E os rastafaris e black powers responderam balançando os cabelos e cantando bem alto. O momento romântico veio com a música “É só pensar em você” e em toda praia se viam beijos apaixonados e casais dançando abraçadinhos. Mas logo a dança voltou a ser “anarriê/alavantu” e o forró dominou a cena até o fim da apresentação. Ao cantar uma música de parceria com Dominguinhos, “Deus me proteja”, ele disse:

“E por falar em Mestre (Dominguinhos), gostaria de saudar os mestres griôs aqui presentes e pedir a todos que assinem e lutem pela aprovação da Lei Griô no Congresso para garantir que os saberes, que a oralidade, que as tradições não morram.”

Chico César, que é o atual presidente da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), na Paraíba, sua terra natal, concilia a agenda artística com suas atividades à frente da gestão pública e revela que esteve na II Conferência Nacional de Cultura, acontecida este mês em Brasília, para lutar pelas demandas percebidas junto ao povo, aos trabalhadores da cultura. Entre elas está também a criação da Lei Cultura Viva.

Chico César encerrou sua participação  apresentando sua banda – um show à parte – com a música “Pedra de Responsa” que louva São Luís do Maranhão.

D. Zefinha
D. Zefinha foi a vez da música alegórica do grupo Dona Zefinha. Com uma performance marcante os músicos se desdobravam no palco numa apresentação que era música, mas era mais: era também teatro, dança, comédia, poesia, improviso, talvez pela influência do Orlângelo Leal, vocalista, que é ator e diretor teatral. “É uma alegria muito grande tocar na minha terra, num evento como a Teia e no mesmo palco que Chico César, que a gente admira demais.” – disse ele, que já esteve em outros palcos importantes em todo o Brasil e fora dele. O grupo, em que todos são arte-educadores e atores, trabalha o segundo CD, intitulado “Zefinha vai à Feira”. (Conheça mais sobre o grupo aqui.)

No final da festa, o reggae baiano da banda Trilheirus. Os meninos de Andaraí, na Chapada Diamantina, colocaram o público pra dançar até o dia amanhecer.

Por Carine Araújo/Tabuleiro Produções

domingo, março 28th, 2010

Reunião do Conselho do Programa Cultura Viva

Um dos palcos da Teia 2010 / Foto: Wanessa Malta

Um dos palcos da Teia 2010 / Foto: Wanessa Malta

O Conselho Consultivo do Programa Cultura Viva realizou seu segundo encontro durante a programação da Teia 2010: tambores digitais, em Fortaleza (CE), com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, e do secretário de Cidadania Cultural do MinC (SCC/MinC), Célio Turino.

O ministro Juca Ferreira destacou em sua fala a riqueza da diversidade cultural brasileira e o crescente reconhecimento internacional do país. As ações do Programa Cultura Viva, em parceria com o Mais Cultura, segundo Ferreira, promovem inclusão social no processo de desenvolvimento que vive o Brasil, cumprindo uma das principais metas do Governo Federal.

O Conselho é formado por dirigentes do MinC, representantes dos Pontos de Cultura, de organismos internacionais, universidades além de outros atores importantes para o setor. Sua missão principal é compartilhar e debater as experiências de sucesso e dificuldades a serem superadas nos Pontos de Cultura e abrir espaço de diálogo entre o Estado e a sociedade civil.

Entre as novidades anunciadas, o secretário Célio Turino informou que deixa o cargo após o evento para tocar projetos pessoais. Será substituído pelo diretor de Acesso à Cultura da Secretaria, TT Catalão, garantindo a continuidade das ações do Programa Cultura Viva.

O secretário também destacou que as duas reuniões anuais do Conselho (essa foi a primeira de 2010) serão reunidas na revista,“Cultura Viva”.

Leia mais no site do MinC.

