ponto de cultura

segunda-feira, abril 5th, 2010

Participação e experiência lotam bagagem de volta

História de conquistas / Foto: Tatiana Diniz

Às 10h30 da manhã de 25/03, a pernambucana Andresa Wanderlúcia de Souza recebeu um telefonema. Precisava sair da sua casa no Morro da Conceição e embarcar num vôo Recife-Fortaleza para participar da Teia 2010: tambores digitais. Tinha uma hora e meia. “Enfiei numa mala o que consegui, esqueci metade das coisas. Mas consegui pegar o avião”, conta.

Andresa sabia que vir ao encontro era importante. Delegada representante do Ponto de Cultura Negras Raízes, ela participaria de discussões relevantes para o futuro do Centro de Formação do Educador Popular Maria da Conceição, do qual faz parte. O trabalho do centro ganhou impulso quando virou Ponto de Cultura em 2006, mas já existia há mais de 20 anos. Foi ampliado e hoje atinge crianças e jovens de três quilombos urbanos e mais três rurais, com uma proposta que otimiza a educação a partir da cultura. “A ideia é desenvolver estratégias para que esses quilombos se sustentem, além de fazer um levantamento de suas histórias e tradições”, explica.

A ligação de Andresa com essa abordagem transformativa se mistura à história da sua própria vida. Foi na escolinha do centro no Morro da Conceição que ela cursou o ensino fundamental. Foi lá também onde conseguiu o primeiro emprego, como auxiliar de sala de aula. Virou secretária e administradora, posto que já ocupava na longa espera de um ano pela liberação do recurso e no desafio de utilizá-lo adequadamente. Hoje ela cursa o primeiro semestre de administração, mas comenta que aprendeu a administrar na prática: “Entrei na faculdade por necessidade, já havia assumido a função. Agora vou conquistar o diploma.”

Na Teia 2010, Andresa se inscreveu no Grupo de Trabalho sobre sustentabilidade. Refletir sobre como os Pontos de Cultura conseguirão se manter é, hoje, um dos maiores desafios da proposta. Some-se a isso a necessidade de pensar sustentabilidade a partir de seus três pilares: o econômico, o social e o  ambiental.

Na sala de cinema 2 do Dragão do Mar, representantes de vários Pontos de Cultura compartilharam experiências e dúvidas sobre o tema, elegeram um representante e redigiram quatro propostas levadas à plenária na tarde de ontem. O voto de Andresa foi mais um passo num processo em que atores sociais, pela primeira vez na história do país, participam ativamente da elaboração das políticas públicas culturais.

Andresa se orgulha disso e observa que sua trajetória poderia ter sido muito diferente. Conta que teve o primeiro filho aos 16 anos, o segundo em seguida. Parou de estudar, voltou para a escola, desistiu outra vez, fez supletivo. Por muito tempo não imaginou que cursaria uma universidade. “Foram muitas conquistas. O centro foi o incentivo para que eu trabalhasse, a chance de não perder meu futuro, nem o futuro dos meus filhos. Como Ponto de Cultura ganhamos um apoio financeiro, mas o reconhecimento e a visibilidade das nossa ações foi o mais importante”, avalia.

Com um abraço ela se despede, seu vôo de volta sai às 5h. No seu currículo entra mais uma Teia, como as de São Paulo e Brasília, das quais também participou. Há dez anos, lembra, não costumava viajar, saía pouco do Recife. “Toda vez, embarco com uma mala e volto com duas. A segunda é a melhor bagagem que carrego: vai lotada de conhecimento e experiência”, conclui.

Por Tatiana Diniz

terça-feira, março 30th, 2010

GT discute importancia do Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais, os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Sendo eles: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma Ação Audiovisual Cultura Viva.

“É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam”, explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Santa Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, disse que esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e na TV Brasil, mas não só nela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?”, disse.

Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porque se você passa um ano formando o jovem e depois não o aproveita, não adianta”. Para ela, os valores de financimento do audiovisual no Brasil são um nó, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual diz respeito ao mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado”, declarou. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

 


Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)


Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)


Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)


Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva


Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio


Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)


Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

Vejam as fotos do GT:

Paulo Roberto explica o Laboratório Cultura Viva

Plenária vota as propostas

Davy Alexandrinsky e Luísa Falcão

Jader Costa: Milhares são resgatados pelo audiovisual

Carine Araújo e o projeto Do Ponto ao Mundo

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

domingo, março 28th, 2010

TT Catalão será o novo Secretário de Cidadania Cultural do MinC

O Ministro Juca Ferreira esteve presente à abertura oficial da Teia 2010: Tambores Digitais, na noite de sexta-feira (26). Ele discursou na abertura e falou sobre o trabalho de Célio Turino, que se despede da Secretaria da Cidadania Cultural do MinC (SCC/MinC) para concorrer ao pleito eleitoral deste ano. ” Nós demos uma encomenda ao Célio e ele fez muito mais do que a encomenda pedia”, disse Juca Ferreira.

