Pontos de Cultura #Teia2010

terça-feira, março 30th, 2010

GT discute importancia do Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais, os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Sendo eles: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma Ação Audiovisual Cultura Viva.

“É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam”, explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Santa Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, disse que esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e na TV Brasil, mas não só nela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?”, disse.

Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porque se você passa um ano formando o jovem e depois não o aproveita, não adianta”. Para ela, os valores de financimento do audiovisual no Brasil são um nó, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual diz respeito ao mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado”, declarou. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

 


Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)


Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)


Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)


Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva


Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio


Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)


Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

Vejam as fotos do GT:

Paulo Roberto explica o Laboratório Cultura Viva

Plenária vota as propostas

Davy Alexandrinsky e Luísa Falcão

Jader Costa: Milhares são resgatados pelo audiovisual

Carine Araújo e o projeto Do Ponto ao Mundo

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

segunda-feira, março 29th, 2010

Mostra Artística chega ao fim com muita festa

O Aterrinho da Praia de Iracema ficou colorido. Multicolorido. O Cortejo da Cidadania “Ebulição dos Libertos”, que marcou o encerramento da Mostra Artística e das Ações Cultura Viva na programação da Teia 2010: Tambores Digitais, trouxe às ruas de Fortaleza a diversidade brasileira manifesta nas fantasias, nos cânticos, nos batuques, nos rostos das pessoas.

Foi um encontro de gerações, de etnias, de sotaques, de olhares. “Dá pra ver que são diferentes, mas existe um elo que os conectam e eu acho que esse elo é o amor pela sua cultura”, declarou a cearense Virgínia Rodrigues, que assistia à passagem do cortejo pelas ruas.

De volta ao Dragão do Mar, o palco já estava armado para receber as últimas atrações do evento, que continua até quarta-feira com a realização do III Fórum Nacional dos Pontos de Cultura (FNPC), agregando delegados representantes de cada Ponto de Cultura do Brasil.

Os shows tiveram início com a apresentação de Pingo de Fortaleza e Calé Alencar, dois grandes representantes da cultura de Fortaleza e defensores do maracatu cearense. Parceiros de longa data eles mostraram entrosamento no palco.

Depois foi a vez do Coletivo Rádio Cipó (PA) e sua música eletrônica. Com a música “Emoriô” o grupo Kilombando (MG) iniciou sua apresentação, que trouxe ainda  músicas como  “Mundo Negro”, louvando a afirmação da identidade afro-brasileira.

Chico César encerrou a última noite da Mostra Artística da Teia 2010/Foto: Italo Rios

Chico César encerrou a última noite da Mostra Artística da Teia 2010 Foto: Italo Rios

E por falar em afirmação, foi com esse espírito que Chico César subiu ao palco às 23h30. Trazendo as músicas tradicionais da região nordeste como xotes, forrós, frevos e afoxés, ele levantou o público que lotava a Beira-Mar. Cantando seus principais hits como “Mama África” e “Respeitem meus cabelos, brancos” sempre entremeados de outra músicas em arranjos que já fazem parte de sua forma de cantar, ele reforçou a idéia da identidade negra.

E os rastafaris e black powers responderam balançando os cabelos e cantando bem alto. O momento romântico veio com a música “É só pensar em você” e em toda praia se viam beijos apaixonados e casais dançando abraçadinhos. Mas logo a dança voltou a ser “anarriê/alavantu” e o forró dominou a cena até o fim da apresentação. Ao cantar uma música de parceria com Dominguinhos, “Deus me proteja”, ele disse:

“E por falar em Mestre (Dominguinhos), gostaria de saudar os mestres griôs aqui presentes e pedir a todos que assinem e lutem pela aprovação da Lei Griô no Congresso para garantir que os saberes, que a oralidade, que as tradições não morram.”

Chico César, que é o atual presidente da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), na Paraíba, sua terra natal, concilia a agenda artística com suas atividades à frente da gestão pública e revela que esteve na II Conferência Nacional de Cultura, acontecida este mês em Brasília, para lutar pelas demandas percebidas junto ao povo, aos trabalhadores da cultura. Entre elas está também a criação da Lei Cultura Viva.