Por equipe da SCC/MinC com colaboração de  Sheila Rezende (Comunicação Social/MinC)

domingo, março 28th, 2010

TT Catalão será o novo Secretário de Cidadania Cultural do MinC

O Ministro Juca Ferreira esteve presente à abertura oficial da Teia 2010: Tambores Digitais, na noite de sexta-feira (26). Ele discursou na abertura e falou sobre o trabalho de Célio Turino, que se despede da Secretaria da Cidadania Cultural do MinC (SCC/MinC) para concorrer ao pleito eleitoral deste ano. ” Nós demos uma encomenda ao Célio e ele fez muito mais do que a encomenda pedia”, disse Juca Ferreira.

A despedida do secretário foi emocionada e seu trabalho aplaudido de pé pelos participantes do encontro. Em seu lugar100_4771 foi anunciado o poeta e atual Diretor do Programa Cultura Viva, TT Catalão, como o substituto de Turino no cargo.

“Na verdade eu sempre estive no projeto, desde o início, construindo discursos, fotografando, assessorando. Estou saindo de uma situação de bastidores”, contou o novo secretário.

O nome de TT foi bem aceito. Durante o anúncio, ele e Célio Turino ficaram abraçados. O Ministro louvou o trabalho dos dois e disse não saber quem deles se dedicava mais ao projeto.

“Nossa agenda de trabalho não se diferencia muito da de qualquer outro ministro. São 16, 18 horas de dedicação exclusiva. Todo esse resultado que estamos vendo agora é fruto dessa dedicação durante oito anos”, comentou o Ministro da Cultura.

Sobre a saída do Célio Turino, ele disse: “ninguém é insubstituível. O [Gilberto] Gil saiu e o trabalho continuou. Hoje é o Célio, amanhã sou eu e o trabalho continua, temos de ver esses processos de forma menos personificada”, refletiu Juca Ferreira.

Para TT, o principal desafio agora é a aprovação da Lei Cultura Viva. ”Existem duas vertentes, uma é a institucional: nós fizemos a emenda, embasamos, enviamos. Outra é a constitucional e essa não podemos negar que é morosa. Mas o mais importante é que quem nos respalda é o movimento popular e esse tá aí tocando tambores e gritando ‘Vamos lá, vamos aprovar!’”, empolgou-se.

O Ministro concorda que a aprovação da Lei não deve sair agora: “vai demorar, mas vai acontecer”. Quando perguntado sobre se a continuidade do projeto pode ser comprometida com a mudança de governo, afirmou:

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“se a Dilma ganhar, o projeto continua. Eu falo da Dilma porque ela já se comprometeu, tem de saber se os outros também assumem esse compromisso. Mas acredito que qualquer presidente que assumir deve continuar o programa”.

Até o [candidato] Serra, Ministro?”, pergunto. ”O governo de São Paulo tem lançado editais para seleção de Pontos de Cultura, o trabalho tem encontrado eco por lá”, respondeu.

TT Catalão também acredita nessa possibilidade. “Os estados estão envolvidos. A partir do momento que se criou essa parceria, os recursos são repassados para o Estado e não temos encontrado problemas com esse processo”, explica.

” Os Gestores de todos os estados têm  interesse, independentemente de partido político, em dar continuidade ao processo. Não acredito no sucateamento do projeto, porque como o nome mesmo diz, é vivo, são as pessoas, o povo, que alimentam o movimento”, poetiza.

Célio Turino reforça essa idéia: “Trabalhamos com o empoderamento social, isso é irreversível. É um processo que já existia, sempre existiu, o que fizemos foi fomentar, foi dar as ferramentas, mas o know-how todos eles já tinham”. TT Catalão assume a SCC/MinC a partir do dia 1º de abril.

Quem é TT CatalãoTT

Tetê Catalão, poeta, jornalista, letrista, ativista cultural sempre de plantão. Há tempos semeia versos e cantigas de maldizer na imprensa, para a alegria de uns e a irritação de outros…

Uma verve solta, afiada, cáustica, que tem origem no Boca Maldita Gregório de Matos, passa pela ironia do Barão de Itararé, verseja no melhor estilo “palavra-puxa-palavra” e desemboca… Sei lá, na Rodoviária de Brasília, na selva de pedra ou no heliporto de alguma repartição pública…  Para ele, tudo flui, é passageiro.

