[re]Ações & Políticas Digitais

Nesse blog pretendo experimentar a cultura do digital em dicussão, debate e elaboração de novas políticas.

Manifesto Ctrl+S: Salvem a Cultura Digital Brasileira

TEVE GOLPE! #ForaTemer

Foi sim, e a gente tava lá… Tiraram uma mulher do governo para montar um governo sem mulheres.

Mataram a Culturafoi rápido, na hora a gente nem sentiu… mas logo começou a doer.

E menos de 24 horas depois, lá se apresentaram os Movimentos Sociais das Culturas, e dali 2 semanas já haviam espalhado #OcupaMinC nas 27 unidades federativas do Brazil…

Conectados em rede, [re]criamos um ministério paralelo das culturas, que tinha sua sede no rio de janeiro, no Palácio Capanema, onde por 60 dias ininterruptos, houveram debates, festas, apresentações e todo o tipo de intervenção e ocupação do espaço e debate público…

No último final de semana, a Polícia Federal desocupou o prédio… mas não nos expulsaram, nos lançaram para o mundo.

Um dia depois, na segunda-feira, mais um duro golpe, e a exoneração em massa de mais de 70 quadros da pasta, retirando pessoas com mais de 30 anos de serviços, e desestruturando áreas inteiras, como a Cinemateca e a Cultura Digital…

Falam em desaparelhamento, mas exoneram um servidor público federal, que estava há 12 anos coordenação de cultura digital… demitiram o único hacker que fazia a manutenção do CulturaDigital.br, plataforma pública que atende a 1milhão de usuários por ano, e tinha sua manutenção a cargo de um DAS3, cargo que remunera em pouco mais de 3mil reais por mês – valor muito baixo para a carreira de TI, diga-se de passagem.

Também desmontaram a equipe do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais, e exoneraram todos os quadros estratégicos da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação, destroçando assim toda a inteligência e infraestrutura do ministério, assim como todos os projetos, serviços e sistemas, ESSENCIAIS para o funcionamento de TODAS as políticas, da Lei Rouanet – com o Salic, aos Pontos de Cultura, com a Rede Cultura Viva.

Acontece que dentre as políticas do Ministério que podem ser replicadas, as digitais são as mais relevantes, mais do que replicação, são cópias perfeitas. Ou seja, podemos pegar todos esses sistemas, do jeito que existem, fazer LITERALMENTE uma cópia, e rodar em outro lugar, fora do MinC.

E por fim chegamos à questão principal dessa mensagem:

como vamos salvar a cultura digital brasileira?

Lembro-me de ter ouvido pela primeira vez da Patrícia Canetti o conceito de memória do digital… e desde então isso bate na minha cabeça:

O que acontece com a memória de um site depois que ele sai do ar?

Podemos pensar em uma nuvem que conecte servidores nas universidades, governos e outros setores públicos e privados em geral?

A RNP é uma boa opção pra guardar um Museu do Digital?

O CGI pode aportar recursos e/ou abarcar em sua estrutura esse tipo de coisa?

Já existe um Archive.org brasileiro?

 

É muita utopia pensarmos em uma Rede Livre?

 

 

[CNPC] O Digital é Arte ou é Cultura? — OU A Arte do Conflito e a Cultura da Autorepresentação

O Thiago Carrapatoso, terceiro suplente do delegado Setorial de Arte [e Cultura] Digital por São Paulo, fez o seguinte relato sobre a reunião do Fórum Nacional Setorial:

http://paisagemfabricada.com.br/2015/11/17/arte-digital-no-cnpc-aparelhamento-ou-peca-de-manobra/

Há tempos que tenho achado mais interessante fazer as coisas do que discutir as coisas, mas como o Conselho Nacional de Políticas Culturais é um ambiente de discussão, do qual participo e acompanho ativamente, não pude me furtar a responder e fazer os devidos esclarecimentos, que foram publicadas, originalmente, na lista de discussão do GT Cultura Digital:

Nossa Carrapatoso, mas que relato desastroso.

Nem parece que VC é um cara que convive a acompanha o CNPC de perto há tantos anos…

Dizer que a pauta sobre o nome, função e identidade da “Cultura Digital” no setorial é uma imposição do governo é de uma desinformação tão grande, mas tão grande… que chego a pensar que se trata de desonestidade intelectual de sua parte.

Além de demonstrar uma cultura da auto-representação que eu diria ser hoje o PRINCIPAL problema da nossa DEMOCRACIA (sim, da democracia representativa como um todo, e não só do CNPC).

Se você tivesse se dado ao trabalho de conversar com a sua base social, ou seja, os eleitores (que incluem as pessoas que votaram em vc, mas também as que não votaram), ou ainda, trocado algumas mensagens com o titular por são paulo, a quem vc estava re-representando, não teria feito um relato (e uma participação) tão descabida.

