Novos imóveis para a cidade de Fortaleza

Primeiras intervenções feitas na cidade de Fortaleza durante o Festival do Concreto.

Todas foram afixadas ao lado de imóveis que estão desocupados ou em processo de desocupação. Nesse link você confere a localização de todas elas e adicionar mais imóveis que estão abandonados.

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Vendido - Andre Lopes - Festival Concreto - Foto Felipe Camilo (3)

Vendido - Andre Lopes - Festival Concreto - Foto Felipe Camilo (5)

 

Vendido - Festival Concreto (1)

 

Vendido - Festival Concreto (4)

Vendido - Festival Concreto (5)


Ficha técnica:
Categoria: Intervenção urbana
Concepção: André Lopes
Material: placas imobiliárias de pvc
Evento: Festival Concreto 2015
Data: 12/11/2015
Local: Cidade de Fortaleza
Registro fotográfico: André Lopes e Felipe Camilo

Novos imóveis sustentáveis!?

No segundo dia foram afixadas novas casinhas, algumas delas possuem telhado solar e acendem a noite. Seguindo a frase do momento: um imóvel sustentável é mais valorizado.

Essa ação também busca mapear os imóveis que estão desocupados ou em processo de desocupação na cidade de Fortaleza. Nesse link você confere a localização das intervenções e pode adicionar novos imóveis que estão abandonados.

Vendido - Festival do Concreto (3)

Vendido - Festival do Concreto (1)

Vendido - Festival do Concreto (2)

Vendido - Festival do Concreto (4)

Matéria na Tribuna do Ceará / nov15

Matéria feita pela Ana Beatriz Leite e publicada na Tribuna do Ceará no dia 27 de novembro de 2015.

Artista transforma placas de vendas de imóveis em casas de passarinho

O projeto “Vendido” mapeia imóveis desocupados em Fortaleza e incentiva um olhar mais sensível quanto aos espaços da cidade

Foto de Felipe Camilo
Foto de Felipe Camilo

As ruas estão repletas de objetos que compõem o cenário da cidade. Muitas vezes despercebidos, basta um olhar crítico e criativo para que elementos cotidianos se transformem em arte.

A partir de um incômodo, o mestre em artes contemporâneas André Quintino iniciou o projeto “Vendido”. As inúmeras placas imobiliárias a cada esquina de Fortaleza apontavam para uma problemática maior, do processo de desocupação em algumas regiões da cidade.

Perto de casa, o publicitário de formação começou a reformular estas placas e, após transformadas em casas de passarinho, devolvê-las ao poste de origem.

“Eram placas que estavam esquecidas, e aquela coisa que estava lá há tanto tempo ganha nova vida”, explica. Após a fase inicial, com intervenções apenas no entorno de sua residência, o artista lançou o olhar para outros locais e deu início a um processo de mapeamento de imóveis desocupados em Fortaleza. As intervenções mais recentes foram feitas no mês passado, na 2ª edição do Festival Concreto, em que André experimentou novas formas para o projeto e instalou 10 “condomínios” de casas de passarinho pela cidade.

Uma intervenção crítica

A escolha das placas imobiliárias como objeto foi, inicialmente, coincidência. A decisão, porém, contribuiu para o conceito e encaixou perfeitamente com a proposta da intervenção. “O mercado de imóveis é um mercado que vem construindo prédio em cima de prédio.

Quando verticaliza demais não é legal, começam a ter regiões privilegiadas, muros mais altos. A cidade quer muito mais agredir do que convidar. O mercado esquece de pensar algumas questões centrais, que são como conviver na cidade”. Além disso, André explica que é ilegal fixar placas em postes e que estas são permitidas apenas no imóvel.

“Vendido” reflete sobre a poluição visual e, com as casas de passarinho, convida ao contato com a natureza e a cidade. “As pessoas às vezes se esquecem, não olham o entorno, não olham ao redor. Acho que é essa a iniciativa, de olhar para o que está do teu lado. Você não está ali por acaso, você tem uma certa responsabilidade com o local em que você está”, pontua.

Essa também é a proposta de outro projeto do artista, o Jardins Digitais, que pensa a cidade como espaço agricultável e monta jardins comestíveis pelas ruas de Fortaleza.

“Você não está ali por acaso, você tem uma certa responsabilidade com o local em que você está” (André Quintino)

As casinhas de pássaro funcionam como mapeamento físico dos espaços esquecidos pela população e governo. O projeto realizado por André é independente e precisa de colaboração para que tenha continuidade. No mapa de intervenções, a ideia é que novos espaços sejam marcados para que posteriormente seja feita a instalação.

Também para ajudar, o público pode adquirir miniaturas das casas de passarinho em formato de imã de geladeira. Ao adquirir, o colaborador aprende o processo de instalação de André ao montar seu próprio imã, com auxílio do tutorial de montagem no blog. A unidade custa R$ 15 e pode ser encomendada através do e-mail vendido.intervencao@gmail.com.

