O Projeto Tuxaua de Veridiana Negrini
Nome do projeto - Interligações: Encontros Paulistas pela sustentabilidade dos Pontos de Cultura
Qual o objetivo geral do projeto: Articular e mobilizar os Pontos de Cultura do Estado de São Paulo, em torno do que nos une: o Programa Cultura Viva, visando à sustentabilidade dos Pontos de Cultura, à necessidade urgente e inadiável de consolidar, não neste governo nem no próximo, mas em todos, na constituição, a garantia da continuidade desse programa, através da Lei Orgânica Cultura Viva. Pretende-se estabelecer a promoção de intercâmbios, compartilhamentos de conhecimentos e práticas dos Pontos de Cultura para que eles se reconheçam como afins e colaborem entre si, somando os esforços na construção de objetivos comuns. Provendo encontros que visam o debate, construção de políticas publicas e a sustentabilidade dos Pontos de Cultura, e através disso consolidar de fato essa rede. Deste modo pretende fortalecer a rede estadual, integrando e fazendo com que, estes aproximadamente 500 Pontos, (mostrar que pela localidade eu foquei nos pontos da capital e principalemnte na região grande SP oeste onde até então a rede não estava articulada); em sua maioria novos, se articulem e se sintam membros da rede os Pontos de Cultura do Programa Cultura Viva intervindo na transformação da sociedade, cada qual com sua autonomia e o protagonismo.
Qual o objetivo específico do projeto: Realizar encontros com os Pontos de Cultura do Estado de São Paulo, reunindo protagonistas, intérpretes, tradutores dos Pontos de Cultura, para que a partir da experiência vivida por cada Ponto se pense na sustentabilidade de seu Ponto e do Programa Cultura Viva, e possa-se conversar sobre as políticas culturais existentes. Problematizará também temas e questões estruturantes para um processo coletivo de construção social da rede dos Pontos de Cultura, visando a convergência entre os conhecimentos estruturantes e os saberes que emergem da experiência social.
Pela rede de Pontos de Cultura do Estado de São Paulo, ser muito ampla, com mais de 450 Pontos no Estado, e por termos Tuxauas espalhados por todo o estado, focarei no meu projeto a região oeste da grande São Paulo, além da capital. Esses encontros trarão elementos que alimentarão uma plataforma virtual, para auxiliar o fortalecimento e integração da rede. Visando sempre a sustentabilidade dos Pontos, onde eles possam através dos encontros apontar as tecnologias, serviços, produtos, saberes etc, que cada um desenvolve para promover as trocas destes “serviços”, o que meu Ponto pode contribuir para o seu, como podemos interagir um com o outro, visando a sustentabilidade de cada um.
Ao longo dos primeiros meses, pretende-se também organizar atividades que potencializam a troca de experiências e articulação dos Pontos tanto na TEIA Estadual, quanto na TEIA Nacional dos Pontos de Cultura.
Com o andamento do projeto mostrar a sustentabilidade por políticas publicas culturais e pela ausência da reunião destas informações a necessidade e a criação de uma plataforma virtual que reúna as leis culturais, a principio de São Paulo.
Por que esse projeto precisa ser realizado? Justifique.
Pois trata-se do fortalecimento do movimento, da ligação entre os novos Pontos conveniados nova rede que esta sendo construída, uma rede constituída por pontos já existem, mais os pontos vindos de convênios com a Secretaria de Estado e com as rede municipais, precisamos fortalecer a rede essa estadual.
É consenso que a participação cidadã é essencial para os Pontos de Cultura, seja no seu território ou no campo das políticas públicas mais abrangentes. A atuação em rede, uma das propostas mais importantes do Programa Cultura Viva, é indissociável dos processos participativos locais ou nacionais. É a participação que qualifica a democracia cultural nos diversos espaços e potencializa o seu empoderamento e o protagonismo; sem ela essa construção fica comprometida e não existem condições de irradiar a sua potência.
Entendo aqui por empoderamento, não apenas poder no sentido tradicional do termo, mas toda ação que gera potência das dinâmicas no território. Autonomia (do grego auto-nomos, lei de si mesmo) significa que os sentidos das experiências e sua expressão política são dadas pelo grupo, coletividade ou individuo. Protagonismo significa ação, atitudes, apropriação de experiências e criação de imaginários dos grupos e indivíduos que possam constituir-se como sujeito da história local e global e interferir nos rumos da sociedade com sua visão própria de mundo
Quando estamos falo de participação pensamos num complexo participativo que parte da escuta do território, enraíza-se na localidade, desborda-se para a ação cultural propriamente dita, potencializa a criação artisticocultural e ramifica-se na atuação coletiva através das políticas públicas de cultura ou políticas sociais. Os Pontos têm uma ação quase sempre complexa em seu raio de ação e a sua sobrevivência depende da sua ação cultural, da sua ação participativa e da gestão em rede.
Potencializar as redes é condição sine qua non para a existência dos Pontos, é na relação com o outro que se dá o “desenvolvimento por aproximação” e a interculturalidade proposta pelo Programa Cultura Viva. Além de ser uma proposta contemporânea (Boaventura de Souza Santos diz que as cidades do futuro serão Redópolis e não apenas Polis) sem as redes não é possível a construção da proposta de gestão fundamental do Programa, a gestão compartilhada.