Chico César encerrou sua participação  apresentando sua banda – um show à parte – com a música “Pedra de Responsa” que louva São Luís do Maranhão.

D. Zefinha
D. Zefinha foi a vez da música alegórica do grupo Dona Zefinha. Com uma performance marcante os músicos se desdobravam no palco numa apresentação que era música, mas era mais: era também teatro, dança, comédia, poesia, improviso, talvez pela influência do Orlângelo Leal, vocalista, que é ator e diretor teatral. “É uma alegria muito grande tocar na minha terra, num evento como a Teia e no mesmo palco que Chico César, que a gente admira demais.” – disse ele, que já esteve em outros palcos importantes em todo o Brasil e fora dele. O grupo, em que todos são arte-educadores e atores, trabalha o segundo CD, intitulado “Zefinha vai à Feira”. (Conheça mais sobre o grupo aqui.)

No final da festa, o reggae baiano da banda Trilheirus. Os meninos de Andaraí, na Chapada Diamantina, colocaram o público pra dançar até o dia amanhecer.

Por Carine Araújo/Tabuleiro Produções

domingo, março 28th, 2010

TT Catalão será o novo Secretário de Cidadania Cultural do MinC

O Ministro Juca Ferreira esteve presente à abertura oficial da Teia 2010: Tambores Digitais, na noite de sexta-feira (26). Ele discursou na abertura e falou sobre o trabalho de Célio Turino, que se despede da Secretaria da Cidadania Cultural do MinC (SCC/MinC) para concorrer ao pleito eleitoral deste ano. ” Nós demos uma encomenda ao Célio e ele fez muito mais do que a encomenda pedia”, disse Juca Ferreira.

A despedida do secretário foi emocionada e seu trabalho aplaudido de pé pelos participantes do encontro. Em seu lugar100_4771 foi anunciado o poeta e atual Diretor do Programa Cultura Viva, TT Catalão, como o substituto de Turino no cargo.

“Na verdade eu sempre estive no projeto, desde o início, construindo discursos, fotografando, assessorando. Estou saindo de uma situação de bastidores”, contou o novo secretário.

O nome de TT foi bem aceito. Durante o anúncio, ele e Célio Turino ficaram abraçados. O Ministro louvou o trabalho dos dois e disse não saber quem deles se dedicava mais ao projeto.

“Nossa agenda de trabalho não se diferencia muito da de qualquer outro ministro. São 16, 18 horas de dedicação exclusiva. Todo esse resultado que estamos vendo agora é fruto dessa dedicação durante oito anos”, comentou o Ministro da Cultura.

Sobre a saída do Célio Turino, ele disse: “ninguém é insubstituível. O [Gilberto] Gil saiu e o trabalho continuou. Hoje é o Célio, amanhã sou eu e o trabalho continua, temos de ver esses processos de forma menos personificada”, refletiu Juca Ferreira.

Para TT, o principal desafio agora é a aprovação da Lei Cultura Viva. ”Existem duas vertentes, uma é a institucional: nós fizemos a emenda, embasamos, enviamos. Outra é a constitucional e essa não podemos negar que é morosa. Mas o mais importante é que quem nos respalda é o movimento popular e esse tá aí tocando tambores e gritando ‘Vamos lá, vamos aprovar!’”, empolgou-se.

O Ministro concorda que a aprovação da Lei não deve sair agora: “vai demorar, mas vai acontecer”. Quando perguntado sobre se a continuidade do projeto pode ser comprometida com a mudança de governo, afirmou:

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“se a Dilma ganhar, o projeto continua. Eu falo da Dilma porque ela já se comprometeu, tem de saber se os outros também assumem esse compromisso. Mas acredito que qualquer presidente que assumir deve continuar o programa”.

Até o [candidato] Serra, Ministro?”, pergunto. ”O governo de São Paulo tem lançado editais para seleção de Pontos de Cultura, o trabalho tem encontrado eco por lá”, respondeu.