Além do que, fico impressionado, como um cara como vc, super conhecido nas redes, perde uma oportunidade dessas, de puxar uma discussão aberta, mais afetiva, efetiva e REPRESENTATIVA. Entre tratar do real ponto de dissenso  e criar uma polêmica, você ficou com a segunda opção, que, na minha opinião, é contraproducente.

Até da pra perceber, pelo seu texto, que houve um esforço em pesquisar para embasar seus argumentos…. Só tem um problema: sua referência mais recente é de 2010 e a outra é de 2009. Aproveitei agora pra dar uma lida nas discussões do setorial em SP, e vi você colocando lá questões já superadas há bastante tempo, como a relação entre Artes Visuais e Arte Digital.

Nesse vácuo, entre 2010 e o dia de hoje, você perdeu 5 anos de oportunidades de conversar com as pessoas ao entorno desse processo e de ajudar a construir um processo consistente e representativo. Vitor Grilo, Paulo Amoreira e Eu, participamos ativamente do processo e podemos te dar relatos de três diferentes pontos de vista – só pra ficar nos representantes do Ceará.

E me desculpe o tom dessa mensagem, mas fiquei realmente consternado em ver alguém tão inteligente e bem relacionado, ex-socialmedia do Fórum da Cultura Digital, colaborador da Casa da Cultura Digital, prestando um desserviço tão grande à Cultura Digital brasileira.

O pior e mais irônico é que seu relato-reclamação fala de tudo o que foi ruim, desinforma um pouquinho, mas o mais importante, que seria o resultado da eleição, ele não fala.

E pra encerrar, tentando não cometer o mesmo erro, copio aqui a lista do GT Cultura Digital, que começou como um grupo de discussão do GT Cultura Digital da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, mas acabou herdando debates, discussões e arranca-rabos das várias outras iniciativas digitais no brasil. Hoje, é uma lista-legado, que conta com mais de 320 pessoas do brasil e do mundo inteiro, sob a tag “cultura digital”.

Pra mim, isso demonstra claramente a legitimidade da inclusão da Cultura Digital no CNPC, e portanto, a legitimidade da pauta levantada pelo José Murilo na reunião.

O que vi quanto participei do fórum, e estou vendo novamente agora, é que os “fundadores” do setorial tem agido de forma coorporativista e segregadora, se esforçando pra manter a “galera da cultura digital” longe do seu “espaço de representação”.

Tenho esperança de que com a nova gestão esse cenário de modifique e por isso, sugiro, enquanto representado, que o Setorial de Arte Digital, seja acolhedor e se preocupe em contemplar em suas discussões pautas que não necessariamente estão relacionadas ao tema de interesse dos representantes, mas que tem respaldo junto aos representados.

Mais que isso, solicito que o Setorial apresente ao conjunto da sociedade a sua estratégia de representação e a maneira como pretende discutir e elaborar com o setor e toda a sociedade, as diretrizes que devem ser levadas pelos representantes.

Sem mais.

Atenciosamente.

Uirá Porã
ex-representante do GT Cultura Digital na Comissão Nacional do Pontos de Cultura
ex-representante da Cultura Digital no Conselho Estadual de Políticas Culturais do Ceará
ex-delegado do Setorial de Arte [e Cultura] Digital do Conselho Nacional de Políticas Culturais
ex-consultor da Coordenação de Cultura Digital do Ministério da Cultura
ex-bolsista da Ação Cultura Digital do Ministério da Cultura
ex-estagiário de Cultura Digital da Assessoria de Comunicação Social do Gabinete do Ministro da Cultura

Desenvolvendo sistemas, ambientes e relações

Querendo dar continuidade ao papo começado no Encontro da Rede dos Pontos de Cultura no FISL, criei a comunidade “Rede dos Pontos de Cultura” no CulturaDigital.br. Meu interesse especial é sobre a discussão que tivemos no início do encontro, a respeito de ambientes digitais de interação entre os pontos e é sobre isso que escrevo.

Sempre houve (e, segundo alguns, ainda há) a necessidade de um ambiente virtual para conversa, troca e articulação entre os pontos. Tentativas não faltam: temos as que já foram desativadas, como conversê e a rede ning do Diplô na Rede; as que surgiram há pouco tempo, como o novo ambiente do Diplô na Rede e o próprio Fórum da Cultura Digital Brasileira; alguns já consagrados, como Estúdio Livre e iTeia; e os que estão a surgir, como o já anunciado Pontos.br ou a promessa do Pontão Xemelê, o Junta Dados. Isso só pra falar nos ambientes com propósito específico de publicação de conteúdos ou articulação entre os pontos. Se levarmos em conta outros ambientes e redes sociais, como Orkut, Youtube, Flickr, listas de discussão e outros, tem MUITA coisa rolando.

