Pontos de Cultura

quarta-feira, março 31st, 2010

Pontos de Cultura conquistam vaga no Conselho Nacional de Política Cultural

No momento de fechamento da Teia 2010: Tambores Digitais, a grande notícia foi a confirmação, vinda de Brasília, de que a partir de agora os Pontos de Cultura terão um representante junto ao Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), órgão colegiado do Ministério da Cultura que visa propor a formulação de políticas públicas para o desenvolvimento e o fomento das atividades culturais no pais.

Agora, uma lista com três nomes deve ser enviada ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que aprovará uma das opções e, assim, definir o representante da Comissão Nacional junto ao CNPC.

Os três nomes indicados para compor a lista foram aceitos por consenso, e, agora, cabe ao Ministério escolher entre Chico Simões (Ponto de Cultura Invenção Brasileira – DF), Mário Brasil (Ponto de Cultura Naus – AC) e Norma Paula Moreira (Ponto de Cultura Roteiro de Luz – Instituto Cidade – CE).

Além da vaga no CNPC, os pontos terão representantes, também, na Comissão do Programa Cultura Viva. “Na verdade conquistamos, ao todo, 4 cadeiras: 3 no Cultura Viva – indicaremos três nomes e eles serão automaticamente aprovados -, e essa no Conselho ”, concluiu Gel Brito, do Centro do Teatro do Oprimido (Ponto de Cultura – RJ), membro da Comissão Executiva que organizou a Teia em Fortaleza

Representantes de Pontos de Cultura garantem presença na Teia 2010. Fotos: Maximiliano Leguiza

Segundo ele, o anúncio dessas novidades é uma prova indiscutível do reconhecimento, por parte do governo, da importância dos Pontos de Cultura no contexto social brasileiro: “São poucas as entidades e movimentos que têm assento nesse Conselho, que define políticas pública para o Brasil. Isso significa que os Pontos de Cultura estão assumindo espaços cada vez maiores nessa discussão”. Gel Brito comemorou a notícia e destacou que essas conquistam reforçam o movimento.

O encerramento das atividades da Teia aconteceu na manhã de quarta-feira (31), no Sebrae, quando chegou ao fim a atual gestão da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e houve a apresentação dos novos 52 integrantes (27 representantes dos estados e 25 representantes de grupos de trabalhos, GTs). Por meio de votação, foi decidido que, dentro de 90 dias (em julho, portanto), será realizada a primeira reunião presencial da nova Comissão. Mas as conversas iniciais devem acontecer o mais breve possível, por meio da internet.

Representantes de Pontos de Cultura garantem presença na Teia 2010. Fotos: Maximiliano Leguiza

GT – Matriz Africana


Vídeo: Maximiliano Leguiza

AVALIAÇÃO

Norma Paula Moreira, Coordenadora Geral da Teia 2010, destacou a participação dos representantes de Pontos em todos os eventos programados, desde as apresentações da Mostra Artística até a Plenária Final, quando foram apresentadas as propostas dos fóruns estaduais e dos GTs.

Para ela, o evento foi bem sucedido e isso fica muito claro se observada a variedade e força das propostas apresentadas, tanto federais quanto estaduais, todas no sentido de engrandecer o Programa Cultura Viva em todos o território brasileiro. “Resta agora que os governos acatem essas decisões e, daí, vem a importância dessas comissões que alguns estados criaram – como é o caso do Ceará – que vão trabalhar muito para que essas propostas e deliberações não fiquem no papel”, explicou.

Outro detalhe apontado pela Coordenadora Geral do evento foi a composição dessa nova Comissão Nacional, que tem muitas pessoas novas. “E essa mistura do novo com a experiência de quem já participava do processo cria a perspectiva de se dar uma grande alavancada nos trabalhos”, conta.

