teia2010

terça-feira, abril 6th, 2010

Cordel sobre o Banco Palmas em Fortaleza (CE)

Cédulas de palmas - Foto: comunicação colaborativa.

O Conjunto Palmeiras é um promissor complexo de residências populares na zona sul periférica de Fortaleza, cidade do Sol, capital do Ceará.

Nele, uma experiência modelo para o mundo da “socioeconomia” solidária, aqui em literatura de cordel. Informações detalhadas sobre essa iniciativa, navegue pelo Portal do Banco Palmas.

Esse conjunto é mesmo arretado,
residem 30.000 pessoas,
humildes, guerreiros sonhadores
para nada ficam à toa.
Foi por lá que começou
um processo que vou contar
a criação do Banco Palmas
uma ação solidária pra ficar.

Alguns já ouviram falar
de uma economia jovem
que é capaz de gerar,
renda para a comunidade
sem o dinheiro centralizar.

O nome é fácil decorar
são valores que gosto
e procuro aclamar,
são repletos de significado
Economia Solidária
uma teia a prosperar.

Foi pioneira a iniciativa
principalmente no País
que surgiu assim com encanto
o primeiro banco comunitário no Brasil.

No ano de 1998
já comemorou-se 12 anos
que surgiu o Bancos Palmas
e seus créditos sem juros
transparente nas finanças,
sem criar desconfiança
gerando renda em louvor
ao trabalho da esperança.

Apenas 10 clientes,
e nada mais que R$ 2.000,
que uma estória começou,
a revolucionar o Brasil.
É beleza de se ver,
o que acontece aqui,
a moeda que  circula,
vai e volta e fica ali.

O nome dela é Palmas
inspirada na comunidade
que como tem que ser,
reforça sua identidade.

Não é igual a um banco,
pois tem fortes diferenças
de valores e conceitos,
pois no Palmas se buscou
com muito respeito
fugindo do preconceito
a busca por um consenso.

Dos empréstimos vou falar.
é sem juros o micro-crédito
com confiança no ator local,
destoa  dos grandes bancos,
que deixam o povo mal
sem ter como pagar
o dinheiro emprestado
e o juros que foi roubado.

Tem loja pra vender,
os produtos locais
são esses os atores
sociais e culturais
feitos pelos empreendimentos
que o banco vem incubar.

Tem roupas
mel e sabão,
tudo que é gerado
é de base comunitária
assim é que dá gosto,
da compra benfeitorada.

Pra participar é fácil entrar
mas na comunidade
tem que morar.
Sem delongas
ou fichas de azar
basta ser sincero,
e no banco se cadastrar.

Esse banco é bom lembrar,
se quiser pode estudar
quem sabe um dia nós
por que não sonhar,
vamos ter os nossos bancos
pra  comunidade administrar.

Por Thomas Enlazador

Leia também Pontos de Cultura visitam banco comunitário de Fortaleza

segunda-feira, abril 5th, 2010

Participação e experiência lotam bagagem de volta

História de conquistas / Foto: Tatiana Diniz

Às 10h30 da manhã de 25/03, a pernambucana Andresa Wanderlúcia de Souza recebeu um telefonema. Precisava sair da sua casa no Morro da Conceição e embarcar num vôo Recife-Fortaleza para participar da Teia 2010: tambores digitais. Tinha uma hora e meia. “Enfiei numa mala o que consegui, esqueci metade das coisas. Mas consegui pegar o avião”, conta.

Andresa sabia que vir ao encontro era importante. Delegada representante do Ponto de Cultura Negras Raízes, ela participaria de discussões relevantes para o futuro do Centro de Formação do Educador Popular Maria da Conceição, do qual faz parte. O trabalho do centro ganhou impulso quando virou Ponto de Cultura em 2006, mas já existia há mais de 20 anos. Foi ampliado e hoje atinge crianças e jovens de três quilombos urbanos e mais três rurais, com uma proposta que otimiza a educação a partir da cultura. “A ideia é desenvolver estratégias para que esses quilombos se sustentem, além de fazer um levantamento de suas histórias e tradições”, explica.

