Educar pela Qualidade

Cada povo tem a sua história, cada época deste povo vai gerar manisfestações culturais diferentes e a cultura tanto floresce diante da realidade particular de uma sociedade, como absorve elementos de culturas externas com as quais esta vai mantendo contato durante sua história.

É assim que a Cultura brasileira foi formada: Agregando elementos de todos os continentes em momentos históricos distintos. A cultura dos índios, portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, ingleses e africanos foram ao longo do tempo gerando novos elementos, mantendo tradições ou adaptando-as à nossa realidade social. Durante os últimos 100 anos, recebemos os Alemães, Japoneses e outros povos orientais. A cultura norte americana foi absorvida diante das telas de TV e Cinema. Esta mistura é o Brasil.

Temos nossos pratos típicos, e comemos pizza, lazanha e hamburguer. O mesmo Brasil de um lado tem água do Mandacarú para sobreviver porque precisa e do outro bebe água mineral francesa porque pode e quer. Se esta é a realidade, não vejo diferente com o Samba, o Chorinho, o Jazz e o Blues.

Se um músico argentino vem para a Bahia e aprende a tocar o nosso Berimbau, e mistura o som deste instrumento a elementos da música eletrônica, criando algo novo no nosso país, isto para mim também é música brasileira. Se um brasileiro, desenvolve estudos de música clássica e cria suas composições baseadas na sua realidade, aqui no Brasil, isto é música brasileira. Se um jovem guitarrista aprende a tocar blues, a cantar blues e rock e faz isto na Bahia, podemos dizer que isto é música norte americana sim, mas, se ele baseado nesta experiência cria suas próprias composições, ainda que influenciado pelos mestres do Blues norte americano, ele está fazendo música brasileira. E se for norte americana, tem que ser banida? não creio. Se tiver qualidade, que fique entre nós!

Não foi assim que nasceu o que chamamos de Forró?

E de onde vem o Chorinho? a Bossa Nova?

E o que havia antes do Samba?

E a música brasileira influencia músicos pelo mundo, que conhecem nossos grandes mestres, pesquisam e se apropriam de elementos ritmicos que caracterizam nossa musicalidade.

Recebemos Música Erudita, Soul Music, Jazz, Blues, Rock, Rap e devolvemos Bossa Nova, Chorinho, Funk, Aché Music, Forró, MPB…

Nesta eterna mistura, o certo é que gosto é uma questão subjetiva, mas, qualidade não o é. Para a qualidade é possível estabelecer parâmetros capazes de uma diferenciação qualitativa.

Para ouvir música livremente, o “gosto” deve ser o bastante para garantir o direito individual. Para a educação musical, creio que a este deva dar lugar à “qualidade”. E definir/mensurar a qualidade requer conhecimento técnico, teórico.

Mas qualidade e gosto não devem ser excludentes. Dentro do possível, tentemos fazê-los um par, uma dupla capaz de somar na educação musical dos nossos jovens.

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