Os números finais da Teia devem estar disponíveis em aproximadamente um mês, mas Norma adiantou que o evento contou com a participação de aproximadamente 5 mil pessoas, além do apoio de grande parte da população de Fortaleza. “A cidade atendeu o chamado, sentiu-se dona da Teia e contemplada em todas as atividades. Cheguei a ouvir ‘Que legal que os pontos de Cultura fizeram isso para a gente’”, comemorou. E a despeito de todos os problemas que possam ter acontecido, ela acredita que essa Teia foi a mais aconchegante de todas as que já aconteceram.

Por Luciane Zuê (Pontão de Cultura Digital Ganesha) – Cobertura Compartilhada

quarta-feira, março 31st, 2010

TT Catalão: “Vai dar tudo certo”

Com declarações baseadas num misto de otimismo e cautela, TT Catalão – que assume o lugar de Célio Turino na Secretaria de Cidadania Cultural do Ministerio da Cultura (MinC) – reforçou o que já havia adiantado durante a Teia Sul (que aconteceu em São Francisco do Sul- SC, de 26 a 28 de fevereiro): institucionalmente o Programa Cultura Viva está garantido, para além do governo atual.

Isso porque o Ministério da Cultura contemplou o Programa na minuta enviada à Casa Civil, destinada a consolidar as leis sociais do Governo Lula. Ele adiantou, entretanto, que essa discussão sobre a transformação do Programa em lei segue em duas frentes diferentes: a institucional e a social, e que tanto o governo quanto a sociedade fazem sua parte – o primeiro ao deixar o processo encaminhado e a sociedade, ao buscar a legitimidade através de manifestações populares, abaixo-assinado, etc….

Essas duas frentes de ação, de acordo com TT, devem convergir no Congresso Nacional. “É lá que esse jogo vai ter que se definir. Aí não depende mais da gente. Depende da nossa pressão, sim, mas não depende da gente”, explicou, acrescentando que em todo esse processo, Estado e sociedade estão se encontrando, falando a mesma língua. “Nesse caso tem acontecido uma coisa rara, que é o Estado ter as ruas de seu lado”, acrescentou.

TT fez uma leitura pessoal sobre os desdobramentos possíveis para esse processo. Segundo ele, uma coisa que já se desenha é que um comitê supra-partidário deve assumir o programa, o que se justifica pelo fato de que os Pontos de Cultura se espalham por vários estados, governados por partidos diferentes. Como exemplo, citou o estado de Alagoas, governado pelo PSDB (considerado partido de oposição), e extremamente comprometido com o Cultura Viva e todas as suas ações. “Isso mostra que as diretrizes partidárias não têm essa rigidez toda, e o que conta na verdade é conhecer o Programa e reconhecer sua importância. Também, quem vai ser contra? É quase como ser contra o Dia das Mães”, comentou.

FUTURO

TT demonstra total serenidade para assumir a Secretaria de Cidadania Cultura (SCC)l, mesmo reconhecendo como um desafio de grandes proporções estabelecer a conexão entre os vários pontos de cultura que florescem por todo o País. “Vivemos um momento de impasse: temos pontos de cultura, mas uma rede ainda em formação. Está faltando a Teia mesmo”, afirma, lembrando que a gestão desse processo ficou ainda mais complexa depois que os convênios passaram a ser efetivado também através dos estados, num princípio de gestão compartilhada.

Esse, aliás, é um dos pontos aos quais TT pretende dar muita atenção a partir de abril, quando assume efetivamente o cargo na SCC. Segundo ele, o diálogo com os estados já teve início em dezembro e a proposta agora é intensificar esse contato. Além disso, TT pretende dar atenção à questão da estética e da linguagem, dos signos e apropriações,  tópicos que ele explica como “diálogo das tramas”. “Essa é a minha praia. Aliás, foi assim que entrei no programa… escrevendo, fazendo frases, fotografando, me aventurando pela narrativa simbólica. Só agora eu estou ‘encrachazado’. Mas vai dar tudo certo”, finalizou.

Veja o que já publicamos sobre TT aqui, aqui, aqui e aqui.   