TT Catalão também acredita nessa possibilidade. “Os estados estão envolvidos. A partir do momento que se criou essa parceria, os recursos são repassados para o Estado e não temos encontrado problemas com esse processo”, explica.

” Os Gestores de todos os estados têm  interesse, independentemente de partido político, em dar continuidade ao processo. Não acredito no sucateamento do projeto, porque como o nome mesmo diz, é vivo, são as pessoas, o povo, que alimentam o movimento”, poetiza.

Célio Turino reforça essa idéia: “Trabalhamos com o empoderamento social, isso é irreversível. É um processo que já existia, sempre existiu, o que fizemos foi fomentar, foi dar as ferramentas, mas o know-how todos eles já tinham”. TT Catalão assume a SCC/MinC a partir do dia 1º de abril.

Quem é TT CatalãoTT

Tetê Catalão, poeta, jornalista, letrista, ativista cultural sempre de plantão. Há tempos semeia versos e cantigas de maldizer na imprensa, para a alegria de uns e a irritação de outros…

Uma verve solta, afiada, cáustica, que tem origem no Boca Maldita Gregório de Matos, passa pela ironia do Barão de Itararé, verseja no melhor estilo “palavra-puxa-palavra” e desemboca… Sei lá, na Rodoviária de Brasília, na selva de pedra ou no heliporto de alguma repartição pública…  Para ele, tudo flui, é passageiro.

O Manoel de Barros, outro poeta iluminado, é passarinho. Tetê se confessa passageiro e recita: Na vida tudo passa, só não passa o ônibus do Guará… Anárquico, ditirâmbico…  Uma lucidez alucinada.   (Antônio Miranda)

Por Carine Araujo/Tabuleiro Produções

Fotos de Simão Augusto (mais fotos aqui)

domingo, março 28th, 2010

Livro de Célio Turino é lançado na Teia 2010

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O livro Pontos de Cultura: o Brasil de baixo para cima, do Secretário da Cidadania Cultural Célio Turino, reconhecido como o criador dos Pontos de Cultura, foi lançado ontem, às 18 horas, no SESC, ao lado do Dragão do Mar e foi uma das atividades programadas para a Teia 2010 Tambores Digitais. O livro marca os 8 anos de dedicação ao trabalho que mudou a história da cultura no país, foi o marco do governo Gilberto Gil e hoje é referência no mundo inteiro.

Lançado pela Editora Anita Garibaldi e comercializado a R$25,00 (vinte e cinco reais), o livro retrata o trabalho realizado – de perto – com os principais Pontos de Cultura do Brasil. Centenas de pontistas e trabalhadores da cultura lotaram a sala e fizeram fila pelo autógrafo do secretário que se despede do cargo esse mês deixando o posto para TT Catalão, que já trabalha no programa Cultura Viva.

“As pessoas se reconhecem nele. Eu recomendo a todos os pontistas que leiam esse livro, observando-o como base orientadora, é um marco na história desse movimento”,  disse Deize Botelho, do Ponto de Cultura Galpão de Artes de Marabá (PA).

Ronaldo Lopes e banda na abertura do evento

O evento foi aberto pelo grupo musical Ronaldo Lopes e banda, integrantes do Movimento de Cultura Popular do Pirambu (CE), que cantou clássicos da Música Popular Brasileira. Depois foi a vez do cineasta e poeta cearense Rosemberg Cariri fazer um discurso abordando o trabalho do Célio Turino à frente da Secretaria e o processo criativo que o fez chegar até ao livro. O trabalho inclui relatos de cerca de 600 viagens de contato com os Pontos de Cultura.

O Secretário Executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, esteve presente ao lançamento. Ainda não tinha lido o livro mas o considerou “fruto de uma experiência magnífica em expressar o autêntico e o genuíno dos saberes, ritos e riqueza que emana da diversidade brasileira.” Também assitiu ao lançamento o Secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin.

