de:
Contos Verdadeiros Dos Mundos Estrangeiros
por Maximilian J. Sandor e Heloisa H. Rosas de Almeida
Editora Scortecci, 2005, ISBN 5-366-021-3
A estória de Maria Sapa Sabida
Maria Sapa Sabida, uma sapa, segue o seu sapo, como ela fez durante toda a sua vida. O sapo segue os seus amigos, como ele fez durante toda a sua vida. Maria Sapa estava contente porque achava que o sapo sabia o caminho de volta ao lugar onde ela nasceu.
No meio do caminho, ela pensou. “Na verdade, aonde vamos?”
Então, Maria Sapa perguntou pela a primeira vez, ao seu marido. Este lhe assegurou: “Querida! Não se preocupe! Tudo esta sob controle!”
O tempo passa. Mais e mais, a sapa se sentia desconfortável. Pela
segunda vez, ela perguntou ao seu marido: “Querido, você está certo de que nós estamos no caminho certo?” E ele, mais uma vez respondeu: “Não se preocupe! Isso não é coisa de mulher! Deixa comigo! Meu tio já foi lá!”
A sapa sabia que o sapo sabia o caminho! Assim sendo, ela não mais se preocupou.
O tempo passa. A cena mudou. As moscas eram deliciosas. Mas, o caminho era mais e mais estranho.
Então, pela terceira vez, ela pergunta: “Marido sapo. Para onde nós estamos indo?”
Ele responde: “Todos os sapos sabem que tem um Novo sabor quando chega o Novo clima global!”
Maria Sapa diz: “Esta muito quente esses dias!”
“É isso aí!” – ele diz.
O tempo passa. Maria Sapa Sabida, porque é sapa, sabe de coisas que só uma sapa sabida sabe. E ela se lembrou de uma história de sua avó que era uma sapa sabida, também.
A avó contou que existiam cozinheiros na França que cozinhavam os sapos na água fervente. Começava assim: eles levavam os sapos do poço de água confortavelmente fria para uma panela com água igualmente fresca.
No início, para os sapos tudo era normal. Mas, pouco a pouco, esses cozinheiros iam aumentando a temperatura. Era tão lento que ninguém percebia. Quando alguém protestava, eles retrocediam, diminuiam a temperatura de leve, temporariamente, só para aumentar de novo logo depois. A um certo ponto, a água chegava a uma temperatura crítica em que nenhum sapo podia mais se mover. Nesse momento, os cozinheiros podiam ter qualquer sapo para preparar como iguaria, ainda vivo, sem que o sapo fosse capaz de reagir.
Quando Maria Sapa se lembrou dessa história, ela gritou: “Vem! Vamos embora! F***-se todos. Eu tô fora! Vou levar os meus pequenos! Comigo! Agora!”
Assim, quando o chef do mais famoso restaurante do mundo foi contar, faltavam alguns sapos.
O jantar não pôde ser servido.
Hoje não!