Por: Luciane Zuê (Pontão Ganesha de Cultura Digital) – Cobertura Compartilhada

terça-feira, março 30th, 2010

GT discute importancia do Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais, os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Sendo eles: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma Ação Audiovisual Cultura Viva.

“É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam”, explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Santa Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, disse que esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e na TV Brasil, mas não só nela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?”, disse.

Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porque se você passa um ano formando o jovem e depois não o aproveita, não adianta”. Para ela, os valores de financimento do audiovisual no Brasil são um nó, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual diz respeito ao mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado”, declarou. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

 


Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)


Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)


Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)


Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva


Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio


Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)


Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

Vejam as fotos do GT:

Paulo Roberto explica o Laboratório Cultura Viva

Plenária vota as propostas

Davy Alexandrinsky e Luísa Falcão

Jader Costa: Milhares são resgatados pelo audiovisual

Carine Araújo e o projeto Do Ponto ao Mundo

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

terça-feira, março 30th, 2010

Pontos de Memória vão integrar Programa Cultura Viva

Seguindo o Museu Cortejo, unidos e embalados por canções e marchinhas de luta e alegria, os cerca de 40 participantes da Teia da Memória – representando 16 comunidades das cinco regiões do país – finalizaram o encontro das iniciativas dentro da Teia Brasil 2010- Tambores Digitais, no domingo (28), percorrendo o Dragão do Mar, levantando a bandeira de um futuro promissor rumo ao direito à memória.

O evento não só proporcionou o compartilhamento de ideias, anseios, desafios e definição de estratégias, como também marcou a parceria, no primeiro dia (26), entre a Secretaria de Cidadania Cultural (SCC/MinC), com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), afim de integrar os Pontos de Memória ao Programa Cultura Viva, assegurando mecanismos de investimentos para o desenvolvimento da iniciativa e integração aos Pontos de Cultura.

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Para Jô Brandão (foto1), coordenadora de ações ligadas à SCC/MinC, a proposta do Projeto Pontos de Memória, que vem apoiando comunidades que já realizam ações de memória, merece o apoio da secretaria pois seguem a mesma linha de atuação dos pontos de cultura e a filosofia do “do-in antropológico”, criada pelo ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Desde a primeira Teia da Memória, em Salvador, no ano passado, percebemos essa interação com a proposta dos Pontos de Cultura. Desde então, o projeto Pontos de Memória está ‘no nosso colo’, sendo tratado com cuidado, porque sabemos da importância da memória para o fortalecimento do processo de identidades das populações que não foram reconhecidas pela história oficial, disse Jô Brandão.

A coordenadora de Museologia Social e Educação do Ibram, Marcelle Pereira, enfatizou o resultado positivo da parceria. “É uma alegria para o Ibram apoiar esta iniciativa de transformação social através da memória. A integração é um avanço. Saímos daqui fortalecidos e com o espírito multiplicador”.

O primeiro dia de encontro também contou com a apresentação da representante da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Cláudia Castro, e com palestra de um dos sócio-fundadores do Museu da Maré, no Rio de Janeiro, Antônio Carlos Vieira, que falou sobre a experiência do museu pautada no protagonismo comunitário.

Na ocasião, Carlos Vieira convidou os participantes a refletir sobre o poder transformador da memória. “Falar de memória e falar da vida e do tempo. Memória são experiências vividas e também pode ser a construção do que não vivemos. Como pontos de memória temos a possibilidade de legitimar nossa história a partir da nossa perspectiva”.

No segundo dia foi apresentado o leque de propostas de oficinas a serem oferecidas pelo Ibram e, em grupo, foram elaboradas as proposições apresentadas na plenária Teia das Ações e no III Fórum Nacional dos Pontos de Cultura.

As propostas passam pela integração dos Pontos de Memória ao Programa Cultura Viva, respeitando suas especificidades e necessidades. Desta forma, foram garantidos mecanismos de financiamento e desenvolvimento à criação de um grupo temático denominado “Memória e Museus”, na instância do Fórum Nacional dos Pontos de Cultura, para propor políticas públicas para o setor.