A ligação de Andresa com essa abordagem transformativa se mistura à história da sua própria vida. Foi na escolinha do centro no Morro da Conceição que ela cursou o ensino fundamental. Foi lá também onde conseguiu o primeiro emprego, como auxiliar de sala de aula. Virou secretária e administradora, posto que já ocupava na longa espera de um ano pela liberação do recurso e no desafio de utilizá-lo adequadamente. Hoje ela cursa o primeiro semestre de administração, mas comenta que aprendeu a administrar na prática: “Entrei na faculdade por necessidade, já havia assumido a função. Agora vou conquistar o diploma.”

Na Teia 2010, Andresa se inscreveu no Grupo de Trabalho sobre sustentabilidade. Refletir sobre como os Pontos de Cultura conseguirão se manter é, hoje, um dos maiores desafios da proposta. Some-se a isso a necessidade de pensar sustentabilidade a partir de seus três pilares: o econômico, o social e o  ambiental.

Na sala de cinema 2 do Dragão do Mar, representantes de vários Pontos de Cultura compartilharam experiências e dúvidas sobre o tema, elegeram um representante e redigiram quatro propostas levadas à plenária na tarde de ontem. O voto de Andresa foi mais um passo num processo em que atores sociais, pela primeira vez na história do país, participam ativamente da elaboração das políticas públicas culturais.

Andresa se orgulha disso e observa que sua trajetória poderia ter sido muito diferente. Conta que teve o primeiro filho aos 16 anos, o segundo em seguida. Parou de estudar, voltou para a escola, desistiu outra vez, fez supletivo. Por muito tempo não imaginou que cursaria uma universidade. “Foram muitas conquistas. O centro foi o incentivo para que eu trabalhasse, a chance de não perder meu futuro, nem o futuro dos meus filhos. Como Ponto de Cultura ganhamos um apoio financeiro, mas o reconhecimento e a visibilidade das nossa ações foi o mais importante”, avalia.

Com um abraço ela se despede, seu vôo de volta sai às 5h. No seu currículo entra mais uma Teia, como as de São Paulo e Brasília, das quais também participou. Há dez anos, lembra, não costumava viajar, saía pouco do Recife. “Toda vez, embarco com uma mala e volto com duas. A segunda é a melhor bagagem que carrego: vai lotada de conhecimento e experiência”, conclui.

Por Tatiana Diniz

quarta-feira, março 31st, 2010

Pontos de Cultura conquistam vaga no Conselho Nacional de Política Cultural

No momento de fechamento da Teia 2010: Tambores Digitais, a grande notícia foi a confirmação, vinda de Brasília, de que a partir de agora os Pontos de Cultura terão um representante junto ao Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), órgão colegiado do Ministério da Cultura que visa propor a formulação de políticas públicas para o desenvolvimento e o fomento das atividades culturais no pais.

Agora, uma lista com três nomes deve ser enviada ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que aprovará uma das opções e, assim, definir o representante da Comissão Nacional junto ao CNPC.

Os três nomes indicados para compor a lista foram aceitos por consenso, e, agora, cabe ao Ministério escolher entre Chico Simões (Ponto de Cultura Invenção Brasileira – DF), Mário Brasil (Ponto de Cultura Naus – AC) e Norma Paula Moreira (Ponto de Cultura Roteiro de Luz – Instituto Cidade – CE).

Além da vaga no CNPC, os pontos terão representantes, também, na Comissão do Programa Cultura Viva. “Na verdade conquistamos, ao todo, 4 cadeiras: 3 no Cultura Viva – indicaremos três nomes e eles serão automaticamente aprovados -, e essa no Conselho ”, concluiu Gel Brito, do Centro do Teatro do Oprimido (Ponto de Cultura – RJ), membro da Comissão Executiva que organizou a Teia em Fortaleza

Representantes de Pontos de Cultura garantem presença na Teia 2010. Fotos: Maximiliano Leguiza

Segundo ele, o anúncio dessas novidades é uma prova indiscutível do reconhecimento, por parte do governo, da importância dos Pontos de Cultura no contexto social brasileiro: “São poucas as entidades e movimentos que têm assento nesse Conselho, que define políticas pública para o Brasil. Isso significa que os Pontos de Cultura estão assumindo espaços cada vez maiores nessa discussão”. Gel Brito comemorou a notícia e destacou que essas conquistam reforçam o movimento.