100_4848Aline Carvalho, autora do livro “Produção de Cultura no Brasil: da Tropicália aos Pontos de Cultura” e da resenha do livro de Turino (que você encontra aqui), reforça essa idéia de que é um relato de dentro:

“É como um diário de bordo, o olhar de quem idealizou o processo está impregnado nele e por isso ele é muito pessoal. O livro pulsa, como o programa”

Depois da fala de Rosemberg Cariri foi a vez de Célio Turino subir ao pequeno palco armado no Salão do SESC e ler, emocionado, trechos de seu próprio livro, entre eles o relato de Darlene que ocupa o 8º capítulo do livro e fala sobre o Ponto de Cultura Cepiac – Centro de Produção Independente de Arte e Cultura – de Londrina (PR). O historiador se diz satisfeito com o resultado do trabalho: ” nós esperávamos que ganhasse essa dimensão pela militância que já tínhamos na área. O Brasil tem hoje cerca de 100 mil iniciativas como os Pontos de Cultura. O que fizemos foi dar sustentabilidade, fomentar. Mas se esse processo retroceder, o que eu não acredito pela força que tem, vamos continuar fazendo do mesmo jeito, porque nós sempre fizemos”. Sobre a mudança causada na história do país ele responde citando um trecho de seu livro “Quem faz história é um homem livre, que tem sonhos”.

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Nilton Silva, do pontão Rede Juvenil (PA), desfaz-se em elogios:  “Célio Turino foi um secretário diferente, ele saiu do gabinete e foi aonde as coisas acontecem, revelando o protagonismo presenciado ao vivo. Ele transita com naturalidade entre todos nós e nos conhece um a um. O Célio revolucionou na gestão pública e essa revolução é transformadora”.

Mais fotos do evento:

Célio Turino em foto com o público

Célio Turino em foto com o público

Os secretários Silvio Da-Rin e Alfredo Manevy

Os secretários Silvio Da-Rin e Alfredo Manevy

Rosemberg Cariri lê discurso

Rosemberg Cariri lê discurso

Público lota Salão do Sesc no lançamento

Público lota Salão do Sesc no lançamento

Os pontistas Nilton e Deize

Os pontistas Nilton e Deize

O livro

O livro

Texto: Carine Araújo

Fotos: Simão Augusto

Tabuleiro Produções

domingo, março 28th, 2010

Show do Mombojó agita público na 3ª noite da Teia 2010

Eram diversas manifestações espalhadas por todos os cantos, característica da Teia 2010: é preciso criar espaço para que todos possam aparecer. As mais diversas linguagens se encontravam no Dragão do Mar.Além do lançamento do livro do Célio Turino e do Bené Fonteles o teatro se fez presente com “As Madalenas” do Centro de Teatro do Oprimido, o grupo de Teatro Parresia (CE), o Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e outras Histórias e a Cia As Bárbaras de Multeatro. As apresentações atraíam os passantes e fixavam os olhos dos admiradores dessa arte.

Mas o destaque da noite esteve mesmo para a música, começando com a Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene (SP) e a Oquestra Armorial do Cariri (CE), os Tambores do Tocantins (TO) e os Tambores da Floresta (MA)  deram show. A primeira executando o Hino Nacional com seus harmoniosos berimbaus, a segunda trazendo meninos tirando sons primorosos da rabeca, a terceira com crianças e jovens de 8 a 20 anos tocando músicas folclóricas da região norte com instrumentos percussivos e a última trazendo o tambor de crioula, música e dança típicas do Maranhão.

Como se não bastasse tanta diversidade musical eis que surge o Maracatu Leão Coroado (PE) trazendo todo o colorido da manifestação que é a própria expressão do estado pernambucano. Acompanhado deles o RAPentista Rapadura, que mistura em sua musicalidade o rap e o repente, duas manifestações distintas aparentemente, mas que tem em comum o improviso (Assista aqui). Logo após foi a vez do Linha Dura (MT) com seu rap e hip hop (Veja aqui). Em outro palco o também matogrossense grupo Cururu e Siriri, trazia a simpatia de seu Nízio em representar o folclore da região Centro-Oeste.