O terceiro dia de encontro também foi marcado pela palestra sobre inventário participativo do coordenador de Patrimônio Museológico do Ibram, Cícero de Almeida. Ele lembrou que o inventário deve lidar com as várias forças representativas da comunidade, em harmonia, e que a participação tem de pressupor a capacidade de lidar com a diferença. “A participação é o grande foco deste projeto. Durante o inventário, o grande desafio é perceber a igualdade na diferença e a diferença na igualdade. O que selecionar? Selecionar é pensar no conjunto complexo de possibilidades em conjunto com a vida.”

Para finalizar, a Roda de Memória propiciou integração entre os representantes dos pontos, que puderam contar histórias da comunidade e falar sobre as expectativas. “As pessoas estão perdendo a memória do bairro. Mas acredito que este momento marca o começo de uma grande história, com diversas representações da comunidade se organizando pela mesma questão. O museu vai ajudar o Sítio cercado, que só é lembrado como lugar de violência, disse Palmira de Oliveira, do Museu de Periferia – MUPE, do Sítio Cercado, em Curitiba.

Livaldo Degásperi apresentou a proposta do Ponto de Memória de São Pedro, no Espírito Santo, pautada na história de luta pelo território, registrada através das Ruas da Resistência, Conquista, Luta e União.

Emília de Souza, do ponto de memória do Horto, no Rio de Janeiro, levantou o conflito que a comunidade vem enfrentando pela permanência no bairro e o papel da memória nesse combate. “ Sabemos que a memória é tão importante que os inimigos querem se apropriar dela.  Esse é o nosso maior instrumento. A comunidade está coesa se apropriando da idéia do Museu de Percurso Vila do Horto.”

Rildo Fernandes, da comunidade do Coque, em Recife, disse que o local é um ponto turístico que precisa ser revitalizado e ter a sua história contada. “Acredito que com o Museu do Mangue do Coque esse quadro vai mudar para o homem-caranguejo. Quem não sabe nadar e dançar não pode viver no coque,” finalizou com aplauso do grupo.

“Saio daqui mais fortalecida, com muita vontade de trabalhar e colocar nosso museu para funcionar, disse Deuzâni Noleto, do Ponto de Memória da Estrutural, no Distrito Federal.”

Pontos de Memória – O Ibram acredita que o direito à memória precisa ser conquistado, mantido e exercido como direito de cidadania, como direito que precisa ser democratizado e comunicado entre os diferentes grupos sociais existentes no Brasil. É por esse direito e luta que está desenvolvendo o Projeto Pontos de Memória – resultado de parceria com o Programa Mais Cultura e, agora, com a Secretaria de Cidadania Cultural, do Ministério da Cultura, o Programa Nacional de Segurança com Cidadania – Pronasci, do Ministério da Justiça, e a Organização dos Estados Ibero-americanos.

O projeto vem apoiando ações de memória em comunidades de todo o Brasil. Estão em fase de consolidação 12 Pontos de Memória, situados em comunidades populares nas cidades de Belém- PA, Belo Horizonte – MG, Brasília – DF, Curitiba – PR, Fortaleza – CE, Maceió – AL, Porto Alegre – RS, Recife – PE, Rio de Janeiro, Salvador – BA, São Paulo – SP, Vitória – ES.

Também estão em desenvolvimento, com apoio do Ibram, iniciativas comunitárias a partir da realização de oficinas temáticas e consultorias técnicas e grupos envolvidos nas ações de preservação da memória local. Como exemplo de tais iniciativas, destacamos o Ecomuseu da Amazônia (Belém – PA), os Museus Sankofa da Rocinha e Vila do Horto (Rio de Janeiro – RJ) e o Museu Vivo do São Bento (Duque de Caxias – RJ).