A despedida do secretário foi emocionada e seu trabalho aplaudido de pé pelos participantes do encontro. Em seu lugar100_4771 foi anunciado o poeta e atual Diretor do Programa Cultura Viva, TT Catalão, como o substituto de Turino no cargo.

“Na verdade eu sempre estive no projeto, desde o início, construindo discursos, fotografando, assessorando. Estou saindo de uma situação de bastidores”, contou o novo secretário.

O nome de TT foi bem aceito. Durante o anúncio, ele e Célio Turino ficaram abraçados. O Ministro louvou o trabalho dos dois e disse não saber quem deles se dedicava mais ao projeto.

“Nossa agenda de trabalho não se diferencia muito da de qualquer outro ministro. São 16, 18 horas de dedicação exclusiva. Todo esse resultado que estamos vendo agora é fruto dessa dedicação durante oito anos”, comentou o Ministro da Cultura.

Sobre a saída do Célio Turino, ele disse: “ninguém é insubstituível. O [Gilberto] Gil saiu e o trabalho continuou. Hoje é o Célio, amanhã sou eu e o trabalho continua, temos de ver esses processos de forma menos personificada”, refletiu Juca Ferreira.

Para TT, o principal desafio agora é a aprovação da Lei Cultura Viva. ”Existem duas vertentes, uma é a institucional: nós fizemos a emenda, embasamos, enviamos. Outra é a constitucional e essa não podemos negar que é morosa. Mas o mais importante é que quem nos respalda é o movimento popular e esse tá aí tocando tambores e gritando ‘Vamos lá, vamos aprovar!’”, empolgou-se.

O Ministro concorda que a aprovação da Lei não deve sair agora: “vai demorar, mas vai acontecer”. Quando perguntado sobre se a continuidade do projeto pode ser comprometida com a mudança de governo, afirmou:

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“se a Dilma ganhar, o projeto continua. Eu falo da Dilma porque ela já se comprometeu, tem de saber se os outros também assumem esse compromisso. Mas acredito que qualquer presidente que assumir deve continuar o programa”.

Até o [candidato] Serra, Ministro?”, pergunto. ”O governo de São Paulo tem lançado editais para seleção de Pontos de Cultura, o trabalho tem encontrado eco por lá”, respondeu.

TT Catalão também acredita nessa possibilidade. “Os estados estão envolvidos. A partir do momento que se criou essa parceria, os recursos são repassados para o Estado e não temos encontrado problemas com esse processo”, explica.

” Os Gestores de todos os estados têm  interesse, independentemente de partido político, em dar continuidade ao processo. Não acredito no sucateamento do projeto, porque como o nome mesmo diz, é vivo, são as pessoas, o povo, que alimentam o movimento”, poetiza.

Célio Turino reforça essa idéia: “Trabalhamos com o empoderamento social, isso é irreversível. É um processo que já existia, sempre existiu, o que fizemos foi fomentar, foi dar as ferramentas, mas o know-how todos eles já tinham”. TT Catalão assume a SCC/MinC a partir do dia 1º de abril.

Quem é TT CatalãoTT

Tetê Catalão, poeta, jornalista, letrista, ativista cultural sempre de plantão. Há tempos semeia versos e cantigas de maldizer na imprensa, para a alegria de uns e a irritação de outros…

Uma verve solta, afiada, cáustica, que tem origem no Boca Maldita Gregório de Matos, passa pela ironia do Barão de Itararé, verseja no melhor estilo “palavra-puxa-palavra” e desemboca… Sei lá, na Rodoviária de Brasília, na selva de pedra ou no heliporto de alguma repartição pública…  Para ele, tudo flui, é passageiro.

O Manoel de Barros, outro poeta iluminado, é passarinho. Tetê se confessa passageiro e recita: Na vida tudo passa, só não passa o ônibus do Guará… Anárquico, ditirâmbico…  Uma lucidez alucinada.   (Antônio Miranda)

Por Carine Araujo/Tabuleiro Produções

Fotos de Simão Augusto (mais fotos aqui)

domingo, março 28th, 2010

Livro de Célio Turino é lançado na Teia 2010

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O livro Pontos de Cultura: o Brasil de baixo para cima, do Secretário da Cidadania Cultural Célio Turino, reconhecido como o criador dos Pontos de Cultura, foi lançado ontem, às 18 horas, no SESC, ao lado do Dragão do Mar e foi uma das atividades programadas para a Teia 2010 Tambores Digitais. O livro marca os 8 anos de dedicação ao trabalho que mudou a história da cultura no país, foi o marco do governo Gilberto Gil e hoje é referência no mundo inteiro.

