Aconteceu ontem o seminário do grupo de trabalho de Texto e Imagem. Pela parte da manhã, o foco esteve nas experiências de digitalização de acervos, enquanto à tarde predominou a temática do Open Access, ou Acesso Aberto. As apresentações alternaram-se com debates e perguntas da platéia, que compareceu em peso: quase 100 pessoas participaram do evento entre a manhã e a tarde.
Digitalização de acervos
De 15 anos para cá, diversas bibliotecas e acervos públicos iniciaram experiências de digitalização de seus acervos. A passagem do analógico ao digital suscita diversas discussões e problemas, que estão sendo encarados pelas instituições que iniciaram estes trabalhos. E cada tipo de material tem suas especificidades: livros, jornais, revistas, mapas, fotografias, desenhos, partituras, prontuários, processos judiciais etc. Muitas são as motivações para a digitalização: a ampliação do acesso aos acervos, a preservação dos originais e o desejo de ampliar o público alvo, tradicionalmente restrito a pesquisa acadêmica. Foram apresentadas as experiências do Arquivo do Estado de São Paulo e da Brasiliana USP.
O primeiro conta com um acervo monumental da memória pública nas mãos do governo estadual. São dezenas de quilometros de documentos, que vão de todos os tipos de jornais a processos judiciais, registros de entrada e saída de imigrantes e fotografias. O processo de digitalização ocorre desde 2000 e em 2008 os arquivos já prontos foram disponibilizados num site na internet: http://www.arquivoestado.sp.gov.br/. O arquivo está se reestruturando e está sendo construído um novo prédio, para abrigar outros acervos que estão sendo incorporados, como o do Tribunal de Justiça.
A Brasiliana USP surgiu de uma doação de José Mindlin à USP. Recheado de obras raras sobre assuntos relacionados ao Brasil, desde 2009 está sendo digitalizado e colocano na web no site http://www.brasiliana.usp.br. Para abrigar a coleção está sendo construído um prédio no campus da USP, com espaço para um centro de restauro.
A apresentação de ambos projetos levantou um debate amplo, em que foram pontuadas questões referentes à autenticidade dos documentos digitais, limitações impostas pela atual lei de direitos autorais, softwares para repositórios digitais, criação de novos centros de digitalização, plugins e formatos de saída, uso das imagens produzidas, estratégias de financiamento etc. Um ponto que rendeu opiniões variadas referiu-se aos usos fora da internet: que é preciso desenvolver novas ferramentas que tirem a primazia da Internet. Mas reconheceu-se que a Internet ainda é, até hoje, o meio mais democrático em uso.
Open Access
À tarde, as discussões concentraram-se na produção que ja nasce digital: os repositórios para revistas digitais, periódicos, artigos e produção científica. O debate girou em torno das políticas de acesso aberto e suas vantagens comparativamente em relação ao paradigma anterior, dos periódicos convencionais.
Um ponto foi consensual em todas as apresentações: que a divulgação na internet aumenta a rapidez da divulgação e permite um maior acesso à produção científica, representando vantagem do ponto de vista de quem publica e quem lê. Diminui também o tempo entre a revisão e submissão final, independentemente da metodologia utilizada para aprovação dos artigos. O acesso aberto representaria também grande vantagem do ponto de vista das instituições, tanto pelo caráter de divulgação como pelos ganhos qualitativos obtidos pelos/as pesquisadores/as em seus estudos.
Um ponto mais polêmico foi o relacionado às tecnicas de mensuração da qualidade dos artigos. Diversos sistemas de repositórios de acesso aberto possuem em seus sistemas mecanismos de quantificação de acessos e citações; umas vez que as buscas integram a popularidade do artigo, cria-se uma nova clivagem, em que o número de citações de um artigo torna-se sinônimo de qualidade. No entanto, tal critério é questionável e suscita a pergunta: até que ponto é possível determinar a qualidade de um artigo acadêmico por meio de algorítmos matemáticos? E em que medida os buscadores baseados em ranqueamento (número de acessos) sofrem dessa distorção que privilegia em grande medida a popularidade?
Outra questão apontada é a possibilidade de integração com os sistemas de currículos – como o Sistema Lattes. Na Universidade do Minho (http://repositorium.sdum.uminho.pt/), o sistema está integrado com os currículos, é possível, ao se preencher o currículo, enviar os artigos em questão para repositórios de sua escolha.
Além da Universidade do Minho, foram apresentadas as experiências do SciELO (http://www.scielo.org), que é um repositório para divulgação científica, contando com centenas de milhares de artigos de diversos países da América Latina, além de Espanha e Africa do Sul; recentemente, em projeto piloto desde 2007/2008, permite que que autores/as publiquem seus artigos em suas versões originais, antes do “peer-review”, ou as alterações propostas pelas casas publicadoras (periódicos). Outro exemplo de divulgação científica é o do banco de dados de teses da USP (http://www.teses.usp.br): desde 2007, as teses defendidas são depositadas no repositório e ficam disponíveis para download. Foi demonstrado também o sistema administrativo Tycho (http://sistemas3.usp.br/tycho/apresentacao.jsp), desenvolvido e utilizado pela reitoria: a ferramenta serve às demandas institucionais e faz uma interface que consulta diversas bases de dados existentes conforme o tipo de informação, evitando a duplicação de dados.
Maria Helena 16 de abril
Fernão,
Acho que houve um engano com relação a “experiências do SciELO, que possui um repositório para que autores/as publiquem seus artigos em suas versões originais (http://www.scielo.org), antes do “peer-review”, ou as alterações propostas pelas casas publicadoras (periódicos), contando com centenas de milhares de artigos de diversos países da América Latina, além de Espanha e Africa do Sul”. Na verdade a Adriana Luccisano informou que esse repositório é uma experiência piloto iniciada em 2007/2008 comUSP/CQ, UNICAMP,ITA,UFScar, UNESP e UNIFIESPe que só possui 52 registros.
Particularmente acredito ser um repositório muito difícil de ser alimentado em função da dificuldade de obtenção dos arquivos junto aos seus autores.
Fernão Lopes 16 de abril
Ok, vou corrigir a informação.
grato,