O encerramento das atividades da Teia aconteceu na manhã de quarta-feira (31), no Sebrae, quando chegou ao fim a atual gestão da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e houve a apresentação dos novos 52 integrantes (27 representantes dos estados e 25 representantes de grupos de trabalhos, GTs). Por meio de votação, foi decidido que, dentro de 90 dias (em julho, portanto), será realizada a primeira reunião presencial da nova Comissão. Mas as conversas iniciais devem acontecer o mais breve possível, por meio da internet.

Representantes de Pontos de Cultura garantem presença na Teia 2010. Fotos: Maximiliano Leguiza

GT – Matriz Africana


Vídeo: Maximiliano Leguiza

AVALIAÇÃO

Norma Paula Moreira, Coordenadora Geral da Teia 2010, destacou a participação dos representantes de Pontos em todos os eventos programados, desde as apresentações da Mostra Artística até a Plenária Final, quando foram apresentadas as propostas dos fóruns estaduais e dos GTs.

Para ela, o evento foi bem sucedido e isso fica muito claro se observada a variedade e força das propostas apresentadas, tanto federais quanto estaduais, todas no sentido de engrandecer o Programa Cultura Viva em todos o território brasileiro. “Resta agora que os governos acatem essas decisões e, daí, vem a importância dessas comissões que alguns estados criaram – como é o caso do Ceará – que vão trabalhar muito para que essas propostas e deliberações não fiquem no papel”, explicou.

Outro detalhe apontado pela Coordenadora Geral do evento foi a composição dessa nova Comissão Nacional, que tem muitas pessoas novas. “E essa mistura do novo com a experiência de quem já participava do processo cria a perspectiva de se dar uma grande alavancada nos trabalhos”, conta.

Os números finais da Teia devem estar disponíveis em aproximadamente um mês, mas Norma adiantou que o evento contou com a participação de aproximadamente 5 mil pessoas, além do apoio de grande parte da população de Fortaleza. “A cidade atendeu o chamado, sentiu-se dona da Teia e contemplada em todas as atividades. Cheguei a ouvir ‘Que legal que os pontos de Cultura fizeram isso para a gente’”, comemorou. E a despeito de todos os problemas que possam ter acontecido, ela acredita que essa Teia foi a mais aconchegante de todas as que já aconteceram.

Por Luciane Zuê (Pontão de Cultura Digital Ganesha) – Cobertura Compartilhada

quarta-feira, março 31st, 2010

A rede ampliando as redes na Teia

Além do contato presencial entre representantes de Pontos de Cultura, delegados e comunicadores, a internet foi sem dúvida a forma mais utilizada para se comunicar durante a Teia 2010 – Tambores Digitais.

Rede da Teia ofeceu acesso a quase 90 mil páginas durante os dias de evento. Foto: Maximiliano Leguiza

Do dia 25 de março, quando se deu o início oficial da Teia, até o dia 30 de março, foram 8587 ips distribuídos, 88.845 páginas acessadas, isso sem contar com os modem 3g’s que se via por todos os lugares.

O dia em que mais se utilizou internet por aqui foi no sábado (28), quando foram apontados 5.260 acessos só no Telecentro montado ao lado do Dragão do Mar, especialmente para a apreciação do público. Os dados são da ParadaNet.com, empresa que prestou serviço à Teia.

Muitos representantes de Pontos de Cultura e principalmente as pessoas que trabalharam (e ainda estão trabalhando) na Comunicação Compartilhada, chegaram antes e ainda estão acessando a internet. Só na sala da comunicação, circularam cerca de 50 comunicadores todos os dias.

Outra forma de se comunicar bastante utilizada durante a Teia foi um telefone fixo via rádio que fazia ligações para todos os lugares do Brasil, serviço oferecido gratuitamente.