mombojó1-tatiana dinizMas foi a partir da meia noite que os palcos esquentaram mesmo. No Palco Economia Solidária, o Circo, quem embalava os ritmos era a Escola de Samba Unidos de Vila Maria que trouxe passistas, mestre-sala e porta-bandeira para dançar no meio do povo que lotou o espaço. No Palco Verde foi a vez dos meninos do Mombojó agregarem o público. O grupo subiu ao palco às 2 da manhã cantando Duas Cores, música do seu primeiro cd. A platéia cantou junto. Depois ele enveredou pelo segundo cd, que traz baladas a la Los Hermanos – “O primeiro disco foi independente então tinha mais a cara da banda, era mais experimental, no segundo a gravadora já interviu, você percebe a diferença” – analisou um fã. E a mudança foi perceptível. No meio das baladas ele chamou seu parceiro China. com quem gravou em 2008 um álbum virtual e com quem divide algumas composições, para cantar com eles duas músicas que traziam uma pegada de hip hop.

Felipe e China

Nesse momento um rapaz da pláteia sobe ao palco e apresenta sua coreografia da música deles. O “dançarino” foi acalamdo e continuou no palco para dançar a música seguinte. Felipe, vocalista do Mombojó, voltou ao palco agradecendo aos fãs que acompanham o grupo, que semana que vem fará nove anos de carreira e está lançando seu 3º Cd, “Amigo do Tempo”. Começou então a cantar as músicas de sucesso do primeiro Cd e a multidão que se aglomerava embaixo da lona por conta da chuva cantava e dançava com empolgação, até invadirem o praticável. Ele terminou o show com a música “Deixe-se acreditar” ao som dos fãs que repetiam o refrão: ” Tudo pode ser, Nada vai acontecer, não tema. Esse é o reino da alegria”.

Você pode baixar os Cds do Mombojó aqui.

Texto: Simão Augusto/Tabuleiro Produções

Fotos: Tatiana Diniz

Vídeos: Maximiliano Leguiza

sábado, março 27th, 2010

CUFA debate Economia Solidária na Teia 2010

Por Fernanda Quevedo/Cobertura Colaborativa

CUFAs de Cuiabá, Sinop, Brasília, Olinda, Fortaleza e Maracanau buscam formação e informação no Encontro Nacional dos Pontos de Cultura

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Membros da Central Única das Favelas de Mato Grosso, Ceará, Pernambuco e Distrito Federal estão na Teia 2010 – Tambores Digitais, que esta acontecendo em Fortaleza desde o dia 25. Todos estão participando de seminários, oficinas e debates cuja pauta é a Economia Solidária. As discussões perpassam por eixos como comercialização de produtos oriundos dos Pontos de Cultura, sustentabilidade das ações, e a importância da comunicação em rede em todo o processo. Tudo aconteceu dentro da programação da Teia de Ações – Cultura e Práxis, que visam o amadurecimento das discussões e deliberações do Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, que começa amanhã (31).

Hoje, Karina Santiago (CUFA Cuiabá- MT) apresentou o Ponto de Cultura Pixaim no Seminário “A importância das redes para sustentabilidade do empreendedorismo”. Santiago ressaltou a importância de mapeamento dos Pontos de Cultura que trabalham pelo viés da Economia Solidária para a criação de dados objetivos que facilitam o planejamento dos pontos.

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Linha Dura se apresenta logo mais as 23h no Palco Verde do Dragão do Mar

Já Anderson Maciel (CUFA Sinop – MT) participou do Eixo Economia Viva onde a pauta principal era a comercialização. Vários ponteiros destacaram a dificuldade que sentem para o escoamento de seus produtos culturais.

Antonio de Pádua (CUFA DF) e Fábio Negão (CUFA PE) participam de mesas onde a formação em editais estão em pauta. Já a Francisco Elizeu (CUFA CE) esta coordenando o stand da CUFA na Feira de Economia Solidária, onde produtos de todas as bases estão em exposição.