O Manoel de Barros, outro poeta iluminado, é passarinho. Tetê se confessa passageiro e recita: Na vida tudo passa, só não passa o ônibus do Guará… Anárquico, ditirâmbico…  Uma lucidez alucinada.   (Antônio Miranda)

Por Carine Araujo/Tabuleiro Produções

Fotos de Simão Augusto (mais fotos aqui)

sábado, março 27th, 2010

Pontos de Cultura alcançam 8,4 milhões de pessoas

Jongo do Pinheiral - Foto: Marina Cavalcante

Jongo do Pinheiral - Foto: Marina Cavalcante

Segundo projeção do Ministério da Cultura, a partir de levantamento do IPEA- Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - hoje os Pontos de Cultura alcançam oito milhões e 400 mil  pessoas em todo o Brasil – em média três mil pessoas/ano.

Este público está distribuído entre os que participam diretamente das atividades desenvolvidas nos projetos culturais e integrantes da comunidade que assistem às apresentações artísticas ou participam de cursos e oficinas. Os dados foram divulgados durante a Teia Brasil 2010: tambores digitais, em Fortaleza (CE).

O Brasil é palco de milhares de manifestações e atividades culturais desenvolvidas por comunidades de periferias e do interior do país, historicamente mantidas à margem das políticas culturais do Estado Brasileiro.

Desde 2004, os Pontos de Cultura começaram a mudar essa realidade, mapeamento a produção cultural do país e oferecendo a comunidades apoio sistemático e equipamentos multimídia para registro e reprodução e divulgação de suas atividades.

Quatro mil Pontos de Cultura
Hoje são quase quatro mil Pontos de Cultura em 1122 municípios do Brasil, sob gestão da Secretaria de Cidadania Cultural do MinC (SCC/MinC) e de estados e municípios conveniados com o Programa Mais Cultura.

Eles abrangem os mais variados grupos sociais: crianças, jovens, mulheres, indígenas, comunidades da periferia dos grandes centros, comunidades afro-descendentes, associações de bairro e populações camponesas, ribeirinhas, rurais e sem terra.

Compõem um mosaico de diferentes formas de expressão: teatro,  dança, audiovisual, música, circo e cultura popular (mamulengo, folguedos, artesanatos, hip-hop, capoeira, maracatu, congado, folia de reis, bumba-meu-boi etc.).

Desenvolvem distintas atividades: cineclubes, rádios comunitárias, espaços multimídia, mercados alternativos, centros de empreendedorismo, museus, bibliotecas, centros culturais, espaços culturais e de preservação do patrimônio histórico, núcleos de memória, centros de cultura digital, e outros, com ações que vão desde cursos diversos a à criação de rádios comunitárias.

Invertendo a lógica tradicional

Seminário da Teia 2010 - Foto: Wanessa Malta

Seminário da Teia 2010 - Foto: Wanessa Malta

“Os Pontos de Cultura inovam como conceito de política pública, invertendo a tradicional lógica de atuação do Estado. Em vez de o Governo trazer ações culturais prontas para as comunidades, são elas que definem e realizam suas próprias ações, com reconhecimento e apoio do governo”, explica o secretário de  Cidadania Cultural do MinC, Célio Turino.

“O Programa também inova pelo método de atuação, já que o repasse dos recursos é direcionado à ponta do projeto, evitando que o dinheiro se perca nos meandros da administração pública”, completa.

A rede é composta por:

1836 Pontos de Rede

pontos firmados pelos estados e municípios, com o objetivo de formar uma grande rede de pontos de cultura no Brasil.

592 Pontos de Cultura

Mestre Ferrugem cantando na Teia 2010 - Foto: André Goldman

Mestre Ferrugem cantando na Teia 2010 - Foto: André Goldman

iniciativas organizadas pelas comunidades e apoiadas pelo Estado para desenvolverem ações de produção, formação cultural e geração de renda por meio da cultura, como agentes da promoção da diversidade cultural brasileira.