Além de possibilitar a troca de informações, a  internet e a banda larga também foram temas de seminários durante a Teia 2010. Leia mais aqui.

Por Fernanda Quevedo

quarta-feira, março 31st, 2010

TT Catalão: “Vai dar tudo certo”

Com declarações baseadas num misto de otimismo e cautela, TT Catalão – que assume o lugar de Célio Turino na Secretaria de Cidadania Cultural do Ministerio da Cultura (MinC) – reforçou o que já havia adiantado durante a Teia Sul (que aconteceu em São Francisco do Sul- SC, de 26 a 28 de fevereiro): institucionalmente o Programa Cultura Viva está garantido, para além do governo atual.

Isso porque o Ministério da Cultura contemplou o Programa na minuta enviada à Casa Civil, destinada a consolidar as leis sociais do Governo Lula. Ele adiantou, entretanto, que essa discussão sobre a transformação do Programa em lei segue em duas frentes diferentes: a institucional e a social, e que tanto o governo quanto a sociedade fazem sua parte – o primeiro ao deixar o processo encaminhado e a sociedade, ao buscar a legitimidade através de manifestações populares, abaixo-assinado, etc….

Essas duas frentes de ação, de acordo com TT, devem convergir no Congresso Nacional. “É lá que esse jogo vai ter que se definir. Aí não depende mais da gente. Depende da nossa pressão, sim, mas não depende da gente”, explicou, acrescentando que em todo esse processo, Estado e sociedade estão se encontrando, falando a mesma língua. “Nesse caso tem acontecido uma coisa rara, que é o Estado ter as ruas de seu lado”, acrescentou.

TT fez uma leitura pessoal sobre os desdobramentos possíveis para esse processo. Segundo ele, uma coisa que já se desenha é que um comitê supra-partidário deve assumir o programa, o que se justifica pelo fato de que os Pontos de Cultura se espalham por vários estados, governados por partidos diferentes. Como exemplo, citou o estado de Alagoas, governado pelo PSDB (considerado partido de oposição), e extremamente comprometido com o Cultura Viva e todas as suas ações. “Isso mostra que as diretrizes partidárias não têm essa rigidez toda, e o que conta na verdade é conhecer o Programa e reconhecer sua importância. Também, quem vai ser contra? É quase como ser contra o Dia das Mães”, comentou.

FUTURO

TT demonstra total serenidade para assumir a Secretaria de Cidadania Cultura (SCC)l, mesmo reconhecendo como um desafio de grandes proporções estabelecer a conexão entre os vários pontos de cultura que florescem por todo o País. “Vivemos um momento de impasse: temos pontos de cultura, mas uma rede ainda em formação. Está faltando a Teia mesmo”, afirma, lembrando que a gestão desse processo ficou ainda mais complexa depois que os convênios passaram a ser efetivado também através dos estados, num princípio de gestão compartilhada.

Esse, aliás, é um dos pontos aos quais TT pretende dar muita atenção a partir de abril, quando assume efetivamente o cargo na SCC. Segundo ele, o diálogo com os estados já teve início em dezembro e a proposta agora é intensificar esse contato. Além disso, TT pretende dar atenção à questão da estética e da linguagem, dos signos e apropriações,  tópicos que ele explica como “diálogo das tramas”. “Essa é a minha praia. Aliás, foi assim que entrei no programa… escrevendo, fazendo frases, fotografando, me aventurando pela narrativa simbólica. Só agora eu estou ‘encrachazado’. Mas vai dar tudo certo”, finalizou.

Veja o que já publicamos sobre TT aqui, aqui, aqui e aqui.   

Por: Luciane Zuê (Pontão Ganesha de Cultura Digital) – Cobertura Compartilhada

terça-feira, março 30th, 2010

Rádio Rebuliço disponibiliza programas

Para você que não conseguiu acompanhar a transmissão de rádio via streaming ou FM, ouça aqui todos os programas produzidos pela Rádio Rebuliço durante aTeia Brasil 2010- Tambores Digitais.

Continue ouvindo a rádio rebuliço através do Nós da Rede e do Estúdio Livre.