Lançado pela Editora Anita Garibaldi e comercializado a R$25,00 (vinte e cinco reais), o livro retrata o trabalho realizado – de perto – com os principais Pontos de Cultura do Brasil. Centenas de pontistas e trabalhadores da cultura lotaram a sala e fizeram fila pelo autógrafo do secretário que se despede do cargo esse mês deixando o posto para TT Catalão, que já trabalha no programa Cultura Viva.

“As pessoas se reconhecem nele. Eu recomendo a todos os pontistas que leiam esse livro, observando-o como base orientadora, é um marco na história desse movimento”,  disse Deize Botelho, do Ponto de Cultura Galpão de Artes de Marabá (PA).

Ronaldo Lopes e banda na abertura do evento

O evento foi aberto pelo grupo musical Ronaldo Lopes e banda, integrantes do Movimento de Cultura Popular do Pirambu (CE), que cantou clássicos da Música Popular Brasileira. Depois foi a vez do cineasta e poeta cearense Rosemberg Cariri fazer um discurso abordando o trabalho do Célio Turino à frente da Secretaria e o processo criativo que o fez chegar até ao livro. O trabalho inclui relatos de cerca de 600 viagens de contato com os Pontos de Cultura.

O Secretário Executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, esteve presente ao lançamento. Ainda não tinha lido o livro mas o considerou “fruto de uma experiência magnífica em expressar o autêntico e o genuíno dos saberes, ritos e riqueza que emana da diversidade brasileira.” Também assitiu ao lançamento o Secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin.

100_4848Aline Carvalho, autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: da Tropicália aos Pontos de Cultura” e da resenha do livro de Turino (que você encontra aqui), reforça essa idéia de que é um relato de dentro:

“É como um diário de bordo, o olhar de quem idealizou o processo está impregnado nele e por isso ele é muito pessoal. O livro pulsa, como o programa”

Depois da fala de Rosemberg Cariri foi a vez de Célio Turino subir ao pequeno palco armado no Salão do SESC e ler, emocionado, trechos de seu próprio livro, entre eles o relato de Darlene que ocupa o 8º capítulo do livro e fala sobre o Ponto de Cultura Cepiac – Centro de Produção Independente de Arte e Cultura – de Londrina (PR). O historiador se diz satisfeito com o resultado do trabalho: ” nós esperávamos que ganhasse essa dimensão pela militância que já tínhamos na área. O Brasil tem hoje cerca de 100 mil iniciativas como os Pontos de Cultura. O que fizemos foi dar sustentabilidade, fomentar. Mas se esse processo retroceder, o que eu não acredito pela força que tem, vamos continuar fazendo do mesmo jeito, porque nós sempre fizemos”. Sobre a mudança causada na história do país ele responde citando um trecho de seu livro “Quem faz história é um homem livre, que tem sonhos”.

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Nilton Silva, do pontão Rede Juvenil (PA), desfaz-se em elogios:  “Célio Turino foi um secretário diferente, ele saiu do gabinete e foi aonde as coisas acontecem, revelando o protagonismo presenciado ao vivo. Ele transita com naturalidade entre todos nós e nos conhece um a um. O Célio revolucionou na gestão pública e essa revolução é transformadora”.

Mais fotos do evento:

Célio Turino em foto com o público

Célio Turino em foto com o público

Os secretários Silvio Da-Rin e Alfredo Manevy

Os secretários Silvio Da-Rin e Alfredo Manevy

Rosemberg Cariri lê discurso

Rosemberg Cariri lê discurso

Público lota Salão do Sesc no lançamento

Público lota Salão do Sesc no lançamento

Os pontistas Nilton e Deize

Os pontistas Nilton e Deize

O livro

O livro

Texto: Carine Araújo

Fotos: Simão Augusto

Tabuleiro Produções

domingo, março 28th, 2010

Show do Mombojó agita público na 3ª noite da Teia 2010

Eram diversas manifestações espalhadas por todos os cantos, característica da Teia 2010: é preciso criar espaço para que todos possam aparecer. As mais diversas linguagens se encontravam no Dragão do Mar.Além do lançamento do livro do Célio Turino e do Bené Fonteles o teatro se fez presente com “As Madalenas” do Centro de Teatro do Oprimido, o grupo de Teatro Parresia (CE), o Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e outras Histórias e a Cia As Bárbaras de Multeatro. As apresentações atraíam os passantes e fixavam os olhos dos admiradores dessa arte.