Ainda hoje, Linha Dura faz apresentação no palco principal da Teia,  representando a mostra artística do Ponto de Cultura Pixaim da CUFA MT. O Encontro só acaba no dia 31, quando todos os cufistas voltam para suas respectivas bases democratizar as informações e o conhecimento adquirido.

sábado, março 27th, 2010

Tecendo redes para a sustentabilidade

Por Fernanda Quevedo

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Apresentação do Ponto de Cultura Pixaim (MT)

Dando continuidade a programação da Teia de Ações – Conceito e Práxis, aconteceu hoje pela manhã o Seminário “A importância das redes para sustentabilidade do empreendedorismo”. Como não poderia deixar de ser, os “ponteiros” compareceram em peso na discussão e o tempo parecia ser pequeno para a grandiosidade do tema: a comunicação em rede para o escoamento dos produtos dos Pontos de Cultura.

Que (se) comunicar é importante, isso todos nós sabemos. Porém, as formas para que isso aconteça de maneira produtiva e tragam visibilidade aos produtos dos pontos de cultura não é de conhecimento de todos, e não apenas por falta de informação ou coisa do tipo, mas porque se comunicar não é uma tarefa simples, ainda que a façamos a todo o momento.

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A comunicação não acontece apenas nos veículos de comunicação como este aqui, embora os veículos são extremamente importantes para o escoamento das produções. E mais, os ponteiros destacaram ainda a necessidade de se comunicar politicamente (não partidariamente), para que toda e qualquer roda de conversa, seja um espaço que crie a oportunidade para a circulação dos produtos dos Pontos de Cultura.

Um fato notório da discussão foi que vários ponteiros ainda não tinham conhecimento em economia solidaria, mas comercializam e trocam seus produtos, não se utilizam das formas taylorista e fordista de produção, e sabem que não vão enriquecer “fazendo” Cultura, o que demonstra, de forma mais objetiva, a necessidade de comunicação.

Os Pontos de Cultura tem um desafio pela frente enorme pela frente: se comunicar e em rede!

sexta-feira, março 26th, 2010

Fomentar o fomento

Economia Viva, um dos eixos temáticos da Teia de Ações é discutida com a presença de mais de quarenta pontos de cultura na Teia 2010.

Fotos por Cristina Fontão

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Produtos dos Pontos de Cultura disponíveis na Feira da ECSOL na Teia

Economia Viva é um dos eixos temáticos da Teia de Ações – Conceitos e Práxis que compõe a programação da Teia 2010 – Tambores Digitais. A idéia é que os Pontos de Cultura ligados aos Programas Cultura Viva e Mais Cultura apontem as dificuldades e soluções para as questões referentes a economia solidária dentro dos pontos. È bacana perceber quão debatido tem sido o conceito de economia solidária na Teia 2010.

A discussão começou hoje e grande parte dela foi permeada por duvidas e idéias acerca da circulação de produtos dos Pontos de Cultura. É unanime a idéia de que a formação e a capacitação oferecida pelos pontos não garantem a sustentabilidade dos mesmos, embora façam parte do processo.

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A necessidade de organização dos pontos em redes de comunicação foi fortemente apontada pelos pontos presentes, como uma forma de planejar a circulação dos pontos, seja de forma individual, mas principalmente coletiva.

Fomentar o fomento, expressão utilizada pela mediadora do debate, Andréia Saraiva é uma forma de potencializar o recurso dos pontos de cultura, de forma que eles possam se estruturar até que sejam sustentáveis, e mais, fazer isso de forma colaborativa. Esta é uma das estratégias apontada pelo grupo de forma a colocar em prática o conceito da economia solidária dentro dos pontos.

Veja mais fotos da #Teia2010 AQUI!

sexta-feira, março 26th, 2010

Ação Griô mobiliza assinaturas na TEIA 2010

O primeiro dia de atividades da Ação Griô, dentro da Teia das Ações, aconteceu na Galeria TOTA, no SESC,  ao lado do Centro Cultural Dragão do Mar. Mas quem chegava no pátio já sentia o clima. Seu Gilberto Augusto da Silva, “mas ninguém me conhece assim bote aí Mestre Gil do Jongo”, do Ponto de Cultura Jongo de Piquete – um novo olhar, de São Paulo resumia o que se passava por ali:

“Eu comparo isso aqui com uma rede de pesca, se um nó estiver frouxo não vai pegar nada…A gente veio aqui para apertar os nós, para ficar tudo ajustado e a gente conseguir ‘pescar’ melhor na nossa comunidade.”