Rádio Rebuliço, aqui tá tudo misturado!

terça-feira, março 30th, 2010

GT discute importancia do Audiovisual

Após se reunirem pela manhã em comissões estaduais, os Pontos de Cultura dividiram-se em setores de atuação na tarde de ontem. Não foi uma missão fácil, já que os Grupos Temáticos eram 25 e a maioria dos Pontos de Cultura trabalham com a transversalidade, ou seja, perpassam seu trabalho por vários destes temas. Sendo eles: Ação Griô, Artes Cênicas, Audiovisual, Criança e Adolescente, Cultura de Paz, Cultura Digital, Economia Solidária, Escola Viva, Estudantes, Gênero, Grupo Amazônico, Hip Hop, Juventude, Legislação, LGBT, Literatura, Matriz Africana, Música, Patrimônio Imaterial, Culturas Tradicionais e Indígenas, Patrimônio Material, Pontões e articulação da rede, Rádios Comunitárias, Rede da Terra, Ribeirinhos e Sustentabilidade.

No GT de audiovisual ficou difícil categorizar o que pertencia a audiovisual e o que dizia respeito à comunicação, já que grande parte dos participantes transitavam pelos dois temas. Mesmo com os ânimos exaltados os participantes elegeram 10 prioridades (listadas abaixo). A principal delas diz respeito a criação de uma Ação Audiovisual Cultura Viva.

“É pra ter um tratamento específico dentro do Programa Cultura Viva, para ganharmos força como os griôs e outros ganharam”, explicou Davy Alexandrinsky, redator do decálogo que resultava de reuniões preliminares em Brasília. Ele também foi alvo de protestos: “Me retiraram da mesa, alegaram que eu estava manipulando, querendo conduzir o processo, mas se não conduzíssemos ficaríamos aqui até que horas?”. Era 23 horas quando o GT encerrou a reunião.

Um representante da Funarte aproveitou para divulgar os novos editais que estão previstos para o primeiro semestre e interessam à classe audiovisualista. Manoel Correia, conhecido como Bignel, representante do Ministério da Cultura, falou sobre o Laboratório Cultura Viva, um projeto que deve dar visibilidade às produções audiovisuais dos Pontos de Cultura. Paulo Roberto Tavares, do Ponto de Cultura TV OVO de Santa Maria (RS), que já trabalhou com o Ponto Brasil – programa que era produzido pelos Pontos de Cultura e exibido pela TV Brasil, disse que esse projeto trará mais independência justamente por não ser mais ligado à TV Brasil: “Com isso nós podemos exibir em qualquer lugar, TV local, comunitária, universitária, educativa e na TV Brasil, mas não só nela.”

Para Sílvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual, “pela sua natureza, capilaridade e experiências culturais reunidas, o Cultura Viva revelou-se um grande laboratório no uso do audiovisual”. Segundo Jader Costa do Ponto de Cultura Fancine de Volta Redonda (RJ), que conduziu o GT, a capacidade de produção audiovisual dos Pontos de Cultura é inegável: “Quantos milhares de jovens espalhados pelo país estão sendo resgatados pelo audiovisual?”, disse.

Luísa Falcão do Ponto de Cultura Amanda, do Ceará, que trabalha com Cinema de Animação e fez a vinheta da Teia 2010: Tambores Digitais, que você pode ver aqui, endossa o discurso desse protagonismo juvenil: “É preciso que tenha essa política de incentivo, principalmente pra capacitar e fomentar, porque se você passa um ano formando o jovem e depois não o aproveita, não adianta”. Para ela, os valores de financimento do audiovisual no Brasil são um nó, principalmente no que diz respeito à animação. “Todo mundo pensa que animação é barato, é só desenhar uns bonequinhos e pronto, mas pra fazer um segundo de animação eu preciso de 24 desenhos. Imagina então fazer um longa? Um longa de animação custa no mínimo 2 milhões!”