Por Sara Schuabb Couto

segunda-feira, março 29th, 2010

Rapper Linha Dura se apresenta junto ao Cururu e Siriri

Linha Dura ao lado de gestores culturais e mestres da Cultura de Mato Grosso

O Palco Verde, montado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, onde foi realizada a Mostra Artística da Teia 2010-Tambores Digitais foi pequeno diante a grandiosidade de artistas, talentos, e também oportunidades de divulgação e difusão de produções culturais de Pontos de Cultura de todo o país.

Para os pontos do estado de Mato Grosso, a mostra artística do Ponto de Cultura Pixaim foi um reflexo disso. O rapper Linha Dura teve a oportunidade de tocar ao lado dos mestres do Cururu e Siriri. O encontro já era esperado pelo rapper que pesquisa a música Mato-Grossense de forma a unir duas grandes representações culturais, o Rap e Siriri e Cururu. Tal encontro já fora planejado algumas vezes, mas só foi possível na Teia 2010.

Para os cururueiros, a participação no show de Linha Dura significou mais uma oportunidade de difusão da cultura Mato-grossense. Também participaram dos shows os B.boys da CUFA de Maracanau (CE), de forma que a mostra do Ponto de Cultura Pixaim foi palco para diversas manifestações artísticas, mas principalmente para a difusão da cultura do estado.

Linha Dura no Palco da Teia 2010. Foto Fernanda Quevedo

São manifestações folclóricas típicas das regiões pantaneiras expressadas em versos, passos e seqüências, sendo que o Cururu só pode ser tocado e dançado por homens. Os instrumentos utilizados são a viola de cocho feita com madeira e cordas produzidas com tripas de animais, como o macacos.

São utilizados também o mocho e o ganzá, que dão um peso ao som. Nenhuma dessas manifestações esta registrada em livros e/ou museus. A tradição é preservada e passada de pais para filhos. Existe forte presença da religiosidade católica entre nas musicas e festas de cururu e siriri.

Por Fernanda Quevedo

segunda-feira, março 29th, 2010

Cortejo Ebulição dos Libertos atrai cerca de dois mil brincantes

Brincantes celebram cultura no Cortejo. Foto: Leandro Cunha

Brincantes celebram cultura nacional no Cortejo. Foto: Leandro Cunha (comunicação colaborativa)

O Cortejo da Cidadania “Ebulição dos Libertos” foi um dos destaques da programação da Teia 2010 no domingo (28), que esta chegando à reta final. O cortejo foi caracterizado como uma celebração da Teia, mais especificamente da Mostra Artística, que integrou a programação do evento.

No Cortejo, Pontos de Cultura do Ceará e do Pará fizeram uma alusão ao líder abolicionista jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar. Mas não foram só os “ponteiros” que participaram da celebração. De acordo com a Policia Militar, cerca de duas mil pessoas, entre dezenas de turistas e cearenses de vários municípios do estado, brincaram e dançaram ao som do Maracatu e assistiram às intervenções teatrais.

Foi o caso de Darlene Kopisnk, gestora do Pontão Vivenciando Culturas, do Paraná. Darlene estava entusiasmada: “Esse cortejo é um retrato do nosso país. Significa união, integração, protagonismo. Não há melhor forma de vivenciar a Teia, e tudo aquilo que ela significa para a Cultura do nosso país”, comenta a gestora que trabalha com jovens de periferia, usando a música como ferramenta de reintegração social.

Participaram da celebração os Multiplicadores da Música e Boi Juventude, ambos são Ponto de Cultura de Fortaleza  (CE), e a inusitada Caravana Carbono Neutro de Belém (PA). O cortejo político-cultural encerrou-se com chuva, no Aterrinho da Praia Iracema, refrescando os brincantes – o que não diminuiu em nada a animação.