Pontistas experimentam o Jongo.Atrás grupo Jongo de Piquete e Mestre Gil

Demonstrando no pátio essa dança-música que nasceu em São Paulo, mas tem um pé indisfarçável na África, atraiu muitos pontistas para experimentar dançar. E é dessas experimentações que se faz a TEIA. “A diversidade é grande, mas se percebe um elo entre todos que é o canal de troca de saber, de experiência” – disse ele.

Griôs Macuxis e a possibilidade de ensinar sua língua

Entrando no SESC as manifestações são ainda mais emocionadas. A mestra Laudisa, xamã da etnia macuxi, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, falou em seu idioma cantado, sobre a importãncia da Lei Griô. A lei, colocada como uma das 35 prioridades na II Conferência Nacional de Cultura que aconteceu esse mês em Brasília, institucionaliza o Programa Ação Griô, que valoriza os mestres dos saberes, geralmente idosos detentores de conhecimentos específicos. A princípio a Ação, que nasceu da iniciativa do Ponto de Cultura Luz Griô da cidade baiana de Lençóis, abalizava pessoas ligadas aos saberes “clássicos” : indígenas, afro, sertanejos, ribeirinhos. Mas o projeto se ampliou e hoje existem até Griôs do Futebol, são os Griôs da Escola de Futebol América do Amanhã, do Rio de Janeiro. Achou estranho?

“Uma identidade não se constrói da noite pro dia. O Brasil não é o país do Futebol assim, do nada. Tem toda uma história por trás disso que é importante se conhecer e valorizar.” – Tá explicado.

Os povos Macuxis, de Roraima, ainda salientaram a importância do projeto para o ensino da língua macuxi, que só pode ser ampliado por conta dos recursos do projeto e da valorização que tiveram através dele.

Marcos Bragança, Mestre Griô de Teatro de Rua

Marcos Bragança, é ator e também é Griô. Ele coordena há 30 anos a ong, hoje Ponto de Cultura, Tá na Rua – do Rio de Janeiro. É um Mestre Griô de Teatro de Rua. E

Sala lotada para assinatura em prol da Lei Griô

mostra que tem muito a ensinar: “O palco é a rua e a dramaturgia é construída no local, não há nem 1% de mentira no Teatro de Rua”. Ele diz que houve um encontro entre o Movimento de Teatro de Rua e o Projeto Griô, que segundo ele reconfigura o olhar histórico-social onde as crianças e velhos já seriam respeitados sem necessidade de leis, por sua sabedoria intrínseca – e completa: “Um país que precisa de lei pra cuidar de suas crianças e seus idosos certamente está doente. Nós não somos a minoria.”

A Ação Griô espera recolher 1 milhão de assinaturas em prol da Lei Griô durante a TEIA 2010.

Texto: Carine Araújo

Fotos: Simao Augusto

sexta-feira, março 26th, 2010

Célio Turino anuncia saída do MinC

Célio Turino, Secretário da Cidadania Cultural do MinC, anuncia sua saída do cargo logo mais na Abertura oficial da TEIA 2010 no Ceará. O secretário, conhecido por “criar” o Programa Pontos de Cultura se despede no evento que reúne quase 5000 representantes de Pontos de Cultura no Brasil e discute sua implantação na América Latina. Hoje estiveram reunidos representantes de vários países como Peru, Argentina e Colômbia, no Teatro do Centro Dragão do Mar discutindo os princípios de implantação do Programa Cultura Viva, que se tornou referência internacional.

Célio assegura que continuará seu trabalho com os Pontos de Cultura, auxiliando na criação da Lei Cultura Viva. “Os Pontos de Cultura já são uma realidade no Brasil inteiro, não há mais como recuar!” – disse ele.

O Encontro Nacional de Pontos de Cultura prossegue até dia 31 em Fortaleza  e promete mobilizar pessoas e idéias em prol da cultura brasileira.

Matéria: Carine Araújo