Uma das propostas votadas no GT de audiovisual diz respeito ao mapeamento dos Pontos de Cultura Produtores de Audiovisual. Essa é uma das metas do Projeto Do Ponto ao Mundo, da jornalista e produtora Carine Araújo, presente à reunião. O projeto foi contemplado na Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais. Ao final da sessão ela falou sobre o preenchimento do formulário (distribuído aos presentes) e sobre como esse trabalho serviria de base para as reivindicações do grupo.

“A idéia é mapear os Pontos produtores de audiovisual e não só quantificar, mas qualificar, saber o que eles estão produzindo, qual o gênero predominante, com que profissionalismo está sendo feito e onde está sendo divulgado”, declarou. O produto final da pesquisa será um catálogo que agrupará os principais pontos audiovisualistas. (Você pode saber mais sobre o projeto aqui.)

Foram escolhidos ao final da sessão 9 representantes regionais e sub-regionais para acompanhar as demandas do Grupo junto ao Fórum Nacional de Pontos de Cultura. A Comissão eleita foi:

Norte:
Titular:Shirlene Teixeira Lopes    Suplente:Francisco Marnilson Neris da Silva

Sul:
Titular: Maria Miguelina da Silva (Florianópolis – SC)   Suplente: Paulo Tavares(Rio Grande do Sul) e Bruno Fred Mancuso( PR)

 


Centro-Oeste:
Titular: Marcos Telles de Alcântara ( Goias)     Suplente:Eduardo Pena Teles( Brasília)


Nordeste – sub-região 1( Bahia, Sergipe e Alagoas):
Titular:Rosangela Rocha ( Sergipe)   Suplente:Rogério Matos (BA) e Tania Mendes (BA)


Nordeste –Sub-região 2(Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba):
Titular: Raimundo Melo(RN)      Suplente: Lula Gonzaga(PE)


Nordeste – Sub-região 3( Ceará , Piauí e Maranhão):
Titular: José Gerardo Damasceno     Suplente: Francisco da Chagas Silva


Sudeste – Sub região SP:
Titular: Elias Mngote    Suplente: Thais Scabio


Sudeste – Sub-região RJ/ES:
Titular:David Alexandrisky(Niterói- RJ)   Suplente:Jader Costa(Volta Redonda-RJ)


Sudeste – Sub-região MG:
Titular:Luciene de Oliveira
Suplente:Michael Brasil

As 10 propostas eleitas que compõem o Decálogo do Audiovisual foram:

  1. Entende-se por Ponto de Cultura Audiovisual todo Ponto comprometido com no mínimo 2 eixos: Produção, Formação, Pesquisa e Difusão/ Distribuição (exibição nas diversas plataformas), regulares, na área do audiovisual;
  2. Mapear os Pontos de Cultura de Audiovisual e convocá-los para um encontro Nacional do GT Audiovisual
  3. Solicitar junto ao Minc a participação efetiva do GT do Audiovisual do processo de elaboração, seleção e realização do Laboratório Cultura Viva do MINC, incentivando as produções regionais e que a avaliação seja feita com profissionais com experiência para avaliação técnica das produções
  4. Reunir e sistematizar o acervo audiovisual produzido nas quatro TEIAS Nacionais (SP; MG, DF,CE)em parceria com a Cultura Digital
  5. Organizar um “Kit Audiovisual Cultura Viva”, com um conjunto de DVDs produzidos pelos PCs Audiovisual, para distribuição aos Pontos e Pontões de Cultura e outros meios e mídias, em parceria com a Cultura Digital, negociando os custos de produção-distribuição junto ao Minc
  6. Será de responsabilidade do GT Audiovisual acompanhar e validar a cobertura e finalização do registro das TEIAS, com a estadualização das coberturas específicas dos respectivos projetos das delegações de cada Estado
  7. Solicitar ao Minc que os filmes produzidos com recurso público ou incentivado, com mais de 2 anos após lançamento sejam autorizados para exibição nos PCs
  8. Solicitar através do Ministério da Cultura, junto aos Ministérios competentes, autorização e legalização automáticas das Rádios e TVs Comunitárias criadas e mantidas pelos Pontos de Cultura.
  9. Garantir a participação na aprovação de projetos de pontos de cultura pelo fundo setorial cultural
  10. Supervisionar e orientar todas as exibições de material audiovisual, que tenham a chancela do Programa Cultura Viva, para garantir qualidade profissional da projeção

