Em Destaque

A Banda Cabo de Guerra retorna aos palcos da Bahia depois de 17 anos sem atividades públicas. Completa, em 2010, 25 anos de existência e traz na sua história a participação em grandes momentos musicais dos anos 80.

No passado dividiu palco com nomes como Marina Lima, Inocentes, Titãs, entre outros expoentes da Cultura Musical Nacional. Paricipou do Troféu Caymmi e muitos festivais de Rock. Foi conteporânea de Bandas Antológicas na Bahia, como: Ramal 12, Rabo de Saia, Dever de Classe, 14º Andar…

Agora, retorna com os mesmos integrantes, mais maduros e com muita energia para resgatarmúsicas do LP gravado nos anos 80, bem como as músicas autorais que ficaram sem registros. Vem aí um novo CD e quem sabe um DVD que resgatará uma parte importante da memória Cultural de uma Geração que participou de momentos históricos, com o fim do Regime Militar, fim da Reserva de Mercado e da conquista do Voto Direto para os Brasileiros.

Confira a entrevista que registrei no último ensaio antes do show de retorno da Banda que ocorreu no Grrove Bar, em Salvador-BA.

http://balcaodomusico.ning.com/video/video/show?id=2560347%3AVideo%3A37546

Incentivo aos Músicos em Salvador

Há quem faça da música uma missão que vai além de compor e tocar. Estes são os que compartilham  e ensinam aos demais, incentivando novos talentos.

Neste sentido Hoje em Salvador-BA teremos dois eventos gratuitos:

Workshow de Julio Medeiros - Cantor e Guitarrista – Livraria Saraiva do Salvador Shopping 16h00, Salvador-BA.

Joel Moncorvo  faz  Workshow de Contrabaixo – com sorteio de pedais LANDSCAPE, Shopping Vivi Center, Av. Manoel Dias, Pituba, Salvador-BA 17h.

Aproveitem a tarde deste sábado!


Educar pela Qualidade

Cada povo tem a sua história, cada época deste povo vai gerar manisfestações culturais diferentes e a cultura tanto floresce diante da realidade particular de uma sociedade, como absorve elementos de culturas externas com as quais esta vai mantendo contato durante sua história.

É assim que a Cultura brasileira foi formada: Agregando elementos de todos os continentes em momentos históricos distintos. A cultura dos índios, portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, ingleses e africanos foram ao longo do tempo gerando novos elementos, mantendo tradições ou adaptando-as à nossa realidade social. Durante os últimos 100 anos, recebemos os Alemães, Japoneses e outros povos orientais. A cultura norte americana foi absorvida diante das telas de TV e Cinema. Esta mistura é o Brasil.

Temos nossos pratos típicos, e comemos pizza, lazanha e hamburguer. O mesmo Brasil de um lado tem água do Mandacarú para sobreviver porque precisa e do outro bebe água mineral francesa porque pode e quer. Se esta é a realidade, não vejo diferente com o Samba, o Chorinho, o Jazz e o Blues.

Se um músico argentino vem para a Bahia e aprende a tocar o nosso Berimbau, e mistura o som deste instrumento a elementos da música eletrônica, criando algo novo no nosso país, isto para mim também é música brasileira. Se um brasileiro, desenvolve estudos de música clássica e cria suas composições baseadas na sua realidade, aqui no Brasil, isto é música brasileira. Se um jovem guitarrista aprende a tocar blues, a cantar blues e rock e faz isto na Bahia, podemos dizer que isto é música norte americana sim, mas, se ele baseado nesta experiência cria suas próprias composições, ainda que influenciado pelos mestres do Blues norte americano, ele está fazendo música brasileira. E se for norte americana, tem que ser banida? não creio. Se tiver qualidade, que fique entre nós!

Não foi assim que nasceu o que chamamos de Forró?

E de onde vem o Chorinho? a Bossa Nova?

E o que havia antes do Samba?

E a música brasileira influencia músicos pelo mundo, que conhecem nossos grandes mestres, pesquisam e se apropriam de elementos ritmicos que caracterizam nossa musicalidade.

Recebemos Música Erudita, Soul Music, Jazz, Blues, Rock, Rap e devolvemos Bossa Nova, Chorinho, Funk, Aché Music, Forró, MPB…

Nesta eterna mistura, o certo é que gosto é uma questão subjetiva, mas, qualidade não o é. Para a qualidade é possível estabelecer parâmetros capazes de uma diferenciação qualitativa.

Para ouvir música livremente, o “gosto” deve ser o bastante para garantir o direito individual. Para a educação musical, creio que a este deva dar lugar à “qualidade”. E definir/mensurar a qualidade requer conhecimento técnico, teórico.

Mas qualidade e gosto não devem ser excludentes. Dentro do possível, tentemos fazê-los um par, uma dupla capaz de somar na educação musical dos nossos jovens.