Perambular, experimentar e correr perigo

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O título do post também foi o título da exposição de encerramento do programa de pesquisa em artes visuais da Vila da Artes, iniciada em 15 de Setembro de 2012.

Para a exposição, decidi apresentar uma versão ampliada do projeto VENDIDO. Agora, as casinhas estariam espalhadas pela Cidade de Fortaleza. No espaço expositivo, optei por fazer uma menção ao projeto, afixando na parede um exemplar da casinha e um mapa da cidade com: algumas fotografias do processo de transformação das placas, várias tachinhas vermelhas e uma legenda no canto inferior direito com a seguinte mensagem: “As marcações vermelhas indicam os locais onde as placas de ‘Vende-se / Aluga-se’ foram transformadas. *Outras placas serão transformadas no decorrer da exposição. **O gabarito para fazer as casinhas está disponível no www.facebook.com/pessoasemtransicao

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Desse modo, o público da exposição tinha uma indicação que o trabalho acontecia fora daquele espaço, como também, compartilhava a possibilidade de criar suas próprias casinhas. No total, foram transformadas e espalhas por volta de 110 casinhas pela cidade (nesse link tem a localização e as fotos de todas as casinhas). Todas elas foram fixadas em postes ou árvores que já estavam ocupadas com placas imobiliárias.

Uma amiga advogada, com os seus sessenta e poucos anos de idade, foi para a abertura e teceu o seguinte comentário, na rede social do Facebook, sobre a exposição:

Fui ao lançamento, trata-se de um trabalho contemporâneo, sem compromissos institucionais, é uma arte libertária, o artista concebe a sua obra ou a sua mensagem de forma livre, utilizando-se do material e dos meios que dispõe, com total liberdade criadora. Não é uma arte de museu nem de galerias ou decorativa, é crítica e reflexiva, cada um interpreta a seu modo, sente de acordo com as suas vivências, vocês vão encontrar as inquietações e críticas dos artistas ao modelo de cidade que nos é imposto e nós aceitamos passivamente, de forma poética ou agressiva lançaram o seu protesto. O objetivo é provocar a discussão e a meditação, não vou dizer o que senti e o que me foi passado nas análises feitas por experts presentes, mas seria salutar trocar ideias depois de suas percepções.

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Ficha técnica:
Categoria: Intervenção urbana
Concepção: André Lopes
Material: placas imobiliárias de pvc
Evento: Exposição Perambular, experimentar e correr perigo
Data: 15/09/2012
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste e Cidade de Fortaleza (Ce-Br)
Registro fotográfico: André Lopes
Publicações: matéria no Diário do Nordeste, dissertação “Entorno: experimentações e intervenções na vizinhança”

Matéria no Diário do Nordeste (set09)

Matéria feita pela Adriana Martins para o Diário do Nordeste em 13.09.2012.

Coletânea de experiências e processos artísticos

Primeira turma do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza abre exposição amanhã.

Limites entre público e privado, transformação corporal, redes informacionais, paisagem urbana e universo feminino são alguns dos temas explorados na exposição “Perambular, Experimentar e Correr Perigo”, que reúne trabalhos desenvolvidos por oito artistas e quatro pesquisadoras integrantes da primeira turma do Programa de Pesquisa do Centro de Artes Visuais de Fortaleza. A abertura acontece amanhã, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB).

Vendido EBO140

Uma das peças do projeto “Vendido”, desenvolvido pelo artista cearense André anúncios de venda de imóveis transformados em casas de passarinho sugerem reflexão sobre espaços públicos e privados e especulação imobiliária.

O programa é resultado de uma parceria entre a Vila das Artes, equipamento da .Prefeitura de Fortaleza, e o CCBNB. 0 grupo é formado pelos artistas André Quintino Bartira Dias, David da Paz, Mariana Smith, Marina de Botas, Sabyne Cavalcanti e Simone Barreto e as pesquisadoras Ana Cecília Soares, Júlia Lopes, Lara Vasconcelos e Naiana Cabral.

A seleção dos candidatos aconteceu em outubro de 2011, a partir da seleção de portfólios e de projetos de pesquisa. 0 processo foi coordenado pelo artista Enrico Rocha e contou com o acompanhamento do artista Eduardo Frota. As atividades e discussões do programa foram desenvolvidas ao longo de 10 encontros mensais, cada um com uma semana de duração. Nessas ocasiões, os participantes se reuniam com curadores, artistas e professores convidados para refletir sobre temas e propostas de trabalho.

Entre esses profissionais estiveram nomes como Tânia Rivera, Eduardo Passos, Glória Ferreira, Mário Ramiro, Santiago Navarro, Eleonora Fabião, Orlando Maneschy, Jailton Moreira, Fernanda Albuquerque e Antoni Muntadas. 0 último módulo, com o artista catalão Muntadas, foi realizado em parceria com o projeto Conexões Estéticas, do Instituto de Cultura e Artes da UFC. Além dos encontros, os convidados ministraram cursos abertos ao público (selecionado através de inscrições na Vila das Artes).