Vejam as fotos do GT:

Paulo Roberto explica o Laboratório Cultura Viva

Plenária vota as propostas

Davy Alexandrinsky e Luísa Falcão

Jader Costa: Milhares são resgatados pelo audiovisual

Carine Araújo e o projeto Do Ponto ao Mundo

Por Simão Augusto/Tabuleiro Produções

terça-feira, março 30th, 2010

Entrevista com Juca Ferreira

jucaOuça entrevista com o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, realizada pelo Ponto de cultura Produtora de Áudio Popular, que participa da cobertura colaborativa da Teia Brasil 2010.

Clique aqui para ouvir

Por: Anderson Moreira (Produtora de Áudio Popular)

terça-feira, março 30th, 2010

Entrevista com Célio Turino

celio-turino

Ouça entrevista com o secretário de Cidadania Cultural do MinC, Célio Turino, que se despede do cargo após seis anos à frente do Programa Cultura Viva.  Clique aqui para ouvir.

Por Anderson Moreira (Produtora de Áudio Popular)

terça-feira, março 30th, 2010

Publicações sobre o Cultura Viva lançadas na Teia 2010

Comedia Del Acre/Foto: Mario Miranda

Comedia Del Acre/Foto: Mario Miranda

Mais duas publicações sobre o programa Cultura Viva foram lançadas durante a Teia Brasil 2010: Tambores Digitais.

O catálogo Cultura Viva: Autonomia, Protagonismo e Fortalecimento SócioCultural para o Brasil, do Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania, começou a ser distribuído ontem (29) e traz as diretrizes do programa, voltadas ao fomento da cultura brasileira.

Na introdução do catálogo, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, afirma que “nenhuma ousadia institucional de Estado, no campo da Cultura, foi tão longe quanto a criação dos Pontos de Cultura”.

As ações e iniciativas do programa, sua definição e principais conceitos e objetivos são destrinchados de maneira didática. Vai direto ao ponto. Como escreve Célio Turino,  rementendo ao termo “do-in antropológico” cunhado por Gilberto Gil para falar dos Pontos de Cultura,  o Cultura Viva faz “acunputura social que vai direto ao Ponto”.

Na publicação Seminário Internacional do Programa Cultura Viva – Novos Mapas Conceituais, também lançada durante a Teia Brasil 2010, Turino escreve sobre o Conselho Consultivo do Programa Cultura Viva. “Entendemos que para ampliar esse processo de des-esconder o Brasil e des-silenciar grupos sociais até então considerados subalternos, faz-se necessário ampliar o diálogo com esse novo protagonista, agora com um grupo de pessoas reunidas em um Conselho Consultivo”.

Grafite Jamac na Teia 2010/Foto: Comunicação compartilhada

Grafite Jamac na Teia 2010/Foto: Comunicação compartilhada

Entrevistei Célio no ano passado, em Pirenópolis (GO), justamente durante o Seminário Internacional do Programa Cultura Viva, que gerou esse livro.

Na época, ele lançava o seu livro “Ponto de Cultura – O Brasil de Baixo para Cima”, que foi relançado aqui em Fortaleza durante o 4º Encontro Nacional de Pontos de Cultura.

A publicação com resultados do seminário traz os resultados das discussões dos Grupos Aglutinadores (GAs), criados durante o encontro para discutir novas possibilidades para o Cultura Viva, além de artigos de intelectuais que também participaram dos GAs.

O pesquisador inglês Paul Heritage, por exemplo, escreve no artigo “Salve! Salve! Brasil, um Sonho Intenso”, que o Programa Cultura Viva tem “revelado o potencial dos artistas para desempenhar um papel central no bem-estar social e no desenvolvimento dos indivíduos e das comunidades”. As publicações estão disponíveis para download gratuitamente.

Por Marco Gramacho (comunicação Teia 2010)

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Relatos de encanto e superação:”Histórias de Ponto” para baixar