514 Pontos de Leitura

Pontos de Cultura que funcionam como bibliotecas acessíveis à comunidade e que promovam o acesso à literatura e à reflexão em espaços de freqüência cotidiana, como bibliotecas comunitárias, hospitais e Centros de Referência em Assistência Social de todo o Brasil.

281 Pontinhos de Cultura

Desenvolvem ações voltadas à infância, a partir de espaços culturais que estimulem a brincadeira e a imaginação e valorizem a liberdade e sociabilidade, contribuindo para a formação da criança como futura cidadã.

89 Pontões de Cultura

Criados para articular os Pontos de Cultura, difundir suas ações culturais, além de estabelecer a integração e o funcionamento da rede dos Pontos de Cultura. Atuam tanto na dinamização dos contatos entre os Pontos, com foco temático ou regional, quanto como parceiros na implantação de ações do Programa.

81 Pontos de Mídia Livre

Pontos de Cultura e/ou organizações não governamentais sem fins lucrativos que desenvolvem ou apóiam projetos de comunicação compartilhada e participativa.

Parecerias e investimentos
Com o Programa Mais Cultura – dentro do PAC Social do Governo Federal –, em 2007, esses Pontos  passaram a ser também atendidos por governos estaduais de todo o país, em parceria com o MinC.

Até 2009, foram investidos pelo programa R$ 365,7 milhões em 8.987 iniciativas em todo o Brasil. Destes investimentos, R$65 milhões foram para a criação de 1084 novos Pontos de Cultura. “Com Mais Cultura, a gente conseguiu descentralizar e transformar os Pontos de Cultura em política pública, independente de governos e partidos”, afirma a Secretária de Articulação Institucional do MinC, Silvana Meireles.

Nos últimos seis anos, no total, foram investidos pelo MinC quase R$ 500 milhões em Pontos de Cultura de todo o Brasil.

Fonte: SCC/SAI/Ascom – MinC

sábado, março 27th, 2010

Hip Hop tem edital anunciado e premia 135 iniciativas

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Começam dia 6 de abril as inscrições para o Prêmio Cultura Hip Hop, edição Preto Ghóez, lançado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Ação Educativa e o Instituto Empreender.

O edital, o primeiro a contemplar exclusivamente a Cultura Hip Hop, foi anunciado durante a II Conferência Nacional de Cultura.

Os organizadores aproveitam a Teia 2010, Encontro Nacional de Pontos de Cultura que acontece até dia 31 deste mês, para realizar oficinas com os interessados em concorrer a 1,7 milhão em prêmios, ontemplando 135 iniciativas, divididos em 5 categorias.

O prêmio leva o nome do rapper maranhense – morto aos 33 anos de acidente automobilístico em Santa Catarina, em setembro de 2004. Preto Ghóez era ativista cultural e social e, depois de ter tido uma infância difícil e ter passado pela FEBEM, construiu um movimento a partir de sua música, o hip hop.

Vocalista do grupo Clã Nordetino, Ghoez era um dos líderes do Movimento Hip Hop Organizado do Brasil (MHHOB), uma das organizações nacionais do setor. Foi idealizador, em parceria com o MinC, do projeto Fome de Livro na Quebrada e participava de um grupo de trabalho a fim de desenvolver parcerias entre o governo e o Movimento Hip hop.

A Cultura Hip Hop, cujas primeiras manifestações, no Brasil, datam do início dos anos 1980, surgiu nos Estados Unidos da América e, atualmente, pode ser encontrada em todo o território brasileiro, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas.

Antes concentrado na Região Sudeste, o Hip Hop se espalhou rapidamente pelo país e também chegou ao interior do Brasil, marcando presença, por exemplo, em assentamentos e acampamentos rurais, aldeias indígenas e comunidades quilombolas. Com isso, absorveu a diversidade da cultura brasileira, criando uma identidade própria, com múltiplas variações, e tornando-se uma linguagem artística das mais representativas da nossa cultura.