A articulação da rede entendida para o fortalecimento do empoderamento local, mas também para a promoção de eventos, encontros, intercâmbios, trocas entre coletivos de jovens, ações de cultura e cidadania para o fortalecimento e empoderamento dos pontos. Os Pontos de uma maneira geral propõem potencializar diálogos interculturais e trocas de experiências entre práticas sociais de diversas regiões. Isso poderá possibilitar a ampliação da ação dos Pontos de Cultura para um intervenção ainda mais ampla na comunidade e na sociedade
O Programa Cultura Viva procura desconstruir o papel do Estado, criando novos sentidos para a relação Estado e sociedade, com isso sabemos que a cultura está ganhando cada vez mais espaço na agenda governamental, já que estamos em um processo de transformação, no qual a cultura está passando a ser trabalhada como política pública, buscando ser reconhecida como uma necessidade básica a todos os seres humanos. Mas ainda temos muitos esforços a realizar para que isto seja realmente alcançado. Com este encontro pretendo que os Pontos que serão visitados conheçam a política do programa Cultura Viva e as ações e propostas pelo marco legal dos Pontos de Cultura
Maria Lucia Montes aponta a importância da Arte no contexto público: “ A arte no contexto comunitário cria um outro sentido de pertencimento. …. devolver a criação artística à coletividade…. fazendo a coletividade co- participe do processo de criação.” ( Revista Polis, 33, 1999, Desenvolver-se com Arte) A artecultura contextualizada nestes espaços podem contribuir para processos de desenvolvimento cultural : tanto sensibilizando as pessoas para outros olhares que não a embrutecida vida cotidiana das cidades, seja para a formação de valores, ou mesmo para despertar o interesse pela arte em grandes coletivos.
Acredito e espero realmente que este canal de participação popular possa ter influência na concretização de políticas publicas, já que a política se da com potencias e afetos, consolidando o modelo do programa Cultura Viva/ Pontos e Cultura como uma Política Pública de Estado para a Cultura do Brasil, uma lei que consolide a proteção e promoção da diversidade cultural brasileira que promova a cultura que é viva e que pulsa em todos nós.
Qual é a proposta de continuidade da atuação do proponente?
Pretendo continuar acompanhando os Pontos de Cultura, após estes meses de “projeto”, por meio das redes dos Pontos de Cultura e de suas respectivas comissões, a saber Comissão Nacional dos Pontos de Cultura e Comissão Paulista dos Pontos de Cultura. Participando das atividades que envolvam o Programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura.
Acredito que uma vez inserido nesse universo do programa o vinculo que se estabelece nunca se tem um fim. O encantamento cria um laço profundo em cada um de nós. O reencantamento do mundo só é possível quando o sensível uni-se novamente ao inteligível, onde não haverá mais esta dicotomia do lógico/racional com o mítico/simbólico, e isso ao meu ponto de vista só ocorre por meio da cultura. Se acreditamos que é possível uma ação transformadora inspirada pelos valores da igualdade de direitos, liberdade e solidariedade, de uma moral e ética proletária, humanista e democrática, acredito ser o Programa Cultura Viva uns dos “agentes” dessa transformação, desta mudança de paradigmas.
Qual é a inovação que este projeto apresenta do ponto de vista estético, metodológico, tecnológico, educacional, de sustentabilidade, dentre outros ?
Nos encontros com os Pontos a inovação do ponto de vista estético –lembrando que a palavra estética vem do grego αισθητική ou aisthésis que significa percepção, sensação, vem da possibilodade de perceber e se reconhecer no outro sendo autonomo porém semelhente. Como nessas diversas formas de expressões artitiscas que encontramos nos Pontos de Cultura, como o processo criativo está espelhado na própria atividade artística de cada Ponto e do Programa Cultura Viva. Hegel ja nos apontou: “a beleza só pode se exprimir na forma, porque ela só é manifestação exterior através do idealismo objetivo do ser vivente e se oferece à nossa intuição e contemplação sensíveis”.
A arte metodologia que será utilizada tanto no planejamento, quanto no encontro com os Pontos e as redes, na “sistematização” desses encontros, terá elementos tanto de uma lógica racional, quanto elementos sensíveis. A metodologia possibilitará a organização das condições de reflexão, auto-formação e emancipação dos sujeitos envolvidos, bem como o desenvolvimento de uma dinâmica coletiva que permita o estabelecimento de referências contínuas e evolutivas com o coletivo, no sentido de apreensão dos significados construídos e em construção. Identificando em cada Ponto a suas semelhanças e diferenças, onde esta a autonomia, empoderamento e o protagonismo e a atuação nas redes; fortalecendo os vínculos de pertencimento e de identidade, ampliando a visibilidade desses novos sujeitos de conhecimento tanto para o Estado quanto para a comunidade. Sabemos do papel transformador, pedagógico, revolucionário, da cultura.
A inovação do ponto de vista da sustentabilidade, visa principalmente na sustentabilidade do Programa Cultura Viva, através do marco legal Cultura Viva. Mas também, diria que a grande inovação estará em apontar como os Pontos podem conseguir outras formas de recursos econômicos financeiros; a inovação também se dará pela forma que os encontros aconteceram, visando a troca de saberes, serviços, técnicas dos Pontos para a sustentabilidade de cada Ponto.
Quais são os resultados esperados com a realização deste projeto:
Promoção do intercâmbios, compartilhamentos de conhecimentos dos Pontos do estado de São Paulo; Fortalecimento e integração dos Pontos de Cultura do estado de São Paulo; consolidação (ou pelo menos encaminhamento) do marco da Lei Orgânica Cultura Viva; Mobilização dos Pontos para a participação dos da teia estadual e nacional; Reflexão sobre a sustentabilidade financeira dos Pontos e as políticas culturais existentes e possíveis. Construção e alimentação da plataforma virtual com exemplos de políticas culturais…
Conversas sobre políticas culturais, sustentabilidade do programa e do ponto ; Participação na TEIA Estadual / Nacional
Data: 12 de junho de 2010