Por Fernanda Quevedo (comunicação compartilhada)

segunda-feira, março 29th, 2010

Mostra Artística chega ao fim com muita festa

O Aterrinho da Praia de Iracema ficou colorido. Multicolorido. O Cortejo da Cidadania “Ebulição dos Libertos”, que marcou o encerramento da Mostra Artística e das Ações Cultura Viva na programação da Teia 2010: Tambores Digitais, trouxe às ruas de Fortaleza a diversidade brasileira manifesta nas fantasias, nos cânticos, nos batuques, nos rostos das pessoas.

Foi um encontro de gerações, de etnias, de sotaques, de olhares. “Dá pra ver que são diferentes, mas existe um elo que os conectam e eu acho que esse elo é o amor pela sua cultura”, declarou a cearense Virgínia Rodrigues, que assistia à passagem do cortejo pelas ruas.

De volta ao Dragão do Mar, o palco já estava armado para receber as últimas atrações do evento, que continua até quarta-feira com a realização do III Fórum Nacional dos Pontos de Cultura (FNPC), agregando delegados representantes de cada Ponto de Cultura do Brasil.

Os shows tiveram início com a apresentação de Pingo de Fortaleza e Calé Alencar, dois grandes representantes da cultura de Fortaleza e defensores do maracatu cearense. Parceiros de longa data eles mostraram entrosamento no palco.

Depois foi a vez do Coletivo Rádio Cipó (PA) e sua música eletrônica. Com a música “Emoriô” o grupo Kilombando (MG) iniciou sua apresentação, que trouxe ainda  músicas como  “Mundo Negro”, louvando a afirmação da identidade afro-brasileira.

Chico César encerrou a última noite da Mostra Artística da Teia 2010/Foto: Italo Rios

Chico César encerrou a última noite da Mostra Artística da Teia 2010 Foto: Italo Rios

E por falar em afirmação, foi com esse espírito que Chico César subiu ao palco às 23h30. Trazendo as músicas tradicionais da região nordeste como xotes, forrós, frevos e afoxés, ele levantou o público que lotava a Beira-Mar. Cantando seus principais hits como “Mama África” e “Respeitem meus cabelos, brancos” sempre entremeados de outra músicas em arranjos que já fazem parte de sua forma de cantar, ele reforçou a idéia da identidade negra.

E os rastafaris e black powers responderam balançando os cabelos e cantando bem alto. O momento romântico veio com a música “É só pensar em você” e em toda praia se viam beijos apaixonados e casais dançando abraçadinhos. Mas logo a dança voltou a ser “anarriê/alavantu” e o forró dominou a cena até o fim da apresentação. Ao cantar uma música de parceria com Dominguinhos, “Deus me proteja”, ele disse:

“E por falar em Mestre (Dominguinhos), gostaria de saudar os mestres griôs aqui presentes e pedir a todos que assinem e lutem pela aprovação da Lei Griô no Congresso para garantir que os saberes, que a oralidade, que as tradições não morram.”

Chico César, que é o atual presidente da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), na Paraíba, sua terra natal, concilia a agenda artística com suas atividades à frente da gestão pública e revela que esteve na II Conferência Nacional de Cultura, acontecida este mês em Brasília, para lutar pelas demandas percebidas junto ao povo, aos trabalhadores da cultura. Entre elas está também a criação da Lei Cultura Viva.

Chico César encerrou sua participação  apresentando sua banda – um show à parte – com a música “Pedra de Responsa” que louva São Luís do Maranhão.

D. Zefinha
D. Zefinha foi a vez da música alegórica do grupo Dona Zefinha. Com uma performance marcante os músicos se desdobravam no palco numa apresentação que era música, mas era mais: era também teatro, dança, comédia, poesia, improviso, talvez pela influência do Orlângelo Leal, vocalista, que é ator e diretor teatral. “É uma alegria muito grande tocar na minha terra, num evento como a Teia e no mesmo palco que Chico César, que a gente admira demais.” – disse ele, que já esteve em outros palcos importantes em todo o Brasil e fora dele. O grupo, em que todos são arte-educadores e atores, trabalha o segundo CD, intitulado “Zefinha vai à Feira”. (Conheça mais sobre o grupo aqui.)