As oficinas de formação para o edital acontecem até hoje (27), no Espaço Unibanco do Centro Cultural Dragão do Mar e integram as atividades da Teia 2010. Na programação, a leitura do edital, esclarecimento de dúvidas e até prática de preenchimento dos formulários. A idéia é facilitar o acesso a todos interessados.

As inscrições poderão ser feitas pela internet e qualquer dúvida pode ser esclarecida pelos e-mails premiohiphop2010@empreender.org e premiohiphop@acaoeducativa.org/. Participem!

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

quinta-feira, março 25th, 2010

Bongar soma seus tambores aos da Teia

O grupo Bongar faz parte do Ponto de Cultura Nação Xambá, ligado ao terreiro Xambá, no quilombo urbano do Portão do Gelo, em Olinda (PE). Seus seis integrantes chegaram, nesta quinta-feira, a Fortaleza para participar da Mostra Artística da Teia 2010- Tambores Digitais.

Fundado em 2001, o Bongar leva aos palcos a sonoridade da tradicional festa religiosa do Coco da Xambá, que se realiza na comunidade deles há mais de 40 anos, e outras influências de manifestações populares. Em conversa com a equipe do Teia 2010, o integrante Vitinho falou das expectativas e da relevância do evento:

A Teia sempre deixa algo muito importante que é a ciência da Cultura Viva. Esse é o grande lance. É uma engenharia complexa e às vezes há um caos logístico, mas o que importa é o impulso a essa política pública, cada vez mais tem que haver essas discussões.

Texto e foto por Tatiana Diniz

Foto Tatiana Diniz

quarta-feira, março 24th, 2010

Eletrocooperativa remunera ideias com R$ 300

O Pontão de Cultura Digital Eletrocooperativa (BA) toca uma missão pra lá de inovadora:  disparar novas lógicas de distribuição de renda no meio cultural e potencializar a cultura criada no país e nos diferentes Pontos de Cultura. Desta forma, o Pontão está se tornando uma grande ferramenta de produção colaborativa, a partir do acervo construído pelos próprios usuários.

No portal Eletrocooperativa,  uma proposta de sustentabilidade e educação está sendo experimentada por meio das “Chamadas Criativas”: perguntas feitas a partir de temas diversos estimulam a criação de conteúdo em diversas linguagens (rádio, video, música, imagem). Os interessados podem criar livremente, e as ideias selecionadas são remuneradas com o valor de R$ 300. Esta semana estão no ar três chamadas, uma sobre o uso de telefones celulares e outras duas sobre cultura baiana e carnaval de Salvador (como o vídeo acima).

Quem quiser criar conteúdos sobres estes e outros temas e concorrer à remuneração pode saber mais no portal http://eletrocooperativa.org.br.

Quer contar o que está rolando no seu Ponto de Cultura também? Mande texto, imagens e contato para divulguenateia@gmail.com.  Estamos esperando!

Por Tatiana Diniz

terça-feira, março 23rd, 2010

Quilombaque agita a zona oeste de São Paulo

O ano começou há pouco, mas a quantidade de ações que a moçada do Ponto de Cultura Comunidade Cultural Quilombaque já fez acontecer na vizinhança de Perus (zona oeste de São Paulo) é impressionante.

Só neste trimestre, a agenda da comunidade inclui cursos, intervenção teatral, DJs tocando em praça pública, hip-hop e oficinas culturais, além da inauguração do Espaço Cultural OLHE – Cohab Taipas, que aconteceu no último domingo. No próximo dia 27 é a vez de celebrar o Dia Nacional do Graffiti, com atividades para todas as idades.

Para quem quiser saber mais sobre o que rola no Quilombaque, vale acompanhar o blog do ponto: http://comunidadequilombaque.blogspot.com

Quer contar o que estar rolando no seu Ponto também? Mande fotos, textos e o seu contato para divulguenateia@gmail.com. Estamos esperando!

Por Tatiana Diniz

Fotos: Comunidade Cultural Quilombaque

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