Visite o http://www.balcaodomusico.ning.com e conheça  músicos brasileiros que estão pelo mundo levando seu talento.

A Cultura é causa e efeito das transformações sociais

Entre Contrabaixos Elétricos de 5 ou 6 cordas, guitarras digitais, sintetizadores cada vez mais potentes, microfones cada vez mais específicos e, samplers que ampliam as possibilidades musicais resgistradas em mídias digitais, continua sendo essencial a sensibilidade do artista.

De nada adianta uma ou duas cordas a mais para quem não consegue usar com talento as quatro cordas básicas de um contrabaixo, não adianta todas os multiefeitos se falta criatividade e bom gosto para compor e talento para executar. Pior ainda é não ter público capaz de avaliar a qualidade e absorver conteúdos diferenciados.

Se atualmente gravar e publicar não é mais a barreira maior a ser vencida, o complicado consiste em encontrar um público capaz de absorver composições mais elaboradas. Os cérebros dos nossos jovens, diante da cultura que não estimula a leitura, limitando bastante o vocabulário e capacidade de absorver informações, aliado ao interesse comercial em produzir quantidade e ampliar consumo, cria um comércio imenso para uma música descartável, usada como entretenimento, como pano de fundo para grandes festas onde se vende ingresso, comida e bebida massivamente com investimento em mídias como Rádio e TV que fabricam em conjunto sucessos instantâneos e baratos, que divertem as massas assalariadas, mal pagas e endividadas, e logo são esquecidos. Seguindo a prática do pão e circo, temos os programas assistencialistas do governo que alimentam aos famintos e corruptos que desviam recursos públicos para uso particular, infelizmente.

Nosso Brasil pacato, com 3 Poderes legitimos, forças armadas e fortes instituições paralelas como MST e Tráfico de Drogas vai seguindo adiante com suas novelas, carnavais, futebol e praias ensolaradas. Vamos sediar Copa do Mundo e Olimpiadas em meio ao caos, será que vem aí o programa DrogasZERO, ou haverá uma reforma estrutural no campo capaz de levar dignidade e segurança à zona rural, e ao mesmo tempo respeitar o direito de todos ?

A Floresta que queima na Amazônia, gera uma fumaça que não incomoda a minha respiração diretamente aqui no litoral do nordeste, mas muda o clima do Planeta e isto nos afeta a todos, e afeta a vida dos que nem nasceram ainda. Esta é a mesma lógica da Cultura.

Por incrivel que pareça, as gerações que passaram o aperto da Ditatura repressiva, onde haviam menos escolas, (porém o conteúdo era importante bem social) fez surgir em meio aos seus jovens, muitos talentos que através da arte, foram capazes de fazer a diferença, criando inovando e principalmente atingindo ao público, emocionando-o, fazendo-o pensar e agir a partir das suas composições.

Agora, em plena Democracia, onde tudo é possível, a música, o cinema e outras formas de expressão cultural perdem sua força como agente agregador e propagador de idéias e emoções. Há o interesse comercial em uma arte descartável, pois é preciso faturar, fazer volume. Criamos jovens menos estimulados pela sociedade, seja pela política educacional que favorece as estatísticas de aprovação em detrimento da formação visando nos colocar em patamar favorável nas estatísticas internacionais.

Este processo que ocorre há anos, vai mascarando a nossa incompetência em realmente estimular e educar as novas gerações, particularmente para o mundo das artes. O Ministério da Cultura, através dos Pontos de Cultura, devolve a sociedade a responsabilidade de gerir recursos e produzir meios para estimular o interesse pelo campo Cultural. É bom termos estas frentes de estímulo, mas, atinge uma parcela limitada da sociedade. Temos que mudar o Sistema Educacional, e isto envolve outras mudanças mais amplas nos governos Municipais, Estaduais e Federal.

Eu penso que hoje em dia, as músicas de Chico Buarque, por exemplo, não devem tocar nas rádios porque são elaboradas demais para a grande maioria absorver e fica mais fácil fazer rádio com músicas no estilo “bate a mãozinha… e dá três pulinhos prá cá, e desce até o chão…”. Outros músicos com trabalhos interessantes também não encontram espaços na mídia e os jovens ficam consumindo uma música repetitiva. Alguns inconformados, buscam outros caminhos e encontram na internet uma saída. Mas a internet usada livremente com certeza informa, não necessariamente irá educar. É tão importante Educar quanto Informar.

Não vejo como mudar este quadro, sem a pressão para que sejam criados programas educacionais mais amplos, que valorizem a Cultura Criativa e estimulem nos jovens, através das conquistas históricas dos nossos artistas, o interesse para conhecer a arte e assim, possam surgir talentos verdadeiramente criativos e transformadores, dentro de um novo mercado consumidor de bens culturais, mais embasado. Este processo irá tanto estimular novos talentos, como formar platéias com capacidade crítica para gerar mudanças na programação das nossas Rádios e TVs.

Vinicius Lago
19-10-2009