No final da festa, o reggae baiano da banda Trilheirus. Os meninos de Andaraí, na Chapada Diamantina, colocaram o público pra dançar até o dia amanhecer.

Por Carine Araújo/Tabuleiro Produções

segunda-feira, março 29th, 2010

Direito autoral é tema de seminário

Por: Ana Facundes

Seminário discute anteprojeto para revisão da lei autoral brasileira

Seminário discute anteprojeto para revisão da lei autoral brasileira. Foto: Paulo Indio e Guilherme Marin (iVoz)

No Seminário Tambores Digitais, realizado na Teia 2010, foi apresentado o anteprojeto para revisão da lei autoral brasileira, uma das mais rígidas do mundo. O texto preparado pelo Ministério da Cultura (MinC) está agora na Casa Civil e, antes de ser enviado ao Congresso Nacional, passará por consulta pública na Internet a partir de abril.

Segundo o coordenador-geral de Direitos Autorais do Ministério da Cultura (MinC), Marcos Alves de Souza, a lei é tão dura, que vira motivo de piada: “cuidado para não assobiar em dó-ré-mi ou terá que pagar direitos ao ECAD”. Um dos objetivos da revisão é justamente permitir vários usos sem necessidade de pagamento ou permissão, pois a lei atual impede o acesso das pessoas a bens culturais, o que pode ser considerado inconstitucional, do ponto de vista do direito à cultura e da liberdade de expressão.

O ECAD, que hoje detém por lei o monopólio da arrecadação e da distribuição de direitos autorais no Brasil, mas não sofre qualquer fiscalização ou controle do Estado, é uma entidade privada e já foi objeto de CPIs em São Paulo, Brasília e Mato Grosso. A última, em 2009, na Assembleia Legislativa de SP, aponta em seu relatório a necessidade de extinção desse monopólio e de uma nova lei, pois “Uma legislação bem fundada, que motive o músico a prosseguir criando e sobrevivendo com dignidade, servirá de fulcro ao desenvolvimento da arte, em particular, da cultura, e do desenvolvimento, como um todo.”

Nesse cenário cheio de distorções, a lei que deveria proteger o autor, na verdade protege os atravessadores (a gravadora, a editora, etc.), que apelam à criminalização dos consumidores que não pagam direitos, supostamente por defenderem os direitos dos autores. Um dos argumentos correntes contra a revisão da lei é o de que o artista não terá motivação para continuar criando. Na opinião de Souza, não se pode considerar que o artista abandonará sua arte por causa de uma lei, que deve servir para que ele exerça o direito de viver de seu trabalho, mas sem impedir o acesso a sua obra. Isso equilibraria a relação entre autor e atravessador, garantindo que a cobrança não seja abusiva e que os créditos de fato cheguem ao autor.

A consulta pública promovida a partir de abril pela Internet usará a mesma plataforma da consulta do Marco Civil de Uso de Internet: “tudo será clicável e comentável e todos verão os comentários, garantindo uma forma democrática de consulta”. Souza convocou o público do seminário a participar e divulgar a consulta, como forma de garantir a aprovação dos dispositivos que ampliam os direitos do cidadão e defendem os direitos dos autores, porque certamente as partes afetadas pela quebra do monopólio e da concentração estarão organizadas nesse embate.

domingo, março 28th, 2010

Breve reflexão sobre a trama dos tambores

Kaosnavial na Teia 2010 - Foto: André Goldman

Kaosnavial na Teia 2010 - Foto: André Goldman

A pluralidade de criações artísticas apresentadas na Teia 2010: tambores digitais, em muitos momentos, aparenta ser uma continuidade de um processo de criação artística que, sobretudo a partir dos anos 90, buscou na cultura popular sua principal fonte. É comum, ainda hoje, ver empregados, e cada vez mais enraizados, os conceitos de modernidade e tradição; rural e urbano; centro e periferia. Nenhuma noção dessas tornou-se ultrapassada, como reflete a expressão que se usa hoje com um certo desdém : “isso é tão anos 90…”, para referir-se a algo que se considera datado.