No campo de mapeamento e acompanhamento, figuram estrelas como MapSys, Mapas da Rede, ONID e o próprio Salic, que é o sistema institucional do MinC para acompanhamento de Projetos. Em todos esses temos informações muito relevantes, mas que não conversam entre si. E aí está o problema, batman!

Em Porto Alegre era consenso a necessidade de ‘agregar’ o que já existe, afinal, a natureza da rede é descentralizada, e é bom que continue assim. E reforçando isso Zonda e Antônio Martins apresentaram a bela proposta do Pontos.br, como um ambiente agregador de informações de pontos de cultura e outras iniciativas. O pessoal do Instituto Paulo freire apresentou a sua rede, e disse que para eles o desafio era os jovens serem capacitados. Ricardo Ruiz e outras pessoas falaram da importância de cartografar as redes existentes, mapear para fortalecer a rede.

Pessoalmente eu concordo com as visões, principalmente com a proposta de um ambiente agregador, cartografador e que pode conter material de referência sobre o uso da rede. Nesse sentido acho que o que está sendo feito deve continuar, pois é o viável até agora e o melhor que pode ser feito. No entanto, o agregador RSS deve ser visto como um passo inicial, muito necessário, mas nosso esforço não pode se resumir a isso, tão pouco as oficinas à capacitação para os jovens do ponto. Mas tenho uma leitura mais ousada e aprofundada das duas coisas, que quero compartilhar aqui.

1) Sobre a capacitação, que pra mim é mais simples, não acho que se resume a isso. Quem conhece a dinâmica das ferramentas digitais, sabe que o processo de aprendizado autodidata funciona e que um bom, se não o melhor, caminho para uma pessoa se apropriar das tecnologias, é o acesso continuado a elas. Claro que o dono da Lan House pode dar uma mãozinha no primeiro acesso ao orkut, mas é o contato frequente com o computador e com a rede social, que torna o estudante de 5ª série num catalogador de obras audiovisuais para download na rede. Vendo dessa maneira, pode-se concluir que facilitando o primeiro acesso, garantindo a continuidade dele e oferecendo um ambiente estruturado, as pessoas conseguem se desenvolver e utilizar as ferramentas. Eu sou, e sempre fui, pelo autodidatismo. Mas qual seria o caminho? Um programa de financiamento de netbooks para agentes culturais dos pontos de cultura? Talvez! 😀

2) Sobre desenvolvimento, que pra mim é, atualmente, o grande gargalo. A falta de qualidade no desenvolvimento de soluções, a descontinuidade das mesmas e a falta de integração entre elas, é um dos grandes gargalos, a meu ver. Mas acho crítica a situação em alguns pontos ou áreas do desenvolvimento:

a) interface: Vejam o http://www.dominiopublico.gov.br ou o www.softwarepublico.gov.br, por exemplo. Ótimas idéias, com interfaces feias, mal acabadas e que não prezam a usabilidade, o que acaba dificultando a apropriação dos espaços e ferramentas. Nesse quesito o CulturaDigital.br está dando um banho. Apesar de ainda precisar de ajustes, já começa com uma interface amigável e fácil de usar. Crédito para a Equipe Web do MinC, e para a dupla BuddyPress + WordPress.

b) BackEnd (ou engine, sistema, software, como preferirem): “Por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento”. Essa é a realidade de muitos dos sistemas que usamos todos os dias, mas é mais crítico quando estamos falando de softwares livres e sistemas para uso e desenvolvimento coletivo. Precisamos respeitar padrões e políticas de desenvolvimento, documentar o que já foi, está sendo e o que será feito e estudar muito bem as escolhas ou definições das bases para o que vai ser feito do zero, ou customizado para determinado fim. Se esses critérios fossem seguidos, teriamos um legado de sistemas mais robustos, com maior adoção por diferentes iniciativas e faria sentido o uso do código aberto para potencializar a construção colaborativa.

c) Protocolos abertos: Junto a tudo o que já foi dito, usar padrões e protocolos comuns é algo decisivo no que queremos fazer: agregar descentralizadamente. A sugestão do Pontos.br vai nessa linha, usar o padrão RSS para juntar as publicações de pontos de cultura. Mas e para interagir entre as diferentes redes? E para intercambiar informações e conteúdos entre os diferentes sistemas? Como faço para um comentário a um post exibido via RSS no Pontos.br ser também visto no blog original do ponto de cultura? Como entrar em contato com uma pessoa que está no orkut, sem sair do CulturaDigital.br?

Essas e outras questões queremos abordar no tópico “Ambientes virtuais de interação entre os Pontos” do fórum da Rede dos Pontos.

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