Mas o destaque da noite esteve mesmo para a música, começando com a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene (SP) e a Oquestra Armorial do Cariri (CE), os Tambores do Tocantins (TO) e os Tambores da Floresta (MA)  deram show. A primeira executando o Hino Nacional com seus harmoniosos berimbaus, a segunda trazendo meninos tirando sons primorosos da rabeca, a terceira com crianças e jovens de 8 a 20 anos tocando músicas folclóricas da região norte com instrumentos percussivos e a última trazendo o tambor de crioula, música e dança típicas do Maranhão.

Como se não bastasse tanta diversidade musical eis que surge o Maracatu Leão Coroado (PE) trazendo todo o colorido da manifestação que é a própria expressão do estado pernambucano. Acompanhado deles o RAPentista Rapadura, que mistura em sua musicalidade o rap e o repente, duas manifestações distintas aparentemente, mas que tem em comum o improviso (Assista aqui). Logo após foi a vez do Linha Dura (MT) com seu rap e hip hop (Veja aqui). Em outro palco o também matogrossense grupo Cururu e Siriri, trazia a simpatia de seu Nízio em representar o folclore da região Centro-Oeste.

mombojó1-tatiana dinizMas foi a partir da meia noite que os palcos esquentaram mesmo. No Palco Economia Solidária, o Circo, quem embalava os ritmos era a Escola de Samba Unidos de Vila Maria que trouxe passistas, mestre-sala e porta-bandeira para dançar no meio do povo que lotou o espaço. No Palco Verde foi a vez dos meninos do Mombojó agregarem o público. O grupo subiu ao palco às 2 da manhã cantando Duas Cores, música do seu primeiro cd. A platéia cantou junto. Depois ele enveredou pelo segundo cd, que traz baladas a la Los Hermanos – “O primeiro disco foi independente então tinha mais a cara da banda, era mais experimental, no segundo a gravadora já interviu, você percebe a diferença” – analisou um fã. E a mudança foi perceptível. No meio das baladas ele chamou seu parceiro China. com quem gravou em 2008 um álbum virtual e com quem divide algumas composições, para cantar com eles duas músicas que traziam uma pegada de hip hop.

Felipe e China

Nesse momento um rapaz da pláteia sobe ao palco e apresenta sua coreografia da música deles. O “dançarino” foi acalamdo e continuou no palco para dançar a música seguinte. Felipe, vocalista do Mombojó, voltou ao palco agradecendo aos fãs que acompanham o grupo, que semana que vem fará nove anos de carreira e está lançando seu 3º Cd, “Amigo do Tempo”. Começou então a cantar as músicas de sucesso do primeiro Cd e a multidão que se aglomerava embaixo da lona por conta da chuva cantava e dançava com empolgação, até invadirem o praticável. Ele terminou o show com a música “Deixe-se acreditar” ao som dos fãs que repetiam o refrão: ” Tudo pode ser, Nada vai acontecer, não tema. Esse é o reino da alegria”.

Você pode baixar os Cds do Mombojó aqui.

Texto: Simão Augusto/Tabuleiro Produções

Fotos: Tatiana Diniz

Vídeos: Maximiliano Leguiza

sexta-feira, março 26th, 2010

A Teia na rede

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Com uma idéia na cabeça e uma rede na mão, Daiane se instalou em plena praça para colocar, literalmente, a Teia na rede.

Projetando fotos do primeiro dia da Teia 2010- Tambores Digitais em uma rede de dormir, ela criou uma metáfora bem humorada dessa mescla de novas tecnologias sociais e tradição cultural, tão própria dessa cultura viva.

Daiane é coordenadora do Ponto de Cultura Corredor da Cultura, em Arapiraca (AL), que desde 2006 oferece oficinas de circo, teatro e dança.

Ah, e ela também gosta de dormir em rede.

Por:  Ana Facundes

sexta-feira, março 26th, 2010

Coroação da Rainha do Maracatu abre Teia 2010

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Filmagem: Maximiliano Leguiza (cc|teia2010)

quinta-feira, março 18th, 2010

Aos representantes de Pontos de Cultura

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Não será possível realizar troca do nome do representante do Ponto de Cultura inscrito e validado como Delegado para o 3º Fórum Nacional de Pontos de Cultura. O motivo é a complexa estrutura logística da Teia Brasil 2010 – Tambores Digitais, que reunirá cerca de 3,5 mil pessoas em Fortaleza (CE) . 

Os representantes que, por essa razão, não podem participar da Teia 2010 deverão comunicar sua desistência através do e-mail: cancelar.teia@gmail.com

Em sua 4ª edição, o Encontro Nacional de Pontos de Cultura acontece no Centro Cultural Dragão do Mar em Fortaleza (CE), entre os dias 25 e 31 de março.
A Teia Brasil 2010 – Tambores Digitais é realizada pela Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, CNPdC, representada pelo Instituto Cidade, em parceria com o MinC, a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, Secult/CE, e o Instituto de Arte e Cultura do Ceará, IACC.