No caso das produções artísticas daqueles anos, em suas mais variadas linguagens, o que foi pensado pelas cabeças mais iluminadas ainda reverbera e influencia as novas criações. No Recife, a música de Chico Science, respaldada por um conceito inteiramente novo, ultrapassaria limites e fronteiras e se tornaria uma espécie de guia. O manifesto mangue trazia em seu texto uma lição que, ao contrário de ser esquecida, foi reconectada a novos pensamentos. Pode-se dizer que as linhas da teia já eram fiadas desde ali.

“Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco da energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife… O objetivo é engendrar um “circuito energético” capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação pop. Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama”, escreveram os mangueboys, como se intitularam os cabeças do movimento cultural recifense. Quase duas décadas depois, o ministro Gilberto Gil – um apreciador do manguebeat, que também compartilhou dos seus louvores mundo afora – criou um conceito de política pública a partir de uma metáfora semelhante.

“Clarear caminhos, abrir clareiras, estimular, abrigar. Para fazer uma espécie de “do-in” antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos do corpo cultural do país… O espaço da abertura para a criatividade popular e para as novas linguagens”, colocou o então ministro. “Circuito energético”, “do-in”, “deslobotomizar”, “massagear” estão tão enredados que não há como assistir a um evento como a Teia sem imaginá-la como uma árvore frondosa que começa a dar frutos, cujas sementes foram plantadas no passado.

Exemplos

Apresentação do Manguerê / Foto: SCC/MinC

Apresentação do Manguerê / Foto: SCC/MinC

O Ponto de Cultura Manguerê, do Espírito Santo, executa na apresentação musical dos seus jovens alguns clássicos do mangueboy Chico. No Circo Teatro Escola Canoa Criança, do Ceará, os “caixas” dos meninos reproduziam batidas do manguebeat. Seu vocalista usava até acessórios “anos 90”, como chapéu de palha contrastando com óculos de sol estilo surfista. Litoral e periferia. As conexões não findam.

Os maracatus todos presentes na mostra artística da Teia também foram valorizados e restaurados a partir daqueles anos em que os artistas buscaram sua identidade cultural nas manifestações mais ancestrais de suas comunidades, sociedades. Alguns grupos, como o Estrela de Ouro de Aliança – cujas atividades tornou seu Ponto de Cultura um dos mais premiados do Programa Cultura Viva, do Minc – deu um salto. Criou um espetáculo intitulado Kaosnavial, também apresentado nesta Teia, que mescla as suas sambadas rurais com guitarras, baixo e o violino de um mestre vanguardista, Jorge Mautner. Este, por sua vez, foi deslobotomizado e massageado após a regravação, por Chico Science, de uma de suas músicas mais belas, chamada Maracatu Atômico.

Toda cultura popular revisitadada honra os ideais do manguebeat e do “do-in” gilbertiano. Tambores digitais – tema do encontro este ano – se reconecta à “Afrociberdelia” (1996) e a “Quanta” (1997), álbuns referência de CSNZ e Gil, respectivamente. É bom pensar que, se o ninho desta trama é tão anterior a tudo que se comemora agora, seu alcance pode ir a uma longa distância do ponto em que estamos agora. A linha é a mesma.

Por Michelle Assumpção (Diario de Pernambuco)

domingo, março 28th, 2010

EmTempoReal

Os associados da Rede Ivoz  que estão participando da Teia 2010- Tambores Digitais criaram um álbum no flickr EmTempoReal com a finalidade de cobrir as ações da Teia 2010 e postar conteúdos à medida em que as intervenções ocorrem.  Acessem:  http://www.flickr.com/photos/teia2010/sets/72157623590661487/

Acompanhe os comentários das fotos e intervenções pelo twitter http://twitter.com/ivoz