Diversidade

Entre os trabalhos elaborados para “Perambular, Experimentar e Correr Perigo” está, por exemplo, “Vendido”, de André Quintino, que propõe uma discussão sobre os limites entre público e privado, o crescimento da cidade e a especulação imobiliária.

Para isso, Quintino construiu casas de passarinho com placas de “vende-se/aluga-se” recolhidas pela cidade. Depois, as peças foram colocadas nos mesmos locais onde se encontravam as placas, cujas mensagens são, assim, reconstruídas e ressignificadas.

Outro projeto que reflete sobre a questões urbanas é “Arranha-céu”, de Jared Domício. Mistura entre desenho e fotografia, a obra consiste em imagens de céu arranhadas com estilete, que sugerem ao espectador a visão de uma Beira Mar sem grandes construções.

Já a artista Bartira Dias mergulha no universo do corpo e seus significados, com a performance “0 dentro da pele para fora do ar”, da série “Ex-drógeno”. 0 trabalho questiona o uso do corpo enquanto mercadoria, além de refletir sobre a violência de gênero que se dá nesse processo.

Mais informações

“Perambular, Experimentar e Correr Perigo” – abertura amanhã, às 18 horas, no CCBNB (R. Floriano Peixoto, 941, Centro). Visitação de 15 a 20 de outubro, de terça a sábado, das 10 às 20 horas. Acesso livre. Contato: (85) 3252.1444

Junho das Artes 11

Na cidade de Obidos, em 2011, foram espalhadas algumas casinhas de passarinho. A intervenção fez parte da exposição Junho das Artes.

Uma curiosidade, em Portugal utiliza-se um material semelhante ao plástico de pastas escolares para fazer as placas de vende-se.

Edgar Liborio 2
Edgar Liborio 3
Joao Vilnei (2)
Joao Vilnei (3)
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Ficha técnica:
Categoria: Intervenção urbana
Concepção: André Lopes
Material: placas imobiliárias de pvc
Evento: Junho das artes 11
Data: 09/06/2011
Local: Obidus (Portugal)
Registro fotográfico: equipe de produção do Junho das Artes

EBO 140

Residi na mesma casa por mais de 20 anos. Morava com os meus pais e com um irmão na Rua Dr. Edmilson Barros de Oliveira, número 140, bairro Cocó, Fortaleza, Ceará, Brasil. É um bairro de classe média alta. Próximo de casa existe um parque ecológico, algumas residências e pouco comércio. O fluxo de carros é intenso e o barulho dos automóveis abafa o som dos pássaros. Poucas pessoas transitam a pé na rua e praticamente todas as casas possuem muros altos equipados com cercas elétricas. Tenho alguns vizinhos de “bom dia” e “boa noite”, que são as palavras que digo quando nos cruzamos ao sair de casa. Desconheço os vizinhos dos quarteirões que não sejam os de frente da minha casa. Nos finais de semana, a rua fica tomada por carros de pessoas que vão para a igreja da renovação carismática católica chamada Face de Cristo que fica no final da rua.

Nestes anos, tive a felicidade de estudar e trabalhar próximo de casa, de modo que fazia a pé o percurso até esses lugares. Isso me permitiu acompanhar mais de perto as pequenas intervenções no meu entorno. Uma casa que era posta à venda, um terreno que foi desocupado, o aviso pregado no poste de alguém que procurava por seu animal de estimação perdido, as plantas que cresciam por entre as fendas da calçada. Essas mudanças ajudavam a construir a minha história sobre esse lugar e me fez perceber que, todas essas intervenções, sejam intencionais ou não, remete ao outro.

Ainda guardo comigo algumas regras, que nunca foram escritas, mas que foram passadas como uma política da boa vizinhança. Entre elas estão: não incomode o outro, guarde as suas particularidades para o espaço reservado da sua casa, preze sempre pelo bom comportamento, não faça coisas estranhas…

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Em 2010, na primeira intervenção do projeto VENDIDO, peguei por emprestado algumas placas de “vende-se/aluga-se” que estavam esquecidas nos postes da minha rua. Depois as cortei de modo simples, seguindo dois modelos, de maneira que a junção de suas partes formasse uma casa de passarinho. Não utilizei pregos, parafusos nem cola para a montagem, somente os encaixes feitos com o corte. Por fim, devolvi as placas para o seu lugar de origem.

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Ficha técnica:
Categoria: Intervenção urbana
Concepção: André Lopes
Material: placas imobiliárias de pvc
Data: 2010
Local: Rua Dr. Edmilson Barros de Oliveira (Fortaleza-Ce-Br)
Registro fotográfico: André Lopes
Publicação: dissertação “Entorno: experimentações e